Por Eleutério Gomes – de Marabá
A notícia de que o curso de Medicina não será mais implantado na Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa) desencadeou reação instantânea nos órgãos e instituições representativas da sociedade civil organizada de Marabá. Em movimento encabeçado pela ACIM (Associação Comercial e Industrial), e apoiado por outras 23 entidades, foi entregue à vice-reitora da universidade, Idelma Santiago da Silva, na tarde desta quinta-feira (20), um documento no qual é feita uma exposição de motivos pelos quais o curso deve ser instalado, citando, inclusive, que o bloco destinado a ela, no Campus III, já está com sua estrutura física pronta.
O ofício traça um diagnóstico da cidade do ponto de vista de logística, número de unidades hospitalares, modais de transporte e disponibilidade de moradia a professores e alunos no entorno do Campus III. “O descrito identifica na cidade um cenário favorável em uma nova dinâmica nos segmentos de educação superior, principalmente para a área médica, haja vista que Marabá já está na condição de Polo Universitário, além do que a própria universidade já tem estrutura física preparada para receber o Curso de Medicina”, diz o documento.
Ouvida pelo Blog, Idelma Santiago justificou que o curso de Medicina, cujo valor de implantação é bastante alto, estava previsto dentro do Programa Mais Médicos, do governo federal, porém, desde o ano passado, o programa entrou em extinção: “Deixamos de receber recursos e também ficamos sem previsão sobre a implantação do curso. Recentemente, tivemos notícias de que o governo federal estaria liberando a implantação do curso de Medicina, mas, para instituições privadas. Para a nossa universidade, não temos previsão”, afirmou Idelma.
A vice-reitora – que atendeu as entidades representando o reitor Maurílio Monteiro, que está de férias – também é de opinião que a sociedade, assim como a comunidade acadêmica, lute para que a Unifesspa se concretize totalmente, conforme foi previsto na lei que a criou em 2013, “incluindo o curso de Medicina”.
Também ouvido pelo Blog, o diretor Financeiro da ACIM, Raimundo Nonato Araújo Júnior, disse que, com o passar do tempo, Marabá vem adquirindo o status de cidade universitária, e isso tem trazido melhoria da qualificação do trabalhador da cidade e da região. “Tem trazido novos investimentos para Marabá e região, e o próprio desenvolvimento, com a abertura do mercado para novos investimentos que antes Marabá não possuía”, afirmou ele.
Para Raimundo, esse relacionamento entre sociedade e universidade é fundamental para que Marabá possa garantir que a população seja servida de boa educação, de boa qualificação, de nível superior.
Segundo ele, o movimento que a ACIM desencadeou, em conjunto com outras entidades da sociedade civil organizada, tem o papel de fazer com que a comunidade dialogue com a universidade para apoiá-la em suas demandas, e também verificar de que maneira pode contribuir para, não só a permanência dos cursos que já existem, quanto pela implementação de novos cursos.
“O curso de Medicina é o sonho de qualquer cidade, de qualquer região. E esse murmúrio de que não viria mais para Marabá desencadeou um movimento para buscar a universidade, a fim de que possamos unir forças e garantir que o curso seja efetivamente instalado em Marabá”, reforçou o diretor da ACIM.
Assinaram o documento entregue à Unifesspa, além da ACIM, as seguintes entidades: Conojve, Sindicom, Acomac Sul do Pará, Sinprorural, Prefeitura de Marabá, Câmara Municipal, OAB/PA –Subseção Marabá, Semed, SMS, Seasp, CME, CMS, CMAS, Lojas Maçônicas e clubes de Rotary e Lions.





