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Marabá

Inflação em Marabá cai em novembro e volta a subir em dezembro

Pesquisa do Lainc da Unifesspa mostra que vestuário é o bem e o mal no sobe e desce dos preços no mercado local

O Laboratório de Inflação e Custo de Vida de Marabá (Lainc) da Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa) divulgou nesta segunda-feira (14) os Índices de Preço ao Consumidor de Marabá referentes aos meses de novembro e dezembro de 2018. Os dados servem como indicadores da inflação local.

O Lainc Marabá registrou para o mês de novembro a primeira deflação do ano, nos valores percentuais de -0,01%. Os grupos que tiveram maior participação na variação negativa do índice, com base nos hábitos de consumo da cidade de Marabá, foram: habitação (-0,06%), vestuário (-0,56%), transporte (-0,09%), despesas pessoais (-0,04%) e educação (- 0,10%).

Em contrapartida, os grupos de alimentação (0,74%), artigo de residência (0,04%), saúde e cuidados pessoais (0,03%) e comunicação (0,03%) tiveram uma variação positiva contendo a deflação do mês de novembro.

Essas variações são decorrentes das festas de final de ano e queima de estoque, tendo como destaque a redução nos preços de roupas e calçados masculinos, femininos e infantis e artigos de papelaria.

O acumulado do índice de preço ao consumidor até o mês de novembro foi de 4,36%, mantendo-se abaixo da meta estipulada pelo Banco Central que foi de 4,5%.

Dezembro

No último mês do ano foi registrada uma inflação de 0,52%, sendo um resultado inverso do que foi registrado no mês anterior, caracterizado por uma deflação de – 0,01%.

Os grupos que contribuíram positivamente para o IPC com base nos hábitos de consumo de Marabá foram: habitação (0,15%), vestuário (0,45%), transporte (0,04%), despesas pessoais (0,09%) e educação (0,07%).

Por outro lado, alimentação e bebidas e artigo de residência tiveram uma redução nos preços em seus respectivos grupos de -0,26% e -0,02%.

Por meio da coleta de preços dos bens e serviços que compõem o orçamento das famílias com rendimentos entre 1 a 5 salários é mensurado as variações de preços, sendo os dados coletados nos estabelecimentos comerciais, de prestação de serviços e concessionárias de serviço público.

Com informações da Ascom Unifesspa
Pará

Municípios de Carajás derrubam produção industrial do Pará em novembro

Blog cruzou dados da exportação com os do instituto e descobriu que a queda se deveu à baixa na produção de minério de ferro em Parauapebas, Canaã dos Carajás e Curionópolis.

De outubro para novembro de 2018, a produção industrial do Pará caiu 1,3%. Embora, no acumulado do ano passado, durante 11 meses, a indústria paraense seja a que mais avançou, com taxa de 9,9%, no apagar das luzes a locomotiva perdeu o fôlego. A informação foi divulgada nesta sexta-feira (11) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), por meio da Pesquisa Industrial Mensal (PIM) Regional.

No comparativo entre novembro de 2018 e novembro de 2017, a indústria paraense cresceu 8,3%, ficando atrás apenas do crescimento retumbante da indústria gaúcha, que avançou na ordem de 12,7%. Nesse período, a produção do vizinho Amazonas despencou 2%. Já no acumulado de 12 meses fechados, no período entre outubro de 2017 e novembro último, o Pará apresentou o melhor desempenho nacional, de 9,7%.

No caso específico de novembro de 2018, o Blog do Zé Dudu foi investigar a razão pela qual a produtividade da indústria paraense desacelerou. E a causa está no complexo mineradora de Carajás. De um total de 32 produtos oriundos do Pará e analisados pela pesquisa do IBGE, o minério de ferro é aquele que responde pela esmagadora atividade da produção física. E sua lavra despencou no fim do ano.

Por que caiu?

A explicação para a queda da produção paraense de 1,3% não está em nenhuma das 67 páginas da PIM Regional. O Blog vasculhou o portal do Ministério da Economia, releu seus números e constatou que a produção física de minério de ferro nos municípios de Parauapebas, Canaã dos Carajás e Curionópolis foi responsável por fazer o Pará andar mais devagar.

