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Clima

Chuvas intensas no sudeste do Pará dão mostra de como será o inverno

Defesa civil de municípios precisa colocar a barba de molho porque os torós que já estão caindo sobre várias cidades prometem exigir muito esforço e atenção para com população que mora em áreas de risco.

Parte dos 39 municípios do sudeste do Pará amanheceu debaixo d’água nesta quarta-feira (7). Áreas de instabilidade associadas ao tempo quente e úmido provocam chuvas moderadas e fortes, além de trovoadas, fazendo a temperatura baixar a 20 graus em várias partes da mesorregião.

Em Rondon do Pará, apenas nesta quarta choveu 49 milímetros, o equivalente a 43% das chuvas esperadas para o mês inteiro, de acordo com o site Clima Tempo. Já em Marabá, em todos os dias deste mês de novembro que acabou de começar choveu em alguma parte do município. Em Parauapebas, choveu forte e bastante no amanhecer de hoje, com volume total de 8 milímetros.

Apenas no primeiro semestre do ano passado, durante o inverno, o Pará tomou R$208,9 milhões em prejuízo por eventos causadores de situação de calamidade, particularmente as chuvas, segundo a Confederação Nacional dos Municípios (CNM). O sudeste do Pará e a região do Baixo Amazonas são as áreas com mais transtornos decorrentes de tormentas climáticas. A agricultura (R$82,89 milhões) e a pecuária (R$14,18 milhões) são os setores econômicos mais prejudicados.

Frota

Municípios do sul do Pará atingem média de um veículo por habitante

Enquanto a densidade em Redenção é de um carro para cada 1,4 morador, em Afuá a média é de um para cada 2.591 pessoas, a pior do Brasil. Frota paraense, de 1,99 milhão de veículos, é liderada pelas motos.

Redenção, Tucumã e Xinguara, municípios movidos por forte tradição agropecuária, têm a menor relação veículo por habitante no Pará. O Departamento Nacional de Trânsito (Dentran) acaba de atualizar a plataforma da frota municipal com referência ao mês de setembro deste ano, e o Blog do Zé Dudu acelerou para analisar o panorama de trânsito nessas localidades.

O crescimento da frota nos municípios em questão associa-se, sobremaneira, a uma característica comum verificada nas regiões Norte e Nordeste nos últimos anos: o avanço da motocicleta. Assim como em praticamente todo o Pará, são as motos os veículos com presença esmagadora na composição da frota desses lugares.

Na dificuldade de acessar áreas rurais, na imensidão extensa dos municípios, que são rodeados por grandes latifúndios, as motocicletas são o meio de transporte mais ágil e eficiente, assim como o mais perigoso por ser o campeão em acidentes. Como seu custo é menor em relação ao de um automóvel, as motos reinam absolutas no estado, com participação cada vez mais crescente no sul do Pará.

Redenção lidera

Com 84 mil habitantes e 60,2 mil veículos em circulação, o município de Redenção, centro regional do sul do Pará, apresenta a menor relação de veículo por habitante do estado. Por lá, há um veículo para cada 1,4 morador. As motocas dominam: são aproximadamente 38,5 mil entre motocicletas e motonetas, o equivalente a 64% dos veículos em circulação.

Os automóveis em Redenção totalizam quase 11,6 mil unidades, enquanto as caminhonetes, utilizadas para enfrentar a vastidão das estradas rurais, somam em torno de 5.400 emplacamentos. Em um ano, o município ganhou três mil novos veículos, segundo o Denatran, e é um dos que possuem a maior proporção entre meios de transporte e habitantes.

O Blog levantou que os investimentos na área de transporte efetuados pela Prefeitura de Redenção, nos oito primeiros meses do ano, perfizeram R$ 5,15 milhões, sendo que a área de infraestrutura para o trânsito consumiu R$ 2,7 milhões.

Tucumã em 2º

O maior congestionamento em Tucumã é de gado: são 330 mil cabeças no pasto. Mesmo assim, nas ruas e demais vias de passagem, por onde circulam os 39 mil habitantes do município sobre 25,2 mil veículos, já se verifica a segunda maior densidade do Pará. A média é de um meio de transporte motorizado para cada 1,55 morador.

Em um ano, Tucumã assistiu ao emplacamento de mais de mil novo veículos, a maioria motocicletas. Em conjunto com as motonetas, as motos totalizam 18,8 mil unidades, enquanto os automóveis só representam 11% da frota total. A participação das motos é tão grande que elas representam 75% do total de veículos atualmente em circulação.

Ao levantar a prestação de contas da Prefeitura de Tucumã, o Blog apurou que, nos oito primeiro meses deste ano, o governo municipal aponta ter gasto R$ 463,7 mil em infraestrutura, conforme seu relatório de execução orçamentária. A maior parte do investimento é na área urbana, onde residem 32 mil pessoas.

Xinguara em 3º

Os 44,4 mil habitantes de Xinguara circulam em 27,8 mil veículos atualmente. A densidade de transporte motorizado por habitante é de um para 1,6, a terceira menor relação do estado. Com forte apelo agropecuário, o município tem hoje 530 mil bois no pasto e é residência de alguns dos maiores pecuaristas da Região Norte. Talvez por isso, pela tradição fazendeira, sua frota de caminhonetes, de quase 2.500 unidades, é a 11ª maior do Pará, superando municípios muito mais ricos e mais populosos. As caminhonetes são as queridinhas dos fazendeiros pela força com que enfrentam as mal cuidadas estradas vicinais do estado, sobretudo no inverno chuvoso.

