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Agronegócio

Campo aumenta presença na cesta de exportações do Pará em janeiro

Carne de gado, madeira em toras e pimenta, entre outras commodities, já marcam presença no pelotão que há décadas é capitaneado pelos minérios de ferro, cobre, manganês e alumínio. Em janeiro, nove produtos do mundo agro renderam mais de R$ 200 milhões.

Acostumado a embarcar milhões de toneladas de recursos minerais, como ferro, cobre, bauxita e manganês rumo ao mercado transoceânico, o Pará tem, aos poucos, diversificado sua gama de especiarias na balança comercial. Titular de um dos três produtos mais cobiçados do Brasil no mundo — o minério de ferro de alto teor — e um dos maiores superavitários das exportações, o estado já conta com quase metade de suas 20 principais commodities saída diretamente do campo.

O Blog do Zé Dudu levantou dados de janeiro da balança comercial e constatou que os produtos paraenses de origem animal e os agroflorestais estão indo de vento em popa no cardápio dos gringos. Esses produtos movimentaram 56,88 milhões de dólares, o equivalente a R$ 213,88 milhões, levando em conta a cotação do Real nesta segunda-feira (11). É um valor histórico para apenas um mês, e considerando-se apenas nove produtos entre 195 commodities que o Pará embarcou rumo ao além-mar no primeiro mês deste ano.

O estado é o 5º maior exportador do país, com 1,18 bilhão de dólares no mês passado e sobe para 3º lugar no quesito superávit, com o fabuloso movimento para o Brasil de 1,07 bilhão. Os números primários foram divulgados pelo Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC).

Boi vivo

Os produtos de origem animal são os principais do estado depois dos recursos minerais, que movimentam bilhões na balança tanto em exportações quanto em saldo comercial. Em janeiro, a carne bovina foi a 9ª commodity mais transacionada, no valor de 12,92 milhões de dólares, embala pelo poderoso rebanho composto por 20,59 milhões de cabeças, o 5º maior do país, de acordo com a Pesquisa Pecuária Municipal (PPM) divulgada em outubro do ano passado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Além da respeitada exportação de carnes, o Pará também é grande vendedor de boi vivo (5,65 milhões de dólares no mês passado) e couro (2,95 milhões de dólares).

Madeira

A madeira em toras foi o 10º produto mais exportado do estado, com operações totais que somaram 10,66 milhões de dólares. Não é demais lembrar que, por ser um estado integrante do bioma Amazônia, o Pará tem, ainda, grandes extensões de florestas nativas com excelente potencial madeireiro, nem sempre com aproveitamento de forma legal. Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) revelam que há no Pará 868 mil quilômetros quadrados de florestas, o correspondente a 70% da área do estado.

Além das madeiras em tora, o estado comercializa como subprodutos e derivados pasta de madeira (6,18 milhões de dólares) e madeira serrada (4,89 milhões de dólares).

Agricultura

Outros três produtos que fecham a gama da participação agroflorestal do Pará vêm diretamente das lavouras e são especiarias das quais o estado entende bem. A começar pela pimenta, que movimentou 6,8 milhões de dólares em janeiro. Esse é um produto de cuja exportação o Pará é líder isolado desde as primeiras remessas feitas ao mercado internacional. Mas antes de ser líder na exportação, o é na produção doméstica.

O mesmo vale para o óleo de palma, que atingiu 3,6 milhões de dólares transacionados. Esse produto, de que o estado entende bem, tem no Pará o maior celeiro, de acordo com dados da Pesquisa Agrícola Municipal (PAM) do IBGE. O milho, com 3,2 milhões de dólares exportados, completa a cesta.

Lideranças

Apesar do avanço discreto, mas constante, das commodities do campo, os imbatíveis continuam a ser, de longe e sem rivais à altura, os elementos da “tabela periódica” que o Pará tem a seus pés. Sim, eles, os recursos minerais, liderados pelo minério de ferro, roubam a cena e são o principal sustentáculo da participação paraense na balança. Só o superávit do Pará, puxado pelos minérios, é equivalente a 48,8% do lucro do país.