Na Serra Norte de Carajás, localizada dentro do município de Parauapebas, onde está instalado o maior complexo de extração de ferro de alto teor do globo, a produção de novembro caiu quase 500 mil toneladas de minério ante a outubro. É o equivalente a 12 viagens e meia do trem da mineradora multinacional Vale carregado até a tampa de Parauapebas a São Luís, onde a commodity é embarcada rumo ao mercado transoceânico.

Vale lembrar que, por causa de sucessivas quedas mensais na extração de ferro, Parauapebas encerrou 2018 com a menor produção física do produto dos últimos três anos. A diminuição da produção, no fundo, é meramente estratégica para garantir o avanço programado da produção na Serra Sul de Carajás.

Na Serra Sul, que fica no município de Canaã dos Carajás, aliás, a produção de novembro caiu 900 mil toneladas ante outubro. Isso equivalente a 22 viagens e meia a menos do trem carregado de minério. Responsável por colocar o Pará na liderança da produção industrial no acumulado do ano, com grande distância do segundo colocado (Rio Grande do Sul, com 6,3% de crescimento), a Serra Sul de Carajás é palco do projeto S11D, da Vale, que fez pela primeira vez na história o Pará exportar mais minério de ferro que Minas Gerais ao longo do ano passado.

Outra que também desacelerou foi a produção de minério na Serra Leste, no município de Curionópolis. Lá, em novembro, foram produzidos 4 mil toneladas a menos em relação a outubro. É o correspondente à desocupação de um de cada dez vagões do trem que viaja pela Estrada de Ferro Carajás (EFC).

O Blog também adianta que, na produção industrial de dezembro, a ser divulgada pelo IBGE no mês de fevereiro, haverá registro da queda de produção puxada por Parauapebas, que despencou da extração de minério de ferro de 11,76 milhões de toneladas em novembro para 9,92 milhões de toneladas no último mês do ano.

Pará

Produção de soja deve atingir quase 2 milhões de toneladas no Pará

Em 2018, estado produziu 1,42 milhão de toneladas que geraram 567 milhões de dólares em exportação. Soja já é o principal produto da cesta paraense depois dos recursos minerais.

Nesta quinta-feira (10), o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou a terceira estimativa da safra para 2019, e o Pará tem expectativa de produzir 1,9 milhão de toneladas de soja, de um total de 118,8 milhões esperadas para o país. A soja é o principal produto agrícola da pauta de exportações do Pará, tendo gerado faturamento de 567,12 milhões de dólares ao longo de 2018 pela exportação de 1,42 milhão de toneladas da commodity.

De acordo com o IBGE, a área a ser plantada com a leguminosa é de 35,6 milhões de hectares, aumento de 1,9% em relação a 2018. Na região Centro-Oeste, o Mato Grosso, que em 2019 deve responder por 26,8% do total a ser produzido pelo país, estima colher 31,8 milhões de toneladas, crescimento de 0,6% em relação a 2018, apesar de aumento de 1,9% na área a ser plantada.

Goiás, com estimativa de produção de 11,2 milhões de toneladas, aguarda declínio de 1,4%, enquanto que o Mato Grosso do Sul, com 10,2 milhões de toneladas, estimou aumento de 3,6% na produção.

Na Região Sul, o Paraná, segundo maior produtor e responsável por 16,3% do total nacional, estima produzir 19,3 milhões de toneladas. O Rio Grande do Sul, terceiro maior produtor da leguminosa, estimou produção de 18,6 milhões de toneladas, crescimento de 6,1% em relação a 2018, e 0,3% em relação ao mês anterior.

Enquanto isso, na Região Sudeste, Minas Gerais, com 5,4 milhões de toneladas, estimou queda de 0,1% em relação ao ano anterior, enquanto em São Paulo, a estimativa da produção, de 3,5 milhões de toneladas, encontra-se 1,6% maior.

Na Região Nordeste, destaques para a produção da Bahia, Maranhão e Piauí, estados que, juntamente com o Tocantins (Região Norte), integram o “Matopiba”, região de acelerada expansão agrícola em decorrência de abertura de novas áreas de plantio no bioma Cerrado desses estados. Bahia, com 4,9 milhões de toneladas, estimou declínio de 20,8%. Maranhão, com produção estimada de 3,1 milhões de toneladas, tem aumento de 12,1% em relação a 2018, enquanto o Piauí, com produção estimada de 2,6 milhões de toneladas, tem aumento de 4,1%. (Com informações da Agência IBGE Notícias)

Economia

Pará é o estado que mais vai crescer em 2019, mostra estudo nacional

Projeção divulgada esta semana confirma publicação do Blog e aponta crescimento do PIB paraense em 10,8% acima do período pré-crise, quando o país enfrentou maior recessão da história.

