Com 515 mil desocupados, Pará tem queda expressiva de rendimento

Em 12 meses, média de rendimento do paraense afundou R$ 199, segundo IBGE, mesmo num cenário desafiador de inflação. Dieese diz que mínimo ideal seria R$ 5.421, “sonho impossível”.
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Até o final de junho, o estado do Pará acumulava duas cidades do tamanho de Parauapebas repletas de pessoas desempregadas. São, de acordo com o divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta manhã de terça (31), em torno de 515 mil cidadãos paraenses nessas condições. As informações foram levantadas com exclusividade pelo Blog do Zé Dudu, que analisou os microdados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio Contínua Trimestral (PnadC-T), referente ao segundo trimestre deste ano.

Pelos dados, o total de desocupados no Pará ficou estável este ano, já que eram 518 mil no primeiro trimestre. No entanto, houve assustador aumento de 191 mil desempregados no comparativo com o segundo trimestre do ano passado, já que, naquele momento, o volume totalizava 324 mil. É como se em apenas um ano o estado tivesse ganhado uma cidade do