Ainda assim, as motos dominam em Xinguara. Lá, elas são 68% da frota, enquanto os automóveis, em pouco mais de 4.100 unidades, são apenas 15% do total.

Na prestação de contas do quarto bimestre deste ano, o Blog percebeu que a Prefeitura de Xinguara gastou este ano R$ 35 mil com transporte e outros R$ 714 mil com infraestrutura urbana, para ajudar na fluidez do tráfego.

Outros municípios

Entre os dez municípios com a menor relação entre homens e veículos, há ainda Novo Progresso (um veículo para 1,81 habitante), Altamira (um para 1,84), Canaã dos Carajás (um para 1,97), Parauapebas (um para 2,25), Rio Maria (um para 2,32), Marabá (um para 2,43) e Itaituba (um para 2,45). No outro extremo, o Pará tem dois dos três municípios brasileiros com a maior distância quantitativa entre veículo por habitante.

Em Afuá, os quase 39 mil habitantes têm apenas 15 veículos emplacados, o que confere a média de um veículo para cada 2.591 habitantes. Já em Chaves são 22 veículos para 23,5 mil pessoas, média de um para 1.067 habitantes.

Em números absolutos, a frota é dominada por Belém (447,6 mil unidades), Ananindeua (136 mil), Marabá (113 mil), Santarém (100,7 mil), Parauapebas (90,1 mil), Castanhal (75,5 mil), Altamira (61,5 mil), Redenção (60,2 mil), Itaituba (41,2 mil) e Paragominas (40,9 mil). Todos esses municípios são, também, os únicos com frota de automóvel superior a 10 mil unidades.

No Pará, apenas Belém tem mais da metade de sua frota composta por carros. O estado tem, segundo o Denatran, 1,99 milhão de veículos em circulação, um para cada 4,28 paraenses.

Meio Ambiente

Desmatamento na Amazônia cresce e Pará está entre os campeões

Estado já perdeu área de floresta equivalente a Reino Unido e Israel somados. Dos dez municípios mais desmatados da história, oito são paraenses. São Félix do Xingu, “rei” do gado, é também a majestade do desmatamento nacional.

Em setembro, 86 quilômetros de floresta nativa foram derrubados no Pará. É o equivalente a detonar duas cidades e meia do tamanho de Parauapebas só de mata virgem. O desmatamento cresceu 110% no estado em relação a setembro do ano passado, revela o Instituto do Homem e do Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) em seu boletim mais recente do Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD).

O Pará representou 19% dos 444 quilômetros quadrados de desmatamento na Amazônia Legal, que foi liderado por Amazonas (24%), Mato Grosso (23%) e Rondônia (20%). Em setembro de 2017, o estado havia colocado no chão 41 quilômetros quadrados de floresta, praticamente uma cidade do tamanho de Marabá.

De acordo com o Imazon, dos dez municípios que mais desmataram em setembro, dois são paraenses: São Félix do Xingu, que perdeu de uma vez 15 quilômetros quadrados, e Trairão, que viu desaparecer 12 quilômetros quadrados de mata nativa.

Vale ressaltar que um simples quilômetro quadrado de floresta amazônica pode conter, segundo especialistas, mais de mil tipos de árvores e milhares de espécies de outras plantas superiores.

Sudeste do Pará tem os mais desmatados do Brasil

O Instituto Nacional de Pesquisa Espaciais (Inpe) também calcula a extensão do desmatamento na Amazônia, embora com metodologia diferente. Ainda assim, tem em comum com o Imazon a constatação de que a área desmatada na região é gigantesca e põe em risco a sobrevivência do bioma Amazônia, bem como dos seres humanos.

Dados consolidados do instituto apontam que o Pará perdeu, até o ano passado, 265 mil quilômetros de floresta ao longo da história. Isso implica dizer que, apenas dentro do Pará, foi dizimada uma área de vegetação amazônica do tamanho do Reino Unido e Israel juntos. Ainda estão de pé no estado 868 quilômetros quadrados de floresta, o equivalente a três estados do tamanho de São Paulo. O Inpe contabiliza que 23,4% das florestas originais já sucumbiram ao desmatamento.

Dos dez municípios mais desmatados na história da Amazônia, oito são paraenses. O ranking é liderado por São Félix do Xingu, que já teve 18,5 mil quilômetros quadrados desflorestados até 2017. São Félix é, nada mais nada menos, o município brasileiro com o maior rebanho de gado bovino. São 2,24 milhões de cabeças — 18 bois por habitante — pastando pelos 84,2 mil quilômetros quadrados de extensão territorial, o que o tornou a maior fronteira pecuária do país, à custa de uma área de floresta derrubada quase do tamanho do estado de Sergipe.

Em segundo lugar está Porto Velho (RO), que perdeu 9,8 mil quilômetros quadrados para a expansão urbana e para a implantação de grandes projetos, como uma hidrelétrica. Em terceiro lugar está Paragominas, que perdeu 8,8 mil quilômetros quadrados de mata nativa e que nos anos de 1980 e 1990 chegou a ser o município que mais devastava a natureza no mundo.