A injeção de investimentos reportada com exclusividade e atualidade aqui no Blog do Zé Dudu na semana passada (veja aqui) entrou no radar dos analistas econômicos do país. Esta semana, a Tendências Consultoria Integrada, uma das mais prestigiadas do país, divulgou o estudo inédito “Cenários Regionais 2019-2023” que mostra o que o Blog já havia destacado: o Pará tem tudo para crescer. E vai.

Na análise das 27 Unidades da Federação, o Pará se destaca com a perspectiva de maior crescimento econômico em 2019, superando o período pré-crise, em 2014, momento a partir do qual o Brasil enfrentou sua maior recessão. A estimativa da Tendências é de que o Produto Interno Bruto (PIB) paraense atinja 10,8%, mais que o dobro do segundo colocado, Roraima, que tem perspectiva de crescer 4,7%. Além do Pará e de Roraima, apenas quatro outros estados vão voltar aos trilhos do progresso econômico: Mato Grosso (3,5%), Santa Catarina (0,2%), Mato Grosso do Sul (0,1%) e Rondônia (0,1%).

O Brasil deve registrar retração no crescimento de 3% em relação ao período pré-crise. Isso não quer dizer necessariamente que o PIB do país não vá crescer; no entanto, deve aumentar num ritmo inferior ao que vinha mantendo há cinco anos atrás, por exemplo. Alagoas, com retração de 9%, Maranhão, com queda de 8,4%, e Sergipe, com diminuição de 8,3%, são os estados com as piores perspectivas econômicas.

Segredos do Pará

Na análise do economista da Tendências e responsável pelo levantamento, Adriano Pitoli, o crescimento econômico deve dar fôlego a estados como o Pará, a fim de que os novos governadores consigam se adequar à Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). Também no caso específico do Pará, Pitoli joga na conta de seu avanço a maturação de projetos da mineradora multinacional Vale, como Salobo, em Marabá, que já vai enfrentar uma segunda expansão, e S11D, em Canaã dos Carajás, que está em franca expansão da capacidade produtiva, o chamado ramp-up (*). S11D também deverá ser alvo de ampliação de capacidade já no início da próxima década.

Todos esses fatores, mais uma avalanche de investimentos privados e estatais previstos e à espera de acontecer, devem tornar o Pará o maior canteiro de obras do país na próxima década, num período que também é coberto pelo recorte do estudo. Até 2023, se tudo caminhar bem, Marabá será a meca de arrastão de trabalhadores para o derrocamento de pedrais no Rio Tocantins, nos limites do município de Itupiranga, e, quem sabe, para uma nova hidrelétrica nacional e uma nova ferrovia para cortar o estado e escoar a produção. Todos esses investimentos devem sair dos cofres públicos.

Na parte privada, o mesmo município deve movimentar, diretamente, entre 3.500 e 4.000 trabalhadores para a expansão do projeto de cobre Salobo e, também quem sabe, para uma segunda ponte rodoferroviária sobre o Rio Tocantins — que deve tornar-se real como contrapartida pela renovação antecipada da concessão do uso da Estrada de Ferro Carajás (EFC), por onde a Vale escoa o melhor minério de ferro do mundo.

Outros empreendimentos na própria cercania de Marabá (em Parauapebas, em Canaã, em Curionópolis, em Água Azul do Norte) e no lado polarizado por Santarém, com destaque para projetos de logística graneleira, sojícolas e de mineração, também devem turbinar a economia paraense.

(*) – Ramp-up é um termo usado em economia e negócios para descrever um aumento na produção de uma empresa antes dos aumentos previstos na demanda por produtos.

Exportações

Parauapebas tem maior saldo comercial do Brasil em 2018, diz Ministério

Guiado por avanço da produção em S11D, Canaã dos Carajás foi o município do país que mais prosperou nas estatísticas do recém-criado Ministério da Economia; veja valores produzidos.

