Pará

Açaí eleva Igarapé-Miri ao posto de rei da produção agrícola no Pará

No sudeste do estado, situação é crítica: dos 39 municípios da região, 27 tiveram retração na movimentação do mundo agro. Tucuruí, Repartimento e Parauapebas estão em situação mais preocupante, por terem perdido receitas que vão de R$ 50 milhões a mais de R$ 100 milhões.

O delicioso e cobiçado açaí paraense colocou o município de Igarapé-Miri na dianteira da produção de commodities agrícolas do Pará, destronando forças poderosíssimas do mundo agro, como Paragominas (líder em soja), Floresta do Araguaia (rei do abacaxi) e Tomé-Açu (mestre da pimenta). É o que acaba de revelar o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), por meio de sua Pesquisa Agrícola Municipal (PAM) divulgada na manhã desta quinta-feira (5) e a cujos resultados completos o Blog do Zé Dudu já teve acesso.

Com quase 63 mil habitantes, Igarapé-Mirim movimentou no ano passado R$ 890,66 milhões em produtos agrícolas, sendo que R$ 880 milhões desse total foram oriundos exclusivamente do açaí. Ninguém no mundo movimenta tanta delícia roxa assim. O atual rei do açaí tirou a coroa do também paraense Portel, que tanto era o maior produtor de açaí quanto era o município do Pará que mais produzia commodities do campo.

De acordo com o IBGE, Igarapé-Miri é a 38ª maior praça financeira do Brasil em termos de geração de valor pelos produtos da terra, espremido entre potências da soja, do milho e do algodão dos estados da Bahia, Mato Grosso, Goiás e Mato Grosso do Sul. A área ocupada pelo açaí no município paraense é de 47.800 hectares. Tecnicamente, a produção financeira de açaí por hectare é muito mais rentável que a de soja ou milho, por exemplo.

Municípios em queda violenta

Não fosse pelo desempenho do abacaxi de Floresta do Araguaia, maior produtor nacional e imbatível da commodity, o sudeste do Pará teria apresentado recuo violento nas estatísticas de produção agrícola. Acontece que, dos 39 municípios que compõem a região, 27 apresentaram redução na produtividade em 2018 ante o ano anterior, conforme levantou com exclusividade Blog do Zé Dudu. A mesorregião passou de R$ 3,067 bilhões em commodities em 2017 para R$ 3,162 bilhões em 2018.

Hoje, a produção agrícola de Floresta é a segunda maior do sudeste do Pará. Os embarques de abacaxi contribuíram para dinamizar a economia da cesta agro local, que avançou mais de R$ 300 milhões, saltando de R$ 174,1 milhões para R$ 477,6 milhões de um ano para outro. Paragominas até avançou, de R$ 494,1 milhões para R$ 582,3 milhões, mas o crescimento absoluto de R$ 88,2 milhões foi mais tímido.

No outro extremo, a situação é preocupante em três municípios: Tucuruí, Novo Repartimento e Parauapebas. Em Tucuruí, a produção anual despencou de R$ 144,4 milhões em 2017 para R$ 18,2 milhões em 2018, retração terrível de quase 90%. Já em Novo Repartimento a produção caiu de R$ 173,8 milhões para R$ 108,2 milhões, uma baixa de 38%.

Parauapebas, por seu turno, perdeu R$ 52,2 milhões em produção de 2017 para 2018 (ou 39% do valor anterior). Ano passado, a produção de commodities agrícolas no município cuja economia é pautada na extração de recursos minerais foi de R$ 82,5 milhões, bastante inferior aos R$ 134,8 milhões movimentados em 2017. A perda de importância de Parauapebas é acompanhada pela retração de seus vizinhos Marabá (perda de R$ 30,1 milhões), Eldorado do Carajás (R$ 10,9 milhões), Curionópolis (R$ 6,4 milhões) e Canaã dos Carajás (R$ 5,4 milhões).

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