Altamira (8,73 mil), Marabá (8,68 mil), Juara-MT (8,03 mil), Novo Repartimento (7,95 mil), Cumaru do Norte (7,34 mil), Santana do Araguaia (7,24 mil) e Novo Progresso (6,09 mil) completam o escalão dos que mais devastam a natureza na Amazônia.

O município de Parauapebas é o 195º em desmatamento entre os mais de 700 da Amazônia. Dele já sumiram 1.324 quilômetros quadrados de floresta nativa, que cedeu lugar a fazendas e pastagens. Nesse extensão de florestas derrubadas caberiam 53 cidades do tamanho de sua sede urbana. Hoje, o município só não sofre mais com a pressão do desmatamento porque possui áreas rigorosamente preservadas por lei.

Feriado

Em Dia do Comerciário, sudeste do Pará tem 50 mil trabalhadores no ramo

Um de cada cinco trabalhadores paraenses tem vínculo formal no comércio. São, ao todo, 204 mil pessoas com carteira assinada no setor

Um de cada cinco trabalhadores paraenses tem vínculo formal no comércio. São, ao todo, 204 mil pessoas com carteira assinada no setor, 50 mil das quais na Mesorregião Sudeste do Pará. As informações foram levantadas pelo Blog do Zé Dudu na página da Relação Anual de Informações Sociais (Rais), do Ministério do Trabalho (MTb), para ilustrar a dimensão e a importância dos comerciários neste 30 de outubro, quando se comemora o Dia do Comerciário, profissional de grande relevância para o desempenho de um setor da economia de grandeza equivalente.

Os números do MTb podem apresentar divergência em relação ao cômputo de sindicatos que representam a categoria por causa das formas de agrupamento na Classificação Brasileira de Ocupações (CBO), mas apenas os dados do Ministério são válidos para efeito de políticas trabalhistas.

No Pará, o comércio é o terceiro setor da economia que mais emprega, atrás da administração pública (364 mil vínculos formais) e dos serviços (284 mil vínculos). São 122 mil homens e 82 mil mulheres que atuam como comerciários, em 51 mil estabelecimentos empregatícios.

Apesar do contingente expressivo de trabalhadores, o comerciário paraense ganha a menor média salarial entre os oito setores empregatícios da economia. A remuneração é de R$ 1.704,48, o que implica massa salarial anual de R$ 4,51 bilhões.

Marabá e Parauapebas lideram

O sudeste do Pará só fica atrás da Grande Belém (107 mil empregos preenchidos) em número de oportunidades formalmente criadas. Entre as microrregiões que mais empregam, duas são do sudeste paraense: Marabá, com 13.595 comerciários, e Parauapebas, com 10.358.

Em termos de município, Marabá ocupa a terceira posição entre os 144 do Pará, com 13.111 comerciários. Só Belém (66.602) e Ananindeua (18.407) superam.

Marabá se consolidou como a maior praça comercial e de consumo do interior do Pará há mais de uma década. A medição do potencial de consumo, que é feito por consultorias especializadas, mostra que a população do município detém R$ 1,6 bilhão para gastar ao longo deste ano.

Parauapebas aparece em sexto lugar, com 8.307 comerciários, sendo 4.587 homens e 3.720 mulheres. No município, aliás, o quarto cargo que mais emprega é da área do comércio: vendedor de loja, com 557 homens e 871 mulheres empregados. O comércio parauapebense rende R$ 217,66 milhões por ano em massa salarial.

Apesar dos números expressivos, o mercado de trabalho este ano, para o período entre janeiro e setembro, tem apresentado baixa na microrregião de Parauapebas, da qual também fazem parte os municípios de Canaã dos Carajás, Curionópolis, Eldorado do Carajás e Água Azul do Norte. Segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do MTb, o saldo está negativo em 74 postos de trabalho este ano, sendo 48 deles em Parauapebas.

Os números negativos podem ser revertidos, segundo o Ministério do Trabalho, com as contratações temporárias de comerciários para as vendas de fim de ano.

REDUTOS DE COMERCIÁRIOS

Belém 66.602
Ananindeua 18.407
Marabá 13.111
Santarém 11.424
Castanhal 10.024
Parauapebas 8.307
Redenção 4.516
Altamira 4.477
Marituba 4.184
Paragominas 3.968
Capanema 3.169
Itaituba 2.996
Tucuruí 2.794
Benevides 2.768
Abaetetuba 2.490
Barcarena 2.375
Bragança 1.889
Xinguara 1.876
Santa Izabel do Pará 1.506
Canaã dos Carajás 1.367

Fonte: MTb, 2018.

Pará

Sul e sudeste do Pará têm 21 propriedades na “lista suja” do trabalho escravo

Vergonhoso estudo mantido pelo Ministério do Trabalho revela que 146 trabalhadores foram libertados nesta região em condições análogas à escravidão

A mais nova “lista suja” do trabalho escravo no Brasil traz nada menos que 209 empresas e pessoas físicas, sendo que 21 estão localizadas em municípios do sul e sudeste do Pará. Marabá, com 2, e Parauapebas, com uma propriedade rural, entraram no famigerado cadastro, atualizado no dia 8 deste mês de outubro. Nessas 21 propriedades, a equipe de fiscalização libertou 146 pessoas que eram submetidas a condições análogas à de escravo.

A “lista suja” é uma base de dados mantida pelo Ministério do Trabalho e pelo Ministério dos Direitos Humanos, criada em novembro de 2003. A lista expõe casos em que houve foram resgatadas pessoas em condições consideradas análogas à escravidão. As empresas na lista suja deste ano foram fiscalizadas entre 2005 e 2018.