O município que mais produz minério de ferro no Brasil foi o campeão nacional no quesito superávit, na balança comercial, ao longo do ano passado. Parauapebas exportou 6,25 bilhões de dólares, importou 102 milhões de dólares e apresentou lucro à nação de 6,15 bilhões de dólares. As informações foram levantadas com exclusividade pelo Blog do Zé Dudu na plataforma do extinto Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC), que foi integrado junto com outras pastas ao novíssimo Ministério da Economia, criado pelo presidente Jair Bolsonaro. Os dados foram liberados na manhã desta sexta-feira (4).

Parauapebas também foi o 3º maior exportador do país. Ficou atrás das exportações do Rio de Janeiro (13,15 bilhões de dólares) e de São Paulo (12,96 bilhões de dólares). Em moeda corrente, a “Capital Nacional do Minério de Ferro” foi responsável por transações comerciais que totalizaram R$ 23,74 bilhões. Em termos proporcionais, apenas as vendas originárias de Parauapebas seriam suficientes para bancar 95% das despesas do Governo do Estado do Pará. É um montante tão fabuloso que, de cada R$ 9,55, produzidos pelo Brasil, ao menos R$ 1 saiu de Parauapebas. De cada R$ 2,35 exportados pelo Pará, R$ 1 saiu do município.

Canaã rouba a cena

O município de Canaã dos Carajás, amparado pelo avanço progressivo do projeto de extração de minério de ferro S11D, da multinacional Vale, foi quem mais prosperou na balança comercial brasileira em 2018. Ele saiu da 100ª colocação quatro anos atrás para, hoje, ocupar a 13ª colocação. E 2019 deve alçar voos ainda maiores, direcionados pela multinacional que pretende fazer de Canaã o maior produtor global de minério de alto teor nos próximos anos.

Candidatíssimo a tomar o trono de ferro de Parauapebas a partir do meio da década que vem, o município, que hoje é o segundo maior produtor da commodity no país, exportou 3,42 bilhões de dólares, importou 59,5 milhões e concedeu lucro ao governo brasileiro de 3,36 bilhões de dólares, um dos dez melhores saldos em 2018.

Apesar de ter o ferro como carro-chefe da economia, Canaã também produz minério de cobre na mina do Sossego, segundo o segundo produtor nacional da commodity cuja reserva está prevista para exaurir-se em 2027.

A lista nacional de paraenses poderosos ainda tem Marabá, maior produtor nacional de minério de cobre, ocupando o 31º lugar com 1,59 bilhão de dólares exportados. Entre todos os municípios mercadores do Pará, Marabá é o que tem o maior portfólio de produtos, que vão desde cobre, manganês e aço até boi vivo, carnes e soja, entre outros.

Barcarena aparece como o 38º maior exportador, com valor acumulado de 1,33 bilhão. Seu parque metalúrgico o torna o maior transformador de bauxita do país, mas, por conta de demandas judiciais em razão de vazamento de rejeitos, as exportações do município caíram drasticamente.

Produção de minério

O Blog do Zé Dudu é o primeiro veículo de comunicação a divulgar, também, o balanço da produção do minério de ferro dos municípios paraenses ao longo de 2018. Da Serra Norte de Carajás, em Parauapebas, foram extraídos 127,12 milhões de toneladas de minério de ferro, o menor volume dos últimos três anos. As minas de N4E, N4W e N5 garantem a produção.

Ao longo de 2018, o mês mais farto foi julho, que bateu 13,12 milhões de toneladas, enquanto fevereiro, com 7,46 milhões, foi o mais fraco. Cabe destacar que o inverno rigoroso no primeiro trimestre de 2018 forçou a diminuição do ritmo de extração mineral no município de Parauapebas, que também é grande produtor de manganês.

Canaã dos Carajás produziu 59,42 milhões de toneladas na mina de S11D, com aumento expressivo da lavra na Serra Sul de Carajás a partir do segundo semestre. Já Curionópolis, com 3,83 milhões de toneladas extraídas na mina SL1, não acumula sequer um mês de produção do vizinho Canaã. A mina da Serra Leste de Carajás aguarda aval de órgãos ambientais para expansão de sua capacidade (de 6 milhões de toneladas por ano atualmente para 10 milhões).

Vale destacar que o resultado de produção física de minério no balanço do Governo Federal geralmente diverge — para menos, entre 500 mil e 2 milhões de toneladas — em relação ao balanço da multinacional Vale por questões metodológicas. O resultado referente ao 4º trimestre produtivo da mineradora só será conhecido na segunda semana de fevereiro. No dia 21 do mesmo mês, ela vai divulgar o resultado financeiro de suas operações.

