Marabá

Águia de Marabá vence no sufoco e está a uma vitória da Copa São Paulo

Por volta de meio di​a e quinze minutos deste domingo, 24 de junho, dezenas de veículos buzinavam para um senhor que percorria a Avenida Antônio Maia de ponta a ponta montado em sua bicicleta marca Houston, cor vermelha e boné na cabeça. Era Wagde Rodrigues Mourão, o técnico Castanhal, que tinha acabado de sair do Estádio Zinho Oliveira, onde seu time (Águia de Marabá) venceu o Izabelense nos pênaltis e carimbou uma vaga na semifinal do Campeonato Paraense sub-17.

Castanhal acenava com a mão para quem buzinava e estava radiante com a vitória. O técnico “pobre” teve a manhã mais rica do que chamou de “graça de Deus” em sua trajetória, marcada sempre por treinar times amadores. Os garotos comandados por ele enfrentaram o sol escaldante do verão marabaense, viraram um jogo, acabaram vacilando no final e empataram com o time visitante pelo placar de 2 a 2.

Mas o próprio presidente do Águia de Marabá, Sebastião Ferreira Neto, o Ferreirinha, atribuiu ao final do jogo, grande parte dos méritos da vitória nos pênaltis ao técnico Castanhal, que soube orientar os garotos e trocar “peças” certas nos momentos certos.

O jogo deste domingo valia pelas quartas-de-final do Campeonato Paraense 2018. O Águia dominou a partida em boa parte do primeiro tempo, mas não conseguiu transformar boas jogadas em gol. O mesmo aconteceu com o Izabelense, principalmente com o baixinho (e põe inho nisso) Alisson Mateus Borges, que infernizou a defesa do Águia e só não marcou porque perdeu algumas disputas de bola por falta de corpo mais rijo.

No segundo tempo é que as coisas se definiram pra valer e a torcida ficou mais animada. Aos sete minutos o Izabelense abriu o placar numa falha de marcação do Águia. Foi então que o técnico Castanhal brilhou. Ele colocou em campo Murilo Lima no momento de uma parada para cobrança de uma falta a favor do Águia. E no cruzamento da bola para a área adversária, Murilo brilhou e marcou o gol de empate.

Logo em seguida, aos 14 minutos do segundo tempo, o zagueiro Kevin da Silva virou o placar a favor do time da casa, deixando a torcida aguiana muito animada.

Mas o drama voltaria ao Azulão perto do final da partida, quando Arlen Borges colocou o Izabelense de novo no jogo, marcando o gol de empate, mesmo com o time da casa atuando com um jogador a mais desde os 30 minutos. No final do jogo, o Águia ficou com dois jogadores a mais, com a expulsão de Orlando Paixão, que tinha acabado de entrar e fez falta dura em Terry Baima. Não teve jeito, a partida foi mesmo para disputa direta de penalidades, sem tempo para prorrogação.

Na cobrança de pênaltis, todo mundo só batia para o lado direito dos dois goleiros, que só pulavam para o esquerdo. Ruam Milhomem, que havia entrado minutos antes dos segundo tempo terminar apenas para tentar defender pênalti, acabou se dando bem nas duas únicas oportunidade que pulou no canto direito. Defendeu duas cobranças, se tornou heroi da classificação e ainda ganhou como prêmio uma camisa original da Seleção Brasileira com o nome de Neymar.

A partir daí, o gramado do Zinho Oliveira se dividiu em dois grupos com sentimentos distintos: os jogadores e parentes dos atletas do Izabelense ficaram de um lado, desolados, enquanto a euforia tomava de conta dos meninos do Águia, da comissão técnica e da multidão que saiu da arquibancada e foi celebrar a vitória e classificação para a próxima etapa junto aos atletas da casa.

Além do bom futebol, o Águia sub-17 impressiona pela quantidade de gols marcados. Com os dois de hoje, foram 37 em apenas 11 jogos, numa média de 3,36 gols por jogo. O artilheiro da equipe continua sendo o valente indígena Kour, que balançou as redes oito vezes até aqui.

Na próxima quinta-feira, dia 28, o Águia recebe o Carajás, que eliminou a Tuna Lusa neste domingo, em Belém. O jogo está marcado para as 15 horas, mas o presidente Sebastião Ferreira Neto, o Ferreirinha, disse que pretende negociar junto à Federação Paraense de Futebol para que a partida seja realizada às 19h30, prevendo que pode atrair mais torcedores.

Por Ulisses Pompeu – de Marabá

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