O chefe da Divisão de Fiscalização para Erradicação do Trabalho Escravo, Maurício Krespsky Fagundes, destaca que antes de entrar na lista suja os empregadores têm direito de se defenderem em duas instâncias administrativas no Ministério do Trabalho. “É oferecido amplo direito de contraditório e defesa do empregador”, destaca Fagundes.

Os empregadores envolvidos permanecem por dois anos na relação. Caso façam um acordo com o governo, o nome fica em uma “lista de observação” e pode sair depois de um ano, se os compromissos forem cumpridos.

Quatro elementos definem a escravidão contemporânea no Brasil hoje. O trabalho forçado, que cerceia o direito de ir e vir, é apenas um deles. Há ainda a condição degradante, a jornada exaustiva e a servidão por dívida, quando a pessoa precisa continuar trabalhando para pagar dívidas com o patrão.

O cadastro tem sido utilizado para análise de risco por investidores e bancos públicos e privados. Além disso, há empresas brasileiras e internacionais que evitam fechar negócios com esses empregadores.

Abaixo, acompanhe os nomes e localização das 21 propriedades do sul e sudeste do Pará flagradas com trabalhadores em condições análogas à escravidão:

1)    Fazenda Campos Altos/Garimpo Casarão – Rod. PA 279, km 80, zona rural, Água Azul do Norte/PA =- 13 trabalhadores

2)    Fazenda Vale Grande – Vicinal do Sapo, km 43, São Félix do Xingu/PA  – 4

3)    Fazenda Três Irmãos – Rod. PA 150, km 65, zona rural, Conceição do Araguaia/PA – 2

4)    Fazenda Leandra – vicinal Lontrão, km 26, Gleba Empenho, Pacajá/PA – 2

5)    Carvoaria do Carlinhos – Rod. PA 150, Estrada Santo Antônio, km 21, Goianésia do Pará/PA – 11

6)    Garimpo da Fazenda Santa Lúcia, Distrito de Casa de Tábua, Santa Maria das Barreiras/PA – 12

7)    Fazenda Água Limpa – zona rural, Santa Maria das Barreiras/PA – 4

8)    Chácara Saudades de Minas e Fazenda Abaram – Vila São Sebastião, zona rural, Itupiranga/PA – 1

9)    Fazenda Estrela D’Alva, rodovia PA 150, km 60, zona rural, Jacundá/PA – 3

10)  Fazenda Vitória, vicinal 45, povoado Quatro Bocas, zona rural, Novo Repartimento/PA – 10

11)  Fazenda Cássios e Marias, vicinal do Jeremias, Km 66, Projeto de Assentamento Rainha da Paz, gleba Catitú, lotes 35, 36 e 39, zona rural, Rondon do Pará/PA – 14

12)  Fazenda Maria de Jesus – Estrada do Rio Preto, km 220, Estrada da Vicinal de Valência, zona rural, Marabá/PA – 6 – empregador Manoel Alves de Sousa

13)  Fazenda Boa Vista – Rod. PA 153, km 22, zona rural, São Domingos do Araguaia/PA – 11

14)  Fazenda Abaram, vicinal São Sebastião, zona rural, Itupiranga/PA – 9

15)  Fazendas União, Arataú, Silvestre e Castanheira – Vicinal 220 Sul, Vila União, Vicinal Capivara, 10 km, Novo Repartimento/PA – 7

16)  Fazenda Mula Perdida – Estrada do Riozinho II, 40 km do Distrito de Pista Branca, zona rural, Bannach/PA – 4

17)  Fazenda JK – Região da Vila Canopus, Vicinal Jabá, km 25, zona rural, São Félix do Xingu/PA – 4

18)  Fazenda Catuxo, Colônia Paulo Fonteles, Estrada Santa Cruz, Km 41, zona rural, Parauapebas/PA – 6

19)  Fazenda Triunfo, estrada do Rio Preto, Km 02, próximo da Vila Três Poderes, zona rural, Marabá/PA – 3

20)  Fazenda Serra Dourada – Estrada da Cutia, vicinal da estrada Primavera, a 22 km da Vila Central, zona rural, São Félix do Xingu/PA – 11

21)  Fazenda Maria Eduarda (Serra Dourada) – Vila Central, Vicinal Cotia, 20 km, São Félix do Xingu/PA – 11

Por Ulisses Pompeu – de Marabá

Pará

Sudeste: Gestão integrada marca os 100 dias do Centro Regional de Governo

Com o governo mais próximo das prefeituras é possível atender com mais celeridade as demandas dos municípios

O Centro Regional de Governo do Sudeste do Pará completou 100 dias de trabalho no início deste mês. A data foi marcada por uma agenda especial da Secretaria Extraordinária dos Municípios Sustentáveis (Semsu) em 10 municípios da região. Durante as visitas, entre os dias 9 e 12, o secretário regional, Jorge Bittencourt, e coordenadores do Centro, participaram de reuniões de integração, acompanharam obras em andamento e inaugurações, como a da Unidade Pro Paz Integrada (UIPP), e a entrega de uma viatura para a Polícia Civil, em Brejo Grande do
Araguaia.