O minério de ferro encabeça a fila, com 647,39 milhões de dólares movimentados no mês passado, acompanhado pelo cobre (217,68 milhões de dólares), óxido e hidróxido de alumínio (76,85 milhões de dólares) e manganês (40,87 milhões de dólares). Também têm presença marcante o alumínio bruto (35,05 milhões de dólares), o caulim (20,53 milhões de dólares), o minério de alumínio (18,92 milhões de dólares) e as ferro-ligas (16,05 milhões de dólares).

Confira os produtos mais exportados do Pará no mês de janeiro!

DÉFICIT HABITACIONAL

Faltam mais de 400 mil moradias adequadas para a população paraense

Entre os fatores que afastam o cidadão do Pará do sonho da casa própria está o péssimo rendimento que recebe, um dos mais baixos do Brasil. E olhe que o valor médio do imóvel no estado é o menor da Região Norte.

Não fosse a caridade de algum parente ou amigo, o Pará teria hoje mais de um milhão de habitantes vivendo ao relento. A constatação parte de um extenso estudo inédito intitulado “Demanda Futura por Moradias: Demografia, Habitação e Mercado”, elaborado pela Universidade Federal Fluminense (UFF) em parceria com o Ministério das Cidades e que o Blog do Zé Dudu folheou para checar a situação estadual da demanda por casa própria. A conclusão é lamentável: faltam 408.070 moradias no Pará para que seja eliminado o terrível déficit habitacional. É o equivalente a erguer uma cidade quase do tamanho de Belém, cheia de imóveis, para tirar do aluguel, da cedência ou da sarjeta quem precisa de um lar.

O levantamento, realizado com base em pesquisas oficiais e que projeta recorte do déficit para até 2030 nas cidades e para até 2040 nos estados, mostra que faltam 305,6 mil domicílios para paraenses sem teto nas cidades e outros 102,5 mil no campo. Mesmo daqui duas décadas haverá milhares de paraenses vivendo sem casa própria: vão faltar aproximadamente 209 mil casas nas cidades e 35 mil no campo.

A situação do Pará é crítica principalmente devido à péssima distribuição de renda e à elevada informalidade. Atualmente, o rendimento médio por pessoa no estado é de R$ 1.427, um dos piores do país, o que inviabiliza o sonho da casa própria, mesmo sendo o imóvel do Pará o mais barato, em média, da Região Norte, com cotação estimada em R$ 76,5 mil — no Amazonas, um imóvel similar não sai por menos de R$ 114 mil.

Além disso, como a população não para de crescer, o estado lidera a demanda por domicílios formados por três e quatro pessoas, juntamente com os estados do Maranhão e Ceará. Por outro lado, aponta o estudo, até 2040 haverá menor pressão por domicílios, menos pessoas sob o mesmo teto e mais cidadãos vivendo solitariamente.

Pará em ruínas

Nas contas da UFF e do Ministério das Cidades, para cada 100 unidades domiciliares ocupadas no país, havia 2,7 em ruína, demolidas ou que mudaram de finalidade. Em números absolutos, são 1,8 milhão de habitações fora da oferta de moradias em condições de uso. No Pará está a mais assustadora proporção: de cada 100 unidades ocupadas, cinco ou seis estavam em ruína, demolidas ou haviam mudado de finalidade. Já no extremo oposto, o Paraná tem apenas uma unidade fora da oferta de habitações em condições de uso em cada grupo de 100.

O estudo aponta que a Região Metropolitana de Belém tem, atualmente, demanda de 103,6 mil habitações, o equivalente a erguer de cimento uma cidade pouco maior que Santarém. Em 2030, a demanda cairá para 72,5 mil. A Região Metropolitana de Manaus, muito mais populosa que Belém, hoje precisa de 102,1 mil moradias e serão necessárias 94 mil nos próximos dez anos para suprir a demanda.

No Pará, os municípios de Belém, Ananindeua, Marabá, Santarém, Castanhal, Parauapebas, Abaetetuba, Cametá, Marituba e São Félix do Xingu lideram a necessidade da população por novas habitações. Entretanto, os dados que balizam a demanda por município é referente ao censo demográfico de 2010 e, portanto, muito antigo para retratar o atual cenário.

TRIBUTOS

Prefeituras do Pará movimentaram R$ 246 milhões em IPTU ao longo de 2018

Arrecadação fraca do tributo diante de outros municípios brasileiros expõe a baixa qualidade de vida oferecida no estado, cujos habitantes não dão a mínima à cobrança. Imposto tem de ser revertido em serviços sociais básicos.

