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Rio Tocantins

Obras do Pedral do Lourenço já têm cronograma previsto: 1º de setembro de 2019

Blog mergulhou nos estudos do empreendimento, que terá três frentes de trabalho para dragagem e derrocamento. Dezenas de empregos serão gerados. Quando o serviço estiver concluído, hidrovia dará passagem a mais de 30 milhões de toneladas de commodities.

Está na mesa de analistas do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) o Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e o Relatório de Impacto Ambiental (Rima) das obras de dragagem e derrocamento da via navegável do Rio Tocantins, um projeto antigo e popularmente conhecido por derrocamento do Pedral do Lourenço — mas que não é só isso. O Ibama precisa analisar os documentos que consubstanciam o licenciamento ambiental da empreitada de autoria do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), que contratou o consórcio DTA & O’Martin, cuja empresa líder é a DTA Engenharia, para a realização do estudo ambiental.

O Blog do Zé Dudu baixou a tonelada de relatórios entregues ao Ibama e disponibilizados em meio virtual desde o dia 23 de outubro do ano passado e levantou, no volume 1 do EIA, o cronograma completo previsto para o desbravamento das pedras que se ergueram no meio do rio. Está na página 267: se a Licença de Instalação sair até 31 de agosto, no dia 1º de setembro o consórcio DTA coloca o bloco no rio e inicia a mobilização para as obras de dragagem e derrocamento, que têm duração prevista de 913 dias.

Segundo o Dnit, o projeto tem o objetivo de aumentar a eficiência do transporte fluvial no trecho entre os municípios paraenses de Marabá e Baião, oferecendo segurança às embarcações de grande porte, responsáveis pela condução de cargas. Para a ampliação da via navegável serão necessários o aprofundamento do canal de navegação em alguns trechos localizados a montante e jusante do reservatório de Tucuruí (chamado de dragagem) e a transposição do Pedral do Lourenço localizado próximo à localidade da vila Santa Terezinha do Tauiri (chamada de derrocamento).

Dragagem e derrocamento

Conforme o Dnit, o empreendimento é dividido em três trechos: o Trecho 1 (obras de dragagem), de 52 quilômetros, entre os municípios de Marabá e Itupiranga; o Trecho 2 (obras de derrocamento), de 35 quilômetros, entre os distritos de Santa Terezinha do Tauiri e a Ilha do Bogéa, nos limites do município de Itupiranga; e o Trecho 3 (obras de dragagem), de 125 quilômetros, entre os municípios de Tucuruí e Baião.

A dragagem é uma técnica de engenharia utilizada para remoção de materiais, solo, sedimentos e rochas do fundo de corpos de água, que se vale de equipamentos chamados de dragas. Ela vai custar R$ 39.082.263,19. Os serviços de dragagem vão ser realizados entre março e outubro para não interferirem no período de defeso (de novembro a fevereiro).

Já o derrocamento é a retirada de material pedregoso que compõe naturalmente o leito do rio e vai custar R$ 508.445.135,71. Essa demolição da área de pedrais do canal de navegação, com 100 metros de largura, será feita por meio de detonações associadas ao uso de escavadeiras hidráulicas de grande porte para remoção e carregamento do material detonado. O cronograma de trabalho prevê 30 meses para o derrocamento, a partir da Licença de Instalação.

Em termos didáticos, de dentro do Rio Tocantins, no trecho de 35 quilômetros que corta Itupiranga, serão retirados o equivalente a 1,26 bilhão de toneladas de pedregulho — mais ou menos metade do que resta de minério de ferro na Serra Norte de Carajás, em Parauapebas. As áreas de bota-fora estão localizadas no próprio leito do rio, mas se o transporte dessa carga de pedras tivesse de ser feito, por exemplo, pela Estrada de Ferro Carajás, o trem da mineradora Vale gastaria o equivalente a nove anos para concluir o serviço. A missão é longa.

Aumento da produtividade

Toda essa megaempreitada vai tornar a navegação segura num trecho de 560 quilômetros — de Marabá até o porto da vila do Conde, no município de Barcarena — e também possibilitar a conexão em seu curso com as malhas ferroviárias e rodoviárias, formando um corredor multimodal. Para o Governo Federal, interessado na obra, essa condição é determinante para a atração de novos investimentos, tais como a instalação de novos portos, que podem favorecer a logística com planejamento, eficiência e ganhos em custo de transporte.

Uma vez concluídos os trabalhos, é estimado que o transporte de cargas pela hidrovia Araguaia-Tocantins, partindo-se de Marabá, chegue a 30 milhões de toneladas em 2030, ampliando-se para 32,5 milhões de toneladas um ano após. Aço, minérios, carvão, soja, farelo de soja e milho serão as commodities que terão lugar cativo. De acordo com o consórcio DTA & O’Martin, a ampliação da via navegável também possui potencial de dinamização da produção rural dos municípios que margeiam o Rio Tocantins.

Empregos a serem criados

O Blog do Zé Dudu também levantou oficialmente quantos postos de trabalho a missão no Rio Tocantins vai gerar. Para cada etapa ou trecho do empreendimento, vários profissionais serão escalados. São previstas 72 oportunidades para os serviços de dragagem, com funções para a execução em rio (30), no canteiro flutuante (30) e administrativas (12). Os profissionais mais demandados serão marinheiro fluvial de convés, piloto fluvial e vigia.

Na etapa de derrocamento, 87 vagas serão preenchidas, com destaque para o cargo de marinheiro, que vai recrutar 18 profissionais. Também serão necessários oito apontadores, seis operadores de perfuratriz, cinco auxiliares de serviços gerais, cinco técnicos de segurança do trabalho, quatro auxiliares de bláster e quatro engenheiros de produção.

Confira a lista completa de oportunidades!