Na agenda foram assinados convênios também em São Domingos do Araguaia, Curionópolis, Canaã dos Carajás, Rio Maria, Pau D’Arco e Xinguara, que totalizam mais de 25 milhões de reais em investimentos do Governo do Pará nas áreas de saúde, educação e infraestrutura. O Centro Regional de Governo do Sudeste do Pará, instalado em Marabá, tem fortalecido a aproximação com os 39 municípios da mesorregião sudeste, composta pelas cidades das regiões de integração de Carajás, Araguaia, Lago de Tucuruí e mais cinco municípios do Rio Capim.

Reuniões com as prefeituras, câmaras municipais, regionais das secretarias de governo e sociedade civil, bem como visitas e  acompanhamento das obras governamentais estão entre as ações realizadas pela equipe do centro no intuito de ampliar essa integração. Seguindo orientações do governador Simão Jatene, o secretário Jorge Bittencourt destaca que, desde a sua instalação, o Centro Regional têm conseguido cumprir seu papel dialogando com todos os setores na região.

“Conseguimos cumprir essa primeira etapa de apresentação do Centro para a sociedade do sul e sudeste do Estado, fortalecendo a integração das políticas públicas que já tinham sido iniciadas, através do Programa da Secretaria Extraordinária dos Municípios Sustentáveis. O Centro Regional vem trabalhando junto com a representação de cada secretaria num processo de integração contínua, apoiando os prefeitos, equipes técnicas, câmaras municipais, o setor produtivo e a sociedade civil. Tudo isso agora com uma culminância de visitas nos municípios”, declarou o secretário.

O prefeito de São Domingos do Araguaia, Pedro Paraná, que também é presidente da Associação dos Municípios do Araguaia, Tocantins e Carajás (Amat Carajás), uma grande parceira do Centro Regional de Governo, elogiou a iniciativa de descentralização. “Os municípios dessa região tinham uma necessidade muito grande em ter a gestão estadual mais perto. Hoje, com a presença do nosso Centro Regional de Governo, o Estado criou um elo muito grande com todos os prefeitos da região, isso para nós foi essencial”, afirmou.

Nesses 100 primeiros dias de trabalho, o secretário Jorge Bittencourt já visitou grande parte dos 39 municípios, sempre dialogando com gestores e sociedade civil na busca por aprimoramento das políticas públicas. O prefeito de Pau D’Arco, Fredson Pereira, frisou o empenho do Centro Regional de Governo do Sudeste. “O secretário Jorge Bittencourt sempre liga, já fez reunião no município, na região. Esse centro veio para colaborar com a municipalidade, com as prefeituras tanto no equilíbrio das contas, quanto na celeridade dos pleitos que as prefeituras têm em relação ao Estado”, pontuou.

Conquistas
São várias as conquistas do Centro Regional de Governo em todas as áreas. Foram garantidos, por exemplo, investimentos para 17 prefeituras, que decretaram situação de emergência no sul e sudeste do Estado, no valor R$ de 400 mil para cada município, recursos usados para a trafegabilidade de vicinais.

Além disso, foram captados recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), na soma de 35 milhões de reais, para pleitos de novos projetos do Fundo para o Desenvolvimento Regional com Recursos da Desestatização (FRDII), para os 14 municípios que recebem influência da Empresa Vale. Recursos garantidos graças ao empenho do Centro Regional de Governo e Secretaria de Estado de Obras (Sedop).

Segundo o prefeito de Curionópolis, Adonei Aguiar, os recursos serão investidos em asfaltamento e drenagem. “Nosso município está necessitando desse tipo de obra estrutural e, com certeza, esse recurso do FRD junto ao Governo do Estado será bem vindo”, esclareceu.

Na área da saúde e segurança, o Centro Regional de Governo viabilizou junto ao governador Simão Jatene, a liberação de verba no valor de R$ 4,2 milhões para a implantação do serviço de hemodiálise do Hospital Regional de Marabá. Também estão sendo viabilizadas as instalações, em Marabá, do Pro Paz Integrado; do Comando de Missões Especiais em Marabá; da Companhia Independente de Missões Especiais e a implantação da Primeira Escola Militar, previsto para iniciar as atividades no próximo semestre. Além de já ter sido implantado na região a Patrulha Rural da Polícia Militar na região, um anseio dos produtores rurais.

A nova missão do Centro Regional de Governo é ampliar ainda mais a integração com a efetivação da Governança Pública Compartilhada e a Lei Estadual de Socioeconomia, a partir da execução dos fóruns municipais e a criação do Conselho de Desenvolvimento Regional, que está sendo feito por meio de uma cooperação técnica entre Governo do Estado e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud). A parceria está inserida no Programa Pará Sustentável, desenvolvido pela Secretaria Extraordinária dos Municípios Sustentáveis (Semsu).

“Quando se fala de governança compartilhada, fala-se em controle social, através dos fóruns municipais, e da população propondo e participando dos encaminhamentos de políticas públicas. Os centros regionais têm esse papel de fortalecer a integração com os municípios e com a sociedade civil ampliando o debate para se aprimorar cada vez mais as políticas públicas do nosso estado, para que os encaminhamentos sigam da região para a capital, uma orientação do governador que a gente vem procurando cumprir desde o primeiro dia. Fico feliz que estejamos fazendo um trabalho coletivo, não só com a equipe do centro de governo, mas com os 39 municípios, prefeitos, vereadores, setor produtivo e a sociedade civil”, destacou o secretário Jorge Bittencourt.