Os 67 municípios paraenses que já entregaram ao Tesouro Nacional seu Relatório Resumido da Execução Orçamentária (RREO) referente ao último bimestre de 2018 acumularam, juntos, R$ 246 milhões em Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana (IPTU) ao longo do ano passado. O Blog do Zé Dudu vasculhou as prestações de contas das prefeituras para analisar o impacto do tributo nas contas públicas. O resultado é decepcionante.

Receita própria dos municípios, o IPTU representa “míseros” 2,2% do volume de R$ 11,82 bilhões em receita líquida arrecada em 2018 pelo conjunto das prefeituras. Ele é cobrado de quem é proprietário de imóvel (casa, apartamento, sala comercial, terreno, entre outros), pessoa física ou jurídica. A cobrança, inclusive, é amparada pelo artigo 156 da Constituição Federal.

No Pará, a Prefeitura de Belém, metrópole com cerca de 1,5 milhão de habitantes, é quem mais fatura com IPTU. Ano passado, a administração de Zenaldo Coutinho arrecadou R$ 171,02 milhões com o tributo, quase R$ 70 milhões a mais que os R$ 102,91 milhões recolhidos em 2017, conforme levantamento realizado pelo Blog junto à Secretaria do Tesouro Nacional (STN).

Mas se, populacionalmente, Belém é o 11º do Brasil, no ranking de pagamento do IPTU a capital do estado perde feio para municípios que poderiam ser considerados “currutelas” pelo tamanho pequeno de sua população. Belém não aparece sequer entre os 40 municípios brasileiros que mais arrecadam recursos do IPTU. Os municípios de São Sebastião e São Caetano do Sul, ambos em São Paulo, por exemplo, arrecadam bem mais.

São Sebastião, com apenas 88 mil habitantes, tem imóveis supervalorizados por ser destino turístico à beira-mar, além de ter importante terminal portuário e estar a poucos quilômetros do coração financeiro do país. São Caetano do Sul, com 160 mil moradores, dispensa comentários por estar no encostado ao maior movimento econômico da América Latina e, principalmente, por deter o maior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) nacional, com nota apurada em 2010 — última medição — em 0,862. É como se quem mora em São Caetano do Sul tivesse padrão de vida de um europeu da Polônia enquanto quem vive em Belém, de IDH 0,746, vivesse como os latino-americanos da Colômbia.

A diferença natural na oferta da qualidade de vida entre os municípios aumenta os custos para sobrevivência, nisso inclusos os impostos cobrados. Em São Caetano do Sul, o IPTU (R$ 176,07 milhões) respondeu por aproximadamente 13% da receita corrente líquida arrecadada pela prefeitura (R$ 1,38 bilhão) em 2018. Lá, 62,5% da população trabalham formalmente. Em Belém, onde o IPTU representa apenas 6,5% da receita líquida de R$ 2,61 bilhões, a taxa de ocupação formal é de apenas 26% da população total. Em termos didáticos, um morador de São Caetano tem muito mais condições de pagar IPTU em dia que um morador de Belém.

Municípios paraenses decepcionam

Depois de Belém, Ananindeua é quem mais recolhe IPTU. Entraram no caixa do vizinho da capital cerca de R$ 17,86 milhões no ano passado. Além de Belém e seu vizinho metropolitano, apenas Barcarena (R$ 14,17 milhões) e Marabá (R$ 10,22 milhões) conseguem superar a cifra dos R$ 10 milhões em imposto sobre uso e ocupação do território urbano. Marituba (R$ 4,16 milhões), Castanhal (R$ 3,69 milhões), Altamira (R$ 3,38 milhões), Salinópolis (R$ 2,94 milhões), Parauapebas (R$ 2,56 milhões) e Redenção (R$ 2,46 milhões) fecham o topo das dez prefeituras que mais recebem IPTU. Há, no entanto, casos como o da Prefeitura de Santarém cuja receita de IPTU não é discriminada no RREO e, por isso, não é possível levantar o valor oficial.