Pará

Pará pode ser alvo de quase R$ 120 bilhões em investimentos até 2030

Marabá tem maiores perspectivas de novos canteiros de obras: eixo ferroviário, hidrelétrica, derrocamento, expansão operacional de siderúrgica e expansão produtiva de mineradora. Mais de R$ 30 bilhões na mira.

Uma montanha de investimentos, maior que a cordilheira de Carajás, está prevista para se abater sobre o Pará de agora para frente, até 2030, em setores estratégicos da economia. As informações constam de um estudo de 62 páginas assinado pela Federação das Indústrias do Estado do Pará (Fiepa), segundo o qual R$ 118,4 bilhões serão pulverizados em diferentes empreendimentos que vão fazer o estado ferver.

Se saírem do papel e forem consolidados, em apenas 12 anos o Pará poderá recriar praticamente todo o seu Produto Interno Bruto (PIB). Atualmente, o PIB paraense é de R$ 138,1 bilhões, que vem se arrastando devagar desde a época das caravelas que pautaram o descobrimento do Brasil.

Os novos negócios que se projetam no horizonte norteiam as perspectivas para o desenvolvimento econômico, inclusive podem ser casados com políticas públicas a serem implementadas pelo governador eleito Helder Barbalho que visem à atração de projetos, dinamizem o potencial fiscal e tributário do Pará e gerem emprego e renda à população, que atualmente é a que recebe uma das piores remunerações do país e concentra todo o azar de mazelas.

É preciso, todavia, não perder de vista o fato de que o problema maior que aflige o estado é notadamente social e nem toda a injeção financeira do mundo é capaz de superá-lo, caso investimentos prioritários não sejam feitos na base: educação, saúde, segurança, saneamento e combate à pobreza.

Pacote regional

Das 12 regiões de integração definidas pelo Governo do Estado, quase todas serão alvo de investimentos maciços, nas contas da Fiepa. A região do Baixo Amazonas, polarizada por Santarém, é a líder, com R$ 37,74 bilhões disseminados nas áreas de energia, infraestrutura e logística. O município de Santarém sozinho deve abocanhar mais de 80% dos investimentos previstos, a começar pelo complexo hidrelétrico do Tapajós, estimado em R$ 30 bilhões. Além disso, cerca de R$ 1 bilhão serão aplicados em projetos de infraestrutura e logística no município por três diferentes visionários. Além disso, R$ 6,4 bilhões devem chegar na cacunda de projeto de mineração de bauxita em Oriximiná.

Já a região de Carajás, que tem Marabá como polo, aparece em segundo lugar, com R$ 32,71 bilhões previstos, a maioria no próprio município de Marabá. Segundo a Federação, as regiões do Araguaia (R$ 12,04 bilhões) e Tapajós (R$ 12,05 bilhões) têm expectativa de receber juntas R$ 24 bilhões, a partir da instalação de projetos estruturantes, enquanto as regiões do Guamá (R$ 8,03 bilhões), Tocantins (R$ 7,69 bilhões), Xingu (R$ 6,32 bilhões), Rio Caeté (R$ 80 milhões), Rio Capim (R$ 210 milhões) e Guajará (R$ 1,57 bilhão) devem abocanhar, juntas, R$ 23 bilhões.

Com base nisso, o Blog do Zé Dudu compilou nesta segunda-feira (31), último dia de 2018, os futuros novos negócios que prometem dar um “upgrade” na economia do sudeste do Pará (regiões de Carajás e Araguaia) nos próximos anos e até atualizou informações divulgadas pelos próprios investidores.

Araguaia mineral

A Fiepa estima que, se vingarem até 2030, a região do Araguaia vai gerar quase 56 mil empregos a partir de três empreendimentos da indústria extrativa mineral que prometem sacudir o sul do Pará.O município de São Félix do Xingu é quem deve receber a maior parte da injeção de recursos previstos, de R$ 9,4 bilhões, com a finalidade de erguer o projeto Jacaré, de extração de níquel laterítico e saprolítico. Quem assina o empreendimento é a multinacional Anglo American, gigante da indústria extrativa.

