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ENSINO SUPERIOR

Sudeste do Pará guarda mais de 2.000 vagas para preenchimentos via Sisu

Blog fez levantamento do total de oportunidades em cursos de graduação públicos disponíveis na região. Marabá lidera com oferta de quase 1.000 vagas; Parauapebas tem pior relação proporcional. Veja cursos, vagas e cidades.

Vai começar amanhã, terça-feira (22), a disputa pelas vagas do Sistema de Seleção Unificada (Sisu) na primeira edição de 2019. Até a meia-noite de sexta-feira (25), os candidatos ao ensino superior que tenham feito o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2018 poderão “jogar” a nota para concorrer a uma das milhares de vagas disponíveis em dezenas de instituições públicas participantes. O listão com os nomes dos aprovados no Sisu sai dia 28 e as matrículas vão de 30 de janeiro a 4 de fevereiro.

O Blog do Zé Dudu fez romaria nesta segunda-feira (21) pela plataforma do Sisu para contabilizar quantas vagas em cursos públicos há disponíveis para os municípios da Mesorregião do Sudeste Paraense. E concluiu: são 2.022 cadeiras de ensino superior à espera de um dono para chamar de seu. Nove municípios — Marabá, Parauapebas, Paragominas, Tucuruí, Xinguara, São Félix do Xingu, Conceição do Araguaia, Rondon do Pará e Santana do Araguaia — estão com matrículas disponíveis em instituições como a Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa), que lidera a oferta; o Instituto Federal do Pará (IFPA); e a Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra).

Aproveitando o ensejo, o Blog também cruzou dados estatísticos para dimensionar a oferta de vagas por população jovem nesses municípios. O resultado é desanimador para o mais rico deles, Parauapebas, que possui a pior relação de cadeiras universitárias para o tamanho de jovens e adultos.

Uma vaga para mais de 100

O Blog do Zé Dudu já divulgou aqui que Parauapebas é — de acordo com dados do Censo da Educação Superior cujo resultado foi anunciado no final do ano passado — o município brasileiro com a pior oferta de cursos públicos de graduação, entre as localidades com mais de 100 mil habitantes. E a oferta de graduações via Sisu em 2019 chega para, lamentavelmente, reafirmar essa informação.

Todos os cursos de graduação públicos disponíveis em Parauapebas e com ingresso regular estão nesta edição do Sisu. São apenas cinco graduações ofertadas pela Ufra e uma pelo IFPA, que somam 266 vagas. Como o município possuía em dezembro de 2018, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), cerca de 27.800 jovens com a chamada “idade universitária” (entre 18 e 24 anos), no final das contas Parauapebas consegue ofertar apenas uma cadeira de graduação pública para cada grupo de 104,51 jovens. É, disparado, a pior relação do país.

Em Marabá, onde está a melhor situação do interior do estado, estão sendo ofertadas via Sisu 968 vagas para 27.700 jovens, o que confere média de uma cadeira para 28,62 jovens. Essa média melhora ainda mais por conta de outros cursos públicos de graduação ofertados no município, como os da Universidade do Estado do Pará (Uepa), mas que não entraram no Sisu. Marabá é, hoje, o município de interior da Amazônia Oriental que mais atrai pessoas de outros lugares com interesses acadêmicos, tendo superado Araguaína (TO) e Imperatriz (MA).

Em Tucuruí, onde apenas 44 vagas do IFPA estão disponíveis via Sisu para um universo potencial de 13.500 jovens, a relação de uma vaga para 306,81 indivíduos com perfil juvenil poderia ser a pior do país, não fosse um detalhe: a maior parte dos cursos públicos oferecidos lá não está disponível via Sisu. É que em Tucuruí funcionam cursos da Universidade Federal do Pará (UFPA) e da Uepa, as quais não aderiram ao Sisu. Assim, Tucuruí possui uma relação final de jovens por vaga bem mais confortável e próxima à realidade de Marabá. Segundo o recenseamento da educação superior, há cerca de 6 mil universitários na “Capital da Energia”.

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Situação semelhante vive Conceição do Araguaia, onde só o IFPA botou a “cara no sol” nesta edição do Sisu. No entanto, Conceição possui campus da Uepa com cursos públicos de graduação, o que melhora sua densidade de graduação considerando-se o habitante jovem.

Sem previsão em Parauapebas

No Pará, diversos municípios pequenos e sem o potencial financeiro do bilionário Parauapebas dão uma surra na “Capital Nacional do Minério de Ferro” no tocante à atração de jovens para cursar ensino superior público. Xinguara já tem Medicina Veterinária pela Unifesspa como novidade; Redenção possui Engenharia Ambiental pela Uepa; São Félix do Xingu já tem Biologia Unifesspa; Santana do Araguaia conta com Engenharia Civil pela Unifesspa; Rondon do Pará largou na frente com um curso fixo de Jornalismo também pela Unifesspa — tudo regular e com ingresso anual. Enquanto isso, Parauapebas se vê obrigado a sentar em cima de cursos de contrato com duração de quatro ou cinco anos, sem qualquer compromisso anual com a sociedade. Apenas a Ufra e, mais recentemente, o IFPA atendem o município com meia dúzia de graduações na modalidade regular e “0800”.

A implantação da Uepa, aguardada faz mais de uma década, não passa de mera expectativa, uma vez que não há entendimentos claros e precisos entre a prefeitura e a instituição sobre a chegada da universidade. Nesses mais de dez anos de lenga-lenga e debates elusivos para trazer a estadual, milhares de jovens deixaram Parauapebas, formaram-se noutros lugares e nunca mais retornaram. Some-se a isso o fato de milhões de reais terem entrado em rota de fuga de Parauapebas, por meio do remessas enviadas por pais para custearem as despesas de seus filhos universitários em lugares distantes, inclusive no exterior.

Numa matemática rasteira que considera os cerca de 11.500 parauapebenses que cursam universidade nos dez municípios com maior número, os pais deles enviaram para fora R$ 69 milhões em 2018, ao depositar R$ 500 por mês para as despesas básicas.

É certo que o ano de 2019 começa com mais fuga, tendo em vista que as 266 vagas públicas ofertadas pelas instituições de Parauapebas não dão conta de atender a uma demanda local de cerca de 2.500 estudantes que concluem ensino médio anualmente. Se nada for efetivamente feito para mudar essa realidade, que de maneira censurável se naturalizou e se agrava, 2020 poderá iniciar mais uma década perdida no capítulo da história do município, tão duramente criticado por não ter a famosa “mão de obra qualificada” e vê-la chegar de outros lugar e partir sem deixar raízes.

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