A Prefeitura de Parauapebas, uma das líderes do Pará em IPTU, apresenta arrecadação tacanha. Apesar de estar entre as 60 do país que mais arrecadam receitas, ela some para depois da milésima posição no recolhimento específico do tributo. O baixo valor do imposto cobrado e a elevada sonegação podem explicar o descompasso. No município, o tributo não representa sequer meio por cento da vultosa receita líquida de R$ 1,15 bilhão. Já em Marabá o IPTU representa 1,28% dos R$ 799,2 milhões arrecadados pela prefeitura.

Com R$ 10 recolhidos ao longo de 2018, a Prefeitura de Bannach é a lanterninha do IPTU. É acompanhada pelos governos de Nova Timboteua (R$ 160), Bonito (R$ 300) e Piçarra (R$ 550). Mesmo municípios como Tucuruí e Paragominas, ambos com mais de 100 mil habitantes, não conseguem botar no caixa valores surpreendentes.

Cabe destacar que o Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana (IPTU) é utilizado em prol da própria comunidade e distribuído em fatias de 25% para a educação e 15% para a saúde. O restante é dividido em investimentos em áreas diversas, como obras de infraestrutura, pavimentação e asfaltamento de ruas, recuperação de estradas e iluminação.

A falta de pagamento do IPTU acarreta, entre outras consequências, multa, juros, atualização monetária, inscrição no cadastro de inadimplentes dos municípios, inscrição na dívida ativa, instauração de processo de execução fiscal e, em última instância, encaminhamento do imóvel a leilão para satisfação do crédito tributário.

Confira o ranking das prefeituras que mais arrecadaram IPTU preparado pelo Blog do Zé Dudu:

Advogados são ameaçados de morte por pecuarista e OAB reage requerendo providências

A ameaça, que foi duramente rechaçada por advogados paraenses, se deu após condenação na Justiça do Trabalho

Os advogados Cícero Sales e Dayanne Sousa, que militam na Comarca de Xinguara, no Pará, foram vítimas de ameaças após decisão favorável na Justiça do Trabalho em um ação que representam um trabalhador. A representação trabalhista foi julgada na Vara do Trabalho de Xinguara contra o pecuarista Milton Ribeiro de Oliveira.

Na busca de se resguardarem e fazerem valer as garantias do exercício da profissão, Cícero e Dayanne deram notícia do fato à OAB, Subseção Xinguara, e OAB Seccional Pará, vindo a receber todo apoio da entidade para os encaminhamentos às autoridades a fim de que sejam tomadas as devidas providências que lhes assegurem a integridade física.

Na manhã desta terça-feira, 05, Cícero e Dayanne foram à Delegacia acompanhados dos membros da Comissão de Prerrogativas da OAB Subseção Xinguara, de dois representantes da Comissão de Prerrogativas OAB Seccional Pará, além do Procurador Regional do Sul do Pará e de três Conselheiros da OAB Seccional Pará. Lá, foram ouvidos pelo delegado José Orimaldo da Silva Farias, constando em termo de Boletim de Ocorrência os fatos.

Ao delegado detalharam como se deram as ameaças ocorridas no dia 28 do mês de janeiro, por volta das 16h. Segundo Dayanne, o pecuarista foi ao escritório e questionou onde ela e seu colega queriam chegar com o processo. A advogada teria explicado a ele que o processo já estava na fase de execução, o que implicaria no cumprimento da decisão que estabelecia o pagamento dos direitos ao seu cliente.

Na insistência de tentar resolver a situação sem levar em consideração a decisão da Justiça do Trabalho, o pecuarista, de acordo às vítimas, tentava justificar que o processo fosse encerrado pelo valor que já havia sido bloqueado da sua conta bancária. “Esquece este valor ai do processo que não vai dar bem nem pra mim e nem pra vocês, no valor do processo”, teria dito ele.

Em outros momentos da conversa, não gravadas, outras afirmações teriam sido feitas, tais como: “…não estou querendo partir para ignorância, mas…”, “… deste jeito vai ter morte…”.

Parte da conversa onde constam as ameaças foi gravada. Um pen drive contendo o áudio foi apresentado ao delegado para ser juntado ao inquérito e servirá de provas contra o acusado.

Para o advogado Rubens Moraes, Conselheiro Estadual da OAB-PA, a situação chega a ser inusitada, considerando o direto ao livre exercício da profissão, onde atitudes como essas, segundo ele, “são consideradas reprováveis”.