Agenda

Para cumprir agenda com os municípios, nesta semana o secretário Regional e coordenadores voltam a Eldorado do Carajás e visitam Parauapebas. O Centro Regional de Governo do Sudeste fica localizado dentro do Carajás Centro de Convenções Leonildo Borges Rocha, em Marabá, na rodovia BR-222, Folha 30, Quadra e Lote Especial, bairro Nova Marabá, de segunda a sexta-feira de 8h às 12 e de 13h às 17h. Contato 94 98403-5108 | gabcentroregionalsudeste@gmail.com (chefia de gabinete).

Por Kelia Santos – Agência Pará

Pará

Com a presença de Jatene, governo firma convênios para obras e serviços no sul e sudeste do Pará

Serão formalizados convênios com as prefeituras de Itupiranga, Pau D’Arco, São Félix do Xingu, Santa Maria das Barreiras, Eldorado do Carajás, Água Azul do Norte, Rio Maria, Bannach e Xinguara.

Assinatura de convênios, inaugurações e entregas de veículos integram a agenda de trabalho do governador Simão Jatene nesta sexta-feira (6), nos municípios de Rio Maria e Marabá, no sudeste paraense. A programação iniciou às 9h, no Parque de Exposições Valeu Boi, em Rio Maria, onde o governador atenderá demandas de nove municípios atingidos pelas enchentes.

Nesta primeira etapa serão formalizados convênios com as prefeituras de Itupiranga, Pau D’Arco, São Félix do Xingu, Santa Maria das Barreiras, Eldorado do Carajás, Água Azul do Norte, Rio Maria, Bannach e Xinguara.

Individualmente, com a Prefeitura de Pau D’Arco, o governador também assinará um convênio para reforma e ampliação do Hospital Municipal, um investimento de R$ 1,3 milhão. A Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa) já investiu R$ 312 mil na compra dos equipamentos para o hospital.

Marabá

À tarde, Simão Jatene desembarca em Marabá para iniciar a operação da primeira etapa da Estação de Tratamento de Esgoto de Marabá (ETE), na Rua das Cacimbas, no Bairro Amapá. A ETE de Marabá custou mais de R$ 117 milhões, incluindo recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), por meio de empréstimo do FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço), no valor de R$ 78,20 milhões, e mais R$ 38,97 milhões do Tesouro do Estado. O projeto foi gerenciado pela Companhia de Saneamento do Pará (Cosanpa).

A Estação tem capacidade para atender 86 mil habitantes, com uma estrutura de 368,75 m² de área construída. Na primeira etapa, foram instalados 35,85 quilômetros de rede coletora, com previsão de 1.958 ligações intradomiciliares de esgoto, que devem atender 8.662 habitantes.

A obra já está pronta e a fase, agora, é de implantação das ligações intradomiciliares. Alguns bairros beneficiados são Amapá, Novo Horizonte e todo o núcleo da Nova Marabá, o que representa a maior cobertura de esgoto em todo o Estado. “É uma obra moderna, que traz no seu bojo toda uma concepção sustentável”, informou Cláudio Conde, presidente da Cosanpa.

Agentes sociais da Cosanpa estão visitando as residências para fazer a adesão do consumidor de água ao serviço de coleta de esgoto. Após esse procedimento, profissionais de uma empresa contratada pela Companhia farão as ligações. “As primeiras 1.958 instalações de esgoto sanitário dentro das residências, chamadas intradomiciliares, serão gratuitas para os clientes”, destacou Fernando Martins, diretor de Expansão e Tecnologia da Cosanpa.

Educação

Após a visita às instalações da ETE, o governador seguirá ao campus da Universidade do Estado do Pará (Uepa) para inauguração do Bloco de Saúde. As novas instalações compreendem piscina, laboratórios e miniauditório, além de salas de aula e administrativas. O investimento é superior a R$ 15 milhões, incluindo a aquisição de equipamentos. O bloco de três pavimentos foi construído em um terreno de 1.600 m² e possui 12 salas de aulas gerais e mais seis para tutoria e videoconferência.

Com o novo bloco, o espaço físico foi duplicado, beneficiando 776 alunos, de 37 turmas dos cursos de graduação em Biomedicina, Engenharia Ambiental, Engenharia de Produção, Engenharia Florestal, Licenciaturas em Ciências Naturais – Biologia, Física e Química, Letras Libras, Licenciatura Intercultural Indígena, Medicina e Tecnologia de Alimentos, além dos 33 alunos da pós-graduação em Especialização em Educação Escolar Indígena.

Há ainda espaço para Assessoria Pedagógica, Comitê de Ética em Pesquisa e Centro de Registro e Controle Acadêmico, além de novos ambientes para as coordenações dos cursos, professores, sala de reuniões e informática.

As novas instalações incluem também laboratórios de Habilidades Médicas; Bioquímica, Toxicologia e Mutagênese; Neurofarmacologia e Biofísica; Genética, Biologia Molecular e Bioinformática; Bacteriologia e Neuropatologia; Morfofuncional; Medidas Antropomédicas, Pediatria e Puericultura; Biologia Celular, Citogenética e Citogenômica; Fisiologia do Exercício e Teste Cardiopulmonar; Simulação e Anatomia, que darão suporte aos acadêmicos da área da saúde.

