Venda de veículo zero tomba quase 60% em Parauapebas

Ao lado de Xinguara, Novo Progresso e Altamira, capital do minério bateu recorde negativo no incremento de frota. Por seu turno, Jacundá acelerou quase 70%, feito mágico na pandemia.
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Um levantamento inédito realizado pelo Blog do Zé Dudu, a partir de números oficiais da frota liberados pelo Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), concluiu que Parauapebas chegou ao fundo do poço, em se tratando de emplacamento de veículos novos este ano. O comparativo do primeiro quadrimestre de 2020 com o mesmo período do ano passado traz dados de desempenho de incremento de frota assustadores para o segundo município paraense que, até 2019, mais emplacava veículos novos, atrás apenas de Belém. O aumento da frota é um dos termômetros tanto da economia quanto do poder aquisitivo da população.

De janeiro a abril deste ano, o município que mais produz riquezas no interior do estado emplacou, em média, dez veículos por dia ante 23 no ano passado. Ao todo, foram 1.204 carros e motocicletas novos no difícil ano de 2020 contra 2.758 nos quatro primeiros meses de 2019, uma queda de 56,35%, nada antes visto desde que Parauapebas fora emancipado em 1988. A frota total até o final de abril era de 101.262 unidades.

O desempenho de Parauapebas foi o 4º pior entre as 25 principais praças de veículos do estado. Só Xinguara (-57,29%), Novo Progresso (-57,74%) e Altamira (-80,78%) registraram quedas ainda mais bruscas. Neste último, aliás, os emplacamentos de carros e motos tombaram de 515 unidades em 2019 para apenas 99 em 2020. Os números têm a ver diretamente com a pandemia do novo coronavírus e, sobretudo, com as medidas de distanciamento social e os decretos locais de fechamento de estabelecimentos comerciais, o que impediu tanto o consumidor de sair às ruas quanto as concessionárias de abrirem as portas.

Além disso, as incertezas diante do cenário econômico pós-pandemia — já que o Brasil nem bem se recuperava de uma crise econômica e mergulhou em outra — fizeram com que o consumidor deixasse para depois o sonho do primeiro zero quilômetro ou mesmo a troca do usado pelo novo. Some-se a isso o fato de que as marcas têm feito vistas grossas à crise e, ainda assim, praticado reajustes nos preços dos modelos.

Nem a ciência explica Jacundá

Mas nem todo mundo sofreu tanto. Em Jacundá, por exemplo, inexplicavelmente a frota saltou de 82 unidades de janeiro a abril de 2019 para 137 no mesmo período deste ano, um crescimento apoteótico de 67,35%. É o município que melhor reagiu à crise, no que concerne ao incremento de frota, ao lado de outras quatro localidades que também dispararam: São Domingos do Capim (68,46%), Melgaço (77,43%), Magalhães Barata (102,78%) e Peixe-Boi (152,02%). Estes últimos, entretanto, possuem frotas que se podem contar nos dedos e, daí, qualquer aumento se torna grandioso.

No grupo dos 25 principais, as menores quedas, quase insensíveis e facilmente recuperáveis ao longo do ano, foram registradas em Belém (-2,82%), Paragominas (-4,24%), Tailândia (-4,77%), Ananindeua (-6,42%) e Capanema (-8,37%). Na capital paraense, os emplacamentos diminuíram de uma média diária de 47,2 para 45,5.

No interior do estado, em municípios que são importantes praças de venda de veículos, como Redenção, Santarém e Marabá, o rombo nos negócios foi expressivo, embora nada comparável à situação de Parauapebas e Altamira. Redenção viu o total de emplacamentos diários cair de oito para seis de 2019 para 2020, enquanto em Santarém a diminuição diária passou de 15 para dez. Já em Marabá a retração foi de 19 emplacamentos para 13. De janeiro a abril deste ano, Marabá emplacou 1.552 novos veículos, 725 a menos que no mesmo período do ano passado.

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