“A OAB se empenhará para evitar que atitudes como essa inviabilize os trabalhos advocatícios, pois é preciso considerar a importância do advogado na busca de estabelecer o equilíbrio entre as partes, tendo em vista todos os elementos legais previstos”, declara o presidente da OAB Subseção Xinguara, Evandro Santana.

À nossa reportagem, o advogado Cícero Sales fez questão de dizer que “as ameaças são uma afronta não apenas a ele e a sua colega, mas a toda sociedade, por se tratar de um ato que é inaceitável e que a decisão que implicou na garantia dos direitos de seu cliente foi dada com base na lei pela Justiça do Trabalho”, disse.

No âmbito da competência da Justiça Federal do Trabalho, onde foi dada a decisão, o caso poderia ter sido levado à Polícia Federal, o que ainda não foi descartado, mas chegou a ser cogitado.

Para Alberto Campos, presidente estadual da OAB, “é preciso que os advogados mostrem força para intimidar esse tipo de gente que acha que está acima das instituições e pode sair por aí ameaçando o exercício da advocacia”.

A preocupação do presidente da Ordem dos Advogados do Brasil no Pará não é à toa. Em 2017 cinco advogados que militavam no Pará foram brutalmente assassinados.

Infraestrutura

TCM-PA vai auditar projeto de U$750 mil financiado pelo BID em Parauapebas

Cinco técnicos do Tribunal farão a auditoria na prestação de contas da aplicação dos recursos não-reembolsáveis do BID em Parauapebas e utilizarão as normas internacionais adotadas pelo Banco.

Em reunião ocorrida entre o Tribunal de Contas dos Municípios do Pará (TCM-PA) e representantes da Prefeitura de Parauapebas, no último dia 31, foi definido que as ações de auditoria no Projeto de Macrodrenagem, Proteção de Fundos de Vales e Revitalização da Margem do Rio Parauapebas (Prosap) serão iniciadas ainda esse semestre. O coordenador de projetos especiais da Prefeitura, Cleverland Araújo, e o coordenador do Prosap, Daniel Benguigui, reuniram com o presidente do Tribunal, conselheiro Sérgio Leão, e servidores da Corte de Contas, em Belém.

Os coordenadores explicaram as obras realizadas pelo projeto já concluído, como os 10 km de macrodrenagem executados, o modo de operacionalização da iniciativa enquanto unidade de gestão orçamentária, visto que está ligada diretamente ao gabinete do prefeito, e que teve o financiamento do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) na ordem de U$ 750 mil. A Prefeitura investirá o valor de contrapartida de U$112,5 mil em serviços, mão de obra e outros recursos.

De acordo com encaminhamentos da reunião, a Prefeitura apresentará um Termo de Referência ao BID para que o Banco aprove, neste documento, o cronograma de auditoria proposto. As ações de auditoria serão feitas pelo TCM-PA por conta de ser o órgão autorizado a fiscalizar os investimentos do Banco nos municípios paraenses, conforme Protocolo de Entendimento assinado entre o Tribunal e o Banco Interamericano de Desenvolvimento em janeiro de 2016.

Cinco técnicos do Tribunal farão a auditoria na prestação de contas da aplicação dos recursos não-reembolsáveis do BID em Parauapebas e utilizarão as normais internacionais adotadas pelo Banco. Para o coordenador da Prefeitura, Cleverland Araújo, a análise feita pelo TCM-PA nas contas do projeto, além de ser melhor que a contratação de uma auditoria privada que utiliza outros parâmetros, embasa também a prestação de contas final do projeto conforme as exigências legais do próprio Tribunal. “Temos uma melhor interlocução com TCM e esclareceremos as dúvidas de maneira mais efetiva”, comentou o representante da Prefeitura de Parauapebas na reunião.

Além de auditar as ações financiadas pelo BID em Parauapebas, o TCM-PA analisará também as prestações de contas dos investimentos feitos pelo Banco no município de Belém. (As informações são do TCM-PA)

Atualização

Nota à imprensa

A respeito do Projeto de Macrodrenagem, Proteção de Fundos de Vales e Revitalização da Margem do Rio Parauapebas (Prosap), a Prefeitura de Parauapebas informa que:

As obras que constam no projeto de macrodrenagem, e que estão previstas para a primeira etapa do Prosap, se encontram ainda em fase de elaboração de edital e revisão de orçamento para a abertura de processo licitatório conforme trâmites administrativos.

