Pela primeira vez, Pará tem 2ª menor taxa de desocupação do Brasil

Renda da população trabalhadora paraense também é a que mais cresceu: 17%. Mas desafios persistem: rendimento segue abaixo da média nacional e informalidade é líder entre 27 as UFs.
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Apesar da mortalidade, de confinamento em casa, de isolamento social e do cerramento de portas de estabelecimentos comerciais nos meses mais duros da pandemia do coronavírus, entre março e maio, o Pará dá claros sinais de ter saído economicamente mais forte da pandemia em comparação com as demais Unidades da Federação. O estado alcançou no segundo trimestre deste ano, de forma inédita, a 2ª menor taxa de desocupação do país: 9,1% — no mesmo período do ano passado era 11,2%. Isso enquanto a taxa subiu 1,3 ponto percentual no Brasil na comparação com 2019. Também subiu em 11 das 27 UFs.

As informações foram levantadas com exclusividade pelo Blog do Zé Dudu, que analisou a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua Trimestral (PnadC-T) divulgada nesta sexta-feira (28) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Só o Pará e o Amapá registraram decréscimo no número de desempregados entre os meses de abril e junho, revela a pesquisa.

Enquanto o Brasil chegou à maior taxa (13,3%) de desemprego desde 2017, o Pará alcançou a menor (9,1%) no mesmo período. E mais: só Santa Catarina (6,9%) tem hoje taxa de desocupação inferior à paraense. No outro extremo, Bahia (19,9%), Sergipe (19,8%) e Alagoas (17,8%) apresentam índices elevadíssimos.

Em números absolutos, segundo o IBGE, o total de desocupados no Pará, que chegou a ser de 441 mil no primeiro trimestre de 2019, caiu para 324 mil atualmente, também o menor volume da série histórica dos 13 últimos trimestres, conforme apurou o Blog.

Desafios

Mas nem tudo são flores. Segundo o IBGE, o Pará é campeão em informalidade. Hoje, 56,4% dos trabalhadores ocupados no estado são informais. Além disso, mesmo entre os que trabalham em empresas privadas, com salário mensal, 39,8% não têm carteira assinada, 3ª maior proporção nacional. E, para variar, 32,9% da população ocupada são trabalhadores por conta própria, 3ª maior taxa do país — ser trabalhador por conta própria não chega a ser ruim, mas a maioria deles não está formalizada. Outro grande desafio é elevar o rendimento médio mensal percebido pelos trabalhadores paraense, atualmente de R$ 1.835. Muito embora tenha crescido 17,1% — maior taxa de crescimento do país — em relação a 2019, o rendimento é, ainda, muito baixo. A média nacional é de R$ 2.500, mas é muito maior no Distrito Federal (R$ 4.009), em São Paulo (R$ 3.167) e no Rio de Janeiro (R$ 3.162). A renda média do trabalhador paraense continua sendo a menor da Região Norte