Pela primeira vez, Pará entra para grupo dos 10 com menor desocupação

Mas nem tudo são flores: estado continua com 356 mil desocupados; segue líder nacional em informalidade e em escassez de contribuição previdenciária; e rendimento é o 6º pior do Brasil.
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Uma das principais locomotivas que movem o Brasil, o Pará encerrou 2019 ostentando um verdadeiro “milagre econômico”, do ponto de vista do mercado de trabalho: 9,2% de taxa de desocupação, o menor índice da história. A informação foi levantada pelo Blog do Zé Dudu, que se debruçou na leitura dos números da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua do 4º Trimestre (PnadC-T) que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou na manhã desta sexta-feira (14).

É uma notícia que anima empreendedores e favorece o ambiente de negócios no estado, já que a empregabilidade puxa e caminha paralela a outro bom indicador, que é a redução da criminalidade no período — o que o governador Helder Barbalho tem comemorado de modo bastante efusivo na mídia e nas redes sociais.

De acordo com o IBGE, apenas os estados de Tocantins (9,1%), Rondônia (8%), Paraná (7,3%), Rio Grande do Sul (7,1%), Mato Grosso do Sul (6,5%), Mato Grosso (6,4%) e Santa Catarina (5,3%) têm hoje percentuais de desocupados inferiores ao do Pará. Na outra ponta, a Bahia (16,4%) lidera a falta de emprego, seguida de Amapá (15,6%), Roraima e Sergipe (empatados com 14,8%) e Pernambuco (14%).

Mas ainda há bastante terreno para otimizar os indicadores. O estado está com 356 mil desocupados, aptos a ingresso no mercado de trabalho. É uma quantidade suficiente para erguer de desempregados uma cidade do tamanho de Marabá e outra do tamanho de Tucuruí. Além disso, o Pará tem 62,4% de seus trabalhadores ocupados atuando na informalidade, um recorde nacional.

Por essa razão, o inverso também continua cruel. No estado mais rico da Amazônia, a taxa de contribuição previdenciária dos trabalhadores ocupados é de apenas 38,4%, a menor entre as 27 Unidades da Federação do país. Enquanto isso, em Santa Catarina, um dos estados mais desenvolvidos da nação, taxa de contribuição previdenciária chega a 81,2%, o que revela o abismo social entre o estado do Norte e o do Sul.

Paraense tem 6º pior rendimento

Apesar da diminuição considerável nas estatísticas de desemprego, nem tudo foram flores ao longo de 2019. Entre o final de 2018 e o final do ano passado, o rendimento médio real efetivamente recebido por todos os trabalhos aumentou apenas R$ 89, passando de R$ 1.586 para R$ 1.675, cerca de 31% abaixo da média nacional. Só nos estados da Bahia (R$ 1.643), Sergipe (R$ 1.602), Alagoas (R$ 1.515), Maranhão (R$ 1.372) e Piauí (R$ 1.358) se recebe ainda menos para trabalhar. A média nacional é de R$ 2.431, só alcançada pelo Distrito Federal (R$ 4.179), São Paulo (R$ 3.123), Rio de Janeiro (R$ 2.924), Santa Catarina R$ 2.669), Paraná (R$ 2.657) e Rio Grande do Sul (R$ 2.653).

Embora a Pnad não discrimine, o Blog apurou junto a dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) que a desocupação foi amortecida pelo bom desempenho dos municípios de Belém, Ananindeua, Santarém, Marabá e Parauapebas na geração de postos formais de trabalho.

Belém reage e avança nos números

A capital paraense deu excelente guinada nos indicadores de mercado de trabalho e saiu do cenário quase sepulcral em que há anos vivia. O rendimento do trabalhador belenense, de R$ 2.774, está próximo ao de capitais desenvolvidas, como Goiânia (GO), R$ 2.946, e das principais metrópoles nordestinas, como Recife, R$ 2.816, e Salvador, R$ 2.829, estas as quais apresentaram redução na remuneração média em relação a 2018, enquanto a capital paraense incrementou R$ 103 no mesmo período.

A taxa de desocupação em Belém caiu de 12,2% em 2018 para 11,2% em 2019, um mar de rosas comparado ao índice de Manaus (AM), que lidera o desemprego entre as capitais brasileiras com 16,9%, seguida de Macapá (AP), com 16%. Ainda assim, na capital do Pará, 86 mil continuam sem emprego, o equivalente à população inteira de Redenção.

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