Sendo assim, a Prefeitura de Parauapebas reforça que ainda não houve execução de obra ou serviço referente ao Prosap. A auditoria a ser realizada pelo Tribunal de Contas dos Municípios (TCM-PA) analisará prestação de contas apresentada pela Prefeitura de Parauapebas referente à cooperação técnica com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) que viabilizou os estudos, plantas e projetos a serem executados pelo governo municipal para a primeira etapa do Programa.

Portanto, a Prefeitura de Parauapebas reitera estar obedecendo irrestritamente as etapas legais exigidas pelo projeto.

Assessoria de Comunicação – Ascom/PMP

LEVANTAMENTO

Saiba quais são, onde estão e qual a periculosidade das barragens de mineração do Pará

Das 46 barragens da Vale no Pará, seis são classificadas com “alto” dano potencial associado, que pode ocorrer devido a rompimento, vazamento, infiltração no solo ou mau funcionamento; veja onde elas estão.

O Blog do Zé Dudu apresenta agora a lista com o nome de todas as 109 barragens de mineração cadastradas junto à Agência Nacional de Mineração (ANM) e que constam do relatório produzido pela Agência Nacional de Águas (ANA), inclusive divulgado com exclusividade aqui.

A imprensa paraense tem reportado que o Pará possui 66 barragens de rejeitos de mineração, a partir de informações repassadas pela ANM, mas cabe esclarecer que essas 66 são apenas as que apresentam grau de risco (baixo, médio ou alto) consolidado. As demais barragens, no total de 43, também existem e todas as 109 estão classificadas conforme ao dano potencial associado. Isto significa dizer que, mesmo que uma barragem não apresente grau de risco indicado, ela pode ter potencial de causar dano.

A mineradora multinacional Vale tem 46 barragens de mineração nos municípios onde atua, sendo 19 em Canaã dos Carajás, 14 em Parauapebas, seis em Marabá, quatro em São Félix do Xingu e três em Ourilândia do Norte. Seis delas, inclusive, receberam classificação “alto” para dano potencial associado pela ANA, sendo uma de Canaã (Sossego), uma de Marabá (Finos 2 de Salobo) e quatro de Parauapebas (Geladinho, Gelado, Pera Jusante e Pondes do Igarapé Bahia).

Também há barragens de outras empresas mineradoras nos municípios de Marabá e Curionópolis.

LEVANTAMENTO

No Pará, um cargo contrata mais de 2.000 e outro paga R$ 49 mil na carteira; saiba quais

Veja o contrassenso: Oriximiná é segundo município que mais desempregou no estado e, por outro lado, onde se contratou com os mais altos salários. Blog percorreu de Trombetas a Carajás para mostrar os supersalários.

Os números do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados anteontem (23) pelo Ministério do Trabalho (MTb) e referentes ao ano de 2018, ainda repercutem em todo o país, que criou 530 mil empregos com carteira assinada. O Blog do Zé Dudu largou na frente na difusão do balanço paraense e, agora, vai detalhar, de forma inédita, as ocupações que mais prosperaram no Pará, onde foram abertas 15 mil vagas no ano passado.

Para detalhar os cargos que mais criaram oportunidades, o Blog considerou os 15 cujo saldo líquido (diferença entre contratações e demissões) foi mais positivo. Isso porque, embora algumas ocupações tenham contratado muito em 2018, também demitiram muito e, não raramente, acabaram com saldo líquido negativo.

Com relação ao levantamento acerca dos salários, os valores informados pelo MTb e compilados pelo Blog referem-se a valores médios. Não quer dizer que, necessariamente, todos os contratados para uma determinada função tenham assinado a carteira com o montante descrito. Nas diferentes regiões do Pará, há profissionais que chegam a ganhar duas ou três vezes mais que um trabalhador no mesmo cargo. E, por isso, o Caged discrimina apenas as médias.

Vale ressaltar ainda que o Cadastro não é disponibilizado em nível de informações individuais e nominais de empresas contratantes e de trabalhador. E não entram no cômputo, entre outros, servidores públicos com vínculo direto ou indireto com as esferas federal, estadual ou municipal, estagiários, dirigentes sindicais e cooperados.