A obra foi acompanhada por uma comissão formada por alunos, técnicos e professores, para atender as demandas da comunidade acadêmica. “É um avanço para o campus. O espaço físico dobrou. O bloco atende à demanda de todos os cursos, por isso servidores, professores e alunos estão felizes e colaborando com a organização dos ambientes, para atender não apenas o público interno, como a comunidade externa. Abrem-se oportunidades de elaborarmos projetos de pesquisa e extensão para melhor servir à sociedade”, ressaltou Danielle Monteiro, coordenadora do campus de Marabá. Ainda está em andamento o concurso público para admissão de 42 professores.

Convênios

A agenda de Marabá contempla ainda a assinatura de uma série de convênios na área da saúde. Para tanto, a programação terá continuidade a partir das 15h30, no Centro Regional de Governo do Sudeste do Pará, onde o governador formalizará convênios, por meio da Sespa, com as prefeituras de São Geraldo do Araguaia e Palestina do Pará, objetivando a reforma e ampliação dos hospitais municipais dos dois municípios, e com a Prefeitura de Marabá para aquisição de equipamentos destinados à unidade de saúde local.

Para o município de Xinguara, por meio da Secretaria de Estado de Transportes (Setran), serão atendidas demandas em convênio emergencial, para realização de ações imediatas que devolverão a trafegabilidade às vicinais prejudicadas pelas fortes chuvas. A intervenção foi viabilizada pela parceria entre Setran, Centro Regional de Governo do Sudeste do Pará e Defesa Civil.

Além disso, Marabá e municípios da região receberão 65 veículos do Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado de Segurança Pública e Defesa Social (Segup), que serão usados pelas tropas das unidades militares. Marabá receberá, ainda, 13 caminhões coletores de resíduos sólidos, repassados pela Secretaria de Estado de Desenvolvimento e Obras Públicas (Sedop), em dezembro de 2017, totalizando um investimento de R$ 4,19 milhões. São dois conjuntos de caminhões poliguindastes, nove conjuntos de caminhões de 23 toneladas, tração 6×4, com coletor e compactador de resíduo sólido, e dois conjuntos de caminhões de 13 toneladas (tanque limpa fossa).

Crédito

A agenda de trabalho será encerrada pelo governador com a entrega de linha de crédito do Programa CredCidadão, por meio da Secretaria de Estado de Assistência Social, Trabalho, Emprego e Renda (Seaster). Ele assinará ainda um Termo de Cooperação Técnica com a Prefeitura para realização das atividades específicas de Supervisão Militar na Escola Municipal de Ensino Fundamental Rio Tocantins.

Na área da saúde, recentemente o governo do Estado fez um termo aditivo para aquisição de equipamentos de hemodiálise para o Hospital Regional do Sudeste do Pará Dr. Geraldo Veloso (HRSP), que passou a atender pacientes renais crônicos. A nova estrutura de hemodiálise tem capacidade para até 120 pacientes ao mês, em três turnos, fazendo em média 1.450 sessões de hemodiálise.

Por Fabíola Batista

Pará

Maior produtor de cacau, Pará avança na produção de chocolate

A área de plantio do Estado, que hoje chega a 170 mil hectares, também vem crescendo
A troca de ovos da Páscoa se repetiu neste domingo ao redor do mundo. A milenar arte criada para simbolizar a fertilidade e o renascimento da vida foi ganhando contornos diversos ao longo do tempo, até virar objeto de desejo graças ao sabor sedutor do chocolate. Nesse momento de celebração, uma curiosidade pode passar despercebida da maioria: sai do Pará grande parte do cacau que abastece a indústria responsável por fazer dessa data uma das mais importantes para a economia. Maior produtor do Brasil, o Estado agora avança para o próximo passo da cadeira, a verticalização.
O Pará produziu, em 2016, 117 mil toneladas de cacau, superando a produção da Bahia, até então o maior produtor nacional. Espécie nativa da Amazônia, o fruto hoje é encontrado em diversas regiões do estado, entre elas o sudeste paraense, onde municípios como Tucumã e São Félix do Xingu se mostram como terrenos férteis para o afloramento da produção, pelas condições naturais e a organização das cooperativas de agricultores. É no sudoeste, entretanto, que fica o pólo de produção não apenas do Brasil, mas do mundo. A região sob influência da Rodovia BR-230, conhecida como Transamazônica, é o grande expoente em produtividade e área plantada, com destaque para Medicilândia, distante cerca de 900 quilômetros de Belém.
A implantação de programas específicos, com aumento significativo nos investimentos, foi determinante para que o Estado tomasse a dianteira no ranking da produção nacional. O Fundo de Apoio à Cacauicultura do Pará (Funcacau) foi o maior deles. Depois de completar dez anos, no fim do ano passado, o Funcacau foi renovado por igual período, graças aos avanços que possibilitou. Hoje o Estado tem a maior produtividade do mundo, com 911 quilos por hectare, enquanto a média nacional é de 500 quilos por hectare e a da Bahia, segundo maior produtor, a metade disso.

Aliado ao programa de incentivos do Estado está o trabalho da Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac), maior detentora do conhecimento técnico-científico sobre o cacau no País. Pesquisas já identificaram, por exemplo, 22 mil espécies diferentes do fruto, o que faz do banco de germoplasma da Ceplac o maior do planeta. Para turbinar a produção, somente no ano passado, a partir de convênio com o Estado, foram distribuídas aos produtores paraenses 14 milhões de sementes desenvolvidas a partir dessa tecnologia. A tudo isso, soma-se a assistência no campo, essencial para levar o saber ao homem, que lá atua.