São Félix também vai receber a lavra do projeto Fosfato Santana, da multinacional canadense MbAC Fertilizantes, que mira transformar fosfato em adubo. Segundo a Fiepa, a previsão de investimentos é de R$ 1,19 bilhão, que será partilhado, também, com o município de Santana do Araguaia.

É previsto ainda o projeto Araguaia, em Conceição do Araguaia, orçado em R$ 1,45 bilhão e que visa à exploração de níquel.

Carajás estatal

A grandiosidade dos investimentos de Carajás se sustenta em projetos ambiciosos e, ao mesmo tempo, com execução duvidosa, como a Ferrovia Paraense, de autoria do Governo do Estado e orçada em R$ 14 bilhões, mas que ninguém sabe se terá início, meio e fim — principalmente com as trocas de governos do Pará e do Brasil. Marabá polarizaria o investimento, como eixo entre os traçados norte e sul do monstrengo de ferro pelo estado. O que não se sabe ainda é quem estaria de fato disposto a bancar, sem enrolação, um projeto de tal envergadura financeira num estado que só é enxergado com muito vigor por conflitos no campo e por sua importância na balança comercial.

Além disso, Marabá estaria no olho de um furacão de R$ 12 bilhões para a construção de uma hidrelétrica no município. Apesar de a “fofoca” da hidrelétrica estar aparentemente adormecida, o Blog do Zé Dudu apurou que a usina é a segunda na fila da lista de desejos de implantação de grandes projetos de energia pelo Governo Federal e deve ganhar fôlego no anseio desenvolvimentista do presidente eleito Jair Bolsonaro, que está declarada e assumidamente disposto a limitar o poder de atuação de órgãos ambientais.

A hidrelétrica de Marabá já teve sua viabilidade aceita com sucesso pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e pode sair do papel nos próximos anos, uma vez que o Tribunal de Contas da União (TCU) deu até amanhã (31) para que o Poder Executivo dê parecer definitivo para garantir a viabilidade de sua execução futura. O Blog descobriu que a hidrelétrica já consta de estudos da Agência Nacional de Água (ANA) como “alta prioridade” e que, por isso, será erguida mais cedo ou mais tarde — e, aliás, pode ser mais cedo do que se imagina com novos governos a galope.

Além da ferrovia e da hidrelétrica, Marabá também será canteiro de obras dos R$ 520 milhões previstos para o derrocamento do Pedral do Lourenço, prometido inclusive pelo governador eleito Helder Barbalho (quando era ministro da Integração Nacional), mas parado pela burocracia que reina no país.

Carajás privado

Não obstante os desejos de abrir caminho para o progresso meramente econômico por iniciativa estatal, ainda há previstos para a região investimentos do capital privado. A mineradora multinacional Vale que o diga. A maior manda-chuva do Pará divulgou este ano que vai investir 1,1 bilhão de dólares na segunda expansão do projeto de extração de cobre Salobo, em Marabá. Em moeda nacional, no câmbio de hoje, serão investidos por ela cerca de R$ 4,27 bilhões a partir de 2019.

Fora do eixo de Marabá, a Vale também pretende gastar R$ 1,3 bilhão na expansão da capacidade de produção de sua mina de ferro Serra Leste, em Curionópolis. E o Blog adiciona outro investimento anunciado por ela este ano e não contemplado no levantamento da Fiepa: o projeto Gelado, de reaproveitamento de minério de ferro em rejeito, no município de Parauapebas, que deverá arregimentar 428 milhões de dólares dos cofres da mineradora, o equivalente a R$ 1,66 bilhão.

Além de todos esses investimentos, há a implantação do projeto de cobre Pedra Branca, no município de Água Azul do Norte, pela multinacional Avanco; ampliação da capacidade operacional da siderúrgica Sinobras, em Marabá; e novos investimentos não captados pelo sensor da Fiepa, como a abertura de novas minas de ferro em Parauapebas (N1 e N2) pela Vale; a expansão do projeto de ferro S11D, em Canaã dos Carajás; e o ressuscitar do projeto Cristalino, em Curionópolis.

Conforme o prognóstico da Fiepa, Carajás sozinho poderá polarizar a criação de 121 mil empregos com carteira assinada até o final da próxima década. Até lá, a estrada para correção das bases de investimentos em políticas sociais equivocadas e que não deram certo no estado é longa. E se esses investimentos, os sociais, não forem acelerados, o progresso do Pará será mera utopia. Inatingível.