Cargos que criaram até 2.000 vagas

Apenas 15 cargos foram responsáveis por quase 70% do saldo positivo de empregos no Pará. O Blog do Zé Dudu levantou que a ocupação de faxineiro, com registro em carteira, foi a que mais obteve êxito no estado, com mais de 2.000 vagas preenchidas e salário médio de R$ 999 na carteira. Saindo do sufoco de uma recessão econômica, as famílias paraenses voltaram a contratar trabalhadores fixos para a execução de serviços domésticos.

Em segundo lugar, está um cargo puxado pela retomada da construção civil. A ocupação de servente de obras deu emprego a quase 1.800 trabalhadores, pagando R$ 1.048. Juntamente com a função de faxineiro, o servente foi uma das duas únicas ocupações capazes de romper a barreira de mais de mil empregos criados no Pará ao longo de 2018.

Os cargos de assistente administrativo (697 empregos criados), porteiro (685) e técnico de enfermagem (662) vêm na sequência. O primeiro é bastante demandado a cada empresa nova que se instala no Pará. O segundo — que até pode levar outros nomes, como vigia, mas sempre com o registro de porteiro em carteira — tem crescido bastante. E o terceiro cargo é sempre necessário, particularmente num estado onde os serviços de saúde são considerados precários.

Sexto cargo com o melhor saldo positivo do Pará, a ocupação de controlador de acesso tem a ver com Parauapebas. Com saldo de 593 novos admitidos para a função, o cargo inaugura uma modalidade no município com atribuições antes pertencentes ao vigia. Este profissional, por conta da terceirização de serviços de vigilância implementada pela prefeitura local, viu o cargo temporário ser extinto e assistiu ao nascimento de uma novíssima ocupação para a guarda e recepção aos prédios públicos.

Funções com salário de até R$ 49 mil

Quem não gostaria de ganhar, por mês, um salário de R$ 49.000 na carteira? Pois no Pará tem o chamado “emprego dos sonhos”. Um profissional foi contratado para gerenciar uma indústria de extração de minérios a peso de ouro no estado, ao longo do ano passado, com contracheque nesse valor. O problema é que, ao mesmo tempo, dois profissionais no mesmo cargo foram demitidos. Nessa matemática, o estado mais perdeu que, de fato, ganhou.

O segundo maior salário médio do estado caiu na conta de dois diretores de manutenção de empresas: R$ 28.283 cada. Também, nessa ocupação, embora duas pessoas tenham se dado bem, meia dúzia foi limada da função.

Sem espanto, os cinco cargos que remuneram melhor no Pará são todos de liderança. Além das ocupações de gerente de mineração e do diretor de manutenção, citadas anteriormente, os três próximos melhores salários do ranking ficam com diretor de serviços de telecomunicações (dois novos profissionais com salário médio de R$ 17.500), diretor de serviços de saúde (seis profissionais com R$ 17.130, cada) e gerente de pesquisa e desenvolvimento na indústria (oito profissionais com salário de R$ 17.046).

Fora as funções gerenciais, os cargos de engenheiro lideram os maiores ganhos. Engenheiros civis, do ramo geotécnico (R$ 15.500); engenheiros de minas, da área de planejamento (R$ 12.624); engenheiros químicos (R$ 11,333); engenheiros de minas, da área de processo (R$ 10.550); e engenheiros metalurgistas (R$ 10.000) estão entre os 15 profissionais mais bem-sucedidos, financeiramente, no estado.

Onde encontrar bons salários no Pará?

O Blog também vasculhou as microrregiões paraenses para saber onde estão as oportunidades mais saborosas e de melhores ganhos. E levantou as três mais promissoras, do ponto de vista do peso de uma assinatura na carteira: Óbidos, Belém e Parauapebas.

A microrregião de Óbidos larga na frente no tocante aos melhores salários, embora não seja necessariamente o lugar onde qualquer emprego será encontrado com facilidade. Do município de Oriximiná partiu a melhor média salarial do estado, de R$ 49 mil. Lá, um gerente comanda de uma sala fria uma mineradora, botando a cara no sol apenas quando necessário.