Expansão

No ano passado, o Funcacau viabilizou a execução de seis projetos, que permitiram a capacitação de técnicos e produtores, especialmente nas áreas de defesa sanitária e gestão de negócios, em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar). Uma das ações prioritárias foi a produção de propágulos, que são materiais de propagação da cultura, como sementes e clones resistentes às doenças, projeto executado há dez anos pela Ceplac testado, primeiramente, em Marituba, Tomé-Açu e Medicilândia.

A área de plantio do Estado, que hoje chega a 170 mil hectares, também vem crescendo. Por ano, o Pará planta pelo menos sete mil hectares novos. Considerando que, do total plantado, cerca de 37 mil hectares não chegaram a produzir – já que o cacaueiro leva, em média, cinco anos para começar a germinar os primeiros frutos –, a produção tende a crescer ainda mais. “A produção cresceu em função de uma política de incentivos forte e consolidada aliada a fatores ambientais. Não temos problemas com pragas, como a vassoura de bruxa, e aqui a espécie germina naturalmente, graças à fertilidade do solo e ao clima favorável”, avalia o secretário adjunto da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca (Sedap), Afif Jawabri.

O Pará também vem investindo, ao longo dos anos, no trabalho de assistência ao agricultor, já que a produção paraense hoje, em grande parte, ainda é familiar. Recentemente, por meio do Funcacau, foi aprovado um projeto que visa ampliar a ação da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater) sobre a cultura cacaueira. Para isso, serão investidos cerca de R$ 4,5 milhões. Foi aprovada ainda a criação do Laboratório de Análise Sensorial, para quantificar as diferenças nas características de cor, aroma e paladar de sucos, vinhos e frutas, na perspectiva de um painel de degustadores treinados. O espaço será operacionalizado pelo Parque de Ciência e Tecnologia do Guamá (PCT Guamá).

Industrialização

Nem só de matéria-prima, porém, o Pará quer viver. Alcançado o topo no ranking da produção, o desafio agora é investir no beneficiamento do cacau, para que, em breve, o coelhinho da Páscoa distribua ovos produzidos por empresas locais. Uma das metas é instalar unidades fabris que trabalhem a técnica bean to bar (da amêndoa ao chocolate).

Em março deste ano, secretários de Estado, entre eles, o titular da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Mineração e Energia (Sedeme), Adnan Demachki, reuniram-se com representantes da indústria suíça Barry Callebaut, a maior fabricante de chocolates do mundo. A empresa multinacional, que já atua no município de Altamira adquirindo amêndoas e gerando 50 empregos, deve instalar uma unidade para transformar a amêndoa de cacau paraense em licor, que é o chocolate puro em forma líquida. Será a primeira a atuar neste segmento na região.

Ao mesmo tempo, indústria de processamento de derivados de cacau Ocra Cacau da Amazônia Ltda., instalada em uma área de 18 mil metros quadrados, com meta de produção plena até junho de 2019, na Estrada do Tapanã, em Belém, já iniciou a produção de nibs de cacau (grãos tostados e quebrados). A empresa se prepara ainda para a montagem da segunda e terceira etapas necessárias à fabricação de massa, manteiga e torta de cacau, fomentando um novo e promissor nicho de negócios, vital à industrialização do chocolate na Região Metropolitana de Belém (RMB).

“Já somos o maior produtor de cacau do Brasil, mas não podemos errar como erramos no passado, só exportando nossas matérias-primas. Temos de agregar valor à produção. Entre o cacau e o chocolate, que é o produto final da cadeia, temos uma indústria intermediária, que é esta, a processadora de nibs, massa e manteiga de cacau, insumos essenciais à fabricação do chocolate. Ela agora está aqui, começa a produzir e já gera empregos diretos e indiretos”, afirma Adnan Demachki, referindo-se também a setores como transporte e embalagens, incluídos nessa cadeia de negócios.

Sensorial

Outra indústria que já beneficia o cacau no Pará é a Chocolate De Mendes, localizada na colônia Chicano, em Santa Bárbara do Pará, na RMB. O chef de cozinha e chocolatier que dá nome à empresa é o responsável por desenvolver produtos criados a partir de cacau nativo ou selvagem, cultivado por comunidades tradicionais amazônicas, como quilombolas, indígenas e ribeirinhos. Produtos de alto valor agregado, os ovos são feitos sob encomenda e hoje vão para diversas partes do País. O quilo do produto chega a ser vendido por R$ 240.

“O cacau da Amazônia é plantado por Deus. Tenho esse trabalho junto às comunidades tradicionais porque busco a experiência sensorial. Estou sempre atrás de um cacau fino, de excelência, que é altamente valorizado nos mercados nacional e internacional. Pago a esses produtores um valor quatro vezes maior do praticado no mercado, para valorizá-los”, diz De Mendes, que trabalha sob encomenda. Para a Páscoa deste ano, ele enviou uma remessa de 100 ovos e brindes de chocolate para São Paulo. Além do chocolate nativo, que ele processa na indústria em Santa Bárbara, os ovos vão em embalagens de cerâmica produzidas pelo oleiro Carlos Pantoja, professor do Liceu de Arte de Icoaraci. É a receita ideal, com cara e sabor do Pará, diante dos ovos recheados de brinquedos que hoje dominam o mercado. (Portal Amazônia)