Lá, também, o diretor de uma empresa assinou contrato de R$ 43 mil, enquanto um engenheiro de segurança do trabalho foi contemplado com R$ 25 mil no contracheque — é o engenheiro mais bem pago do ano no Pará. Um gerente de produção, com salário de R$ 24,6 mil, e um consultor jurídico com vínculo celetista de R$ 21 mil, também triunfaram no acirrado mercado de trabalho paraense. Apesar dos melhores salários médios estarem em Oriximiná, contraditoriamente o município foi o segundo que mais demitiu no Pará ao longo de 2018, revela o Caged.

Embarcando de lá, pegando carona no caudaloso Rio Amazonas, o Blog chegou à Região Metropolitana de Belém e se deparou com três cargos que, ano passado, pagaram muito bem, obrigado. Na capital, de uma tacada só, foram contratados quatro gerentes de pesquisa e desenvolvimento com média de R$ 21,5 mil. Também foi contratado um gerente de produção aquícola por R$ 20,7 mil na carteira, assim como um diretor de suprimentos por exatos R$ 20,5 mil.

Deixando a Grande Belém e partindo rumo a Carajás, o Blog encerrou a procura por megassalários na microrregião de Parauapebas. A maior parte dos grandes salários dessa região está dividida entre Parauapebas e Canaã dos Carajás, este o qual se desponta como o grande reduto salarial para a próxima década. Em Canaã, é cada vez mais crescente o número de salários na iniciativa privada superiores a R$ 10 mil.

Mas foi em Parauapebas onde um diretor comercial foi contratado por R$ 20 mil, enquanto um gerente de recursos humanos assinou carteira por R$ 19 mil mensais. No município, também, quatro médicos clínicos foram contratos, em média, por R$ 18,2 mil, ao passo que um gerente de agência de banco foi lotado com R$ 12 mil. Em Parauapebas e em Canaã, ganham cada vez mais destaque os salários acima de R$ 8,5 mil pagos a engenheiros de diversos ramos e supervisores da área de mineração. A região é a que mais produz riquezas para a balança comercial do país.

MERCADO DE TRABALHO

Pará criou mais de 15 mil empregos com carteira assinada em 2018

Marabá é o município do Pará que mais demitiu ao longo do ano passado. Na principal praça financeira do sudeste paraense, 830 trabalhadores perderam o emprego. Outras 53 localidades do estado também ficaram no vermelho.

O ano de 2018 vai ficar na lembrança para 15.286 trabalhadores que tiveram a sorte de se empregar no Pará. É que, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) divulgado nesta quarta (23) pelo Ministério do Trabalho (MTb), esse volume de novos contratados é o melhor dos últimos cinco anos do estado, que acumulou entre 2015 e 2017 um recorde de 85.109 demitidos.

O Blog do Zé Dudu mergulhou nos números do Caged e constatou que o setor de serviços foi o mais próspero entre os geradores de emprego do Pará, com a criação de 10.781 empregos no ano encerrado. O setor de construção civil também reagiu e abriu 2.057 novas oportunidades — e só não foi melhor porque teve um dezembro péssimo. Também fecharam no azul os setores do comércio (979), indústria extrativa mineral (696), indústria de transformação (549) e agropecuária (281). Por outro lado, os serviços de utilidade pública registram 33 baixas na carteira e a administração pública, 24.

O resultado paraense só não foi melhor em 2018 porque no último mês do ano, dezembro, o mercado de trabalho fechou 6.850 postos, sendo que a construção civil encerrou quase 2.900 vínculos, a indústria de transformação encerrou cerca de 1.650, a agropecuária finalizou quase 1.100 contratos, número idêntico ao das baixas do setor de serviços.

Municípios

Marabá é o lugar que mais demitiu no Pará no decorrer de 2018. O Blog levantou que lá 830 trabalhadores perderam o emprego e que se tornou o 26º município do país em número de demissões. Em situação tão ruim quanto está o município de Oriximiná, no Baixo Amazonas, onde foram encerrados 742 contratos de trabalho. Outro que também demitiu centenas de trabalhadores é Marituba, na Grande Belém, com 556 desligamentos. Ao todo, 54 municípios paraenses apresentaram Caged negativo no acumulado dos 12 meses.

Por outro lado, Parauapebas (3.303 empregos), Barcarena (2.611), Vitória do Xingu (1.273), Castanhal (1.064) e Altamira (1.016) geraram tantos empregos que ultrapassaram a casa de mil postos. Confira o ranking dos melhores e piores desempenhos municipais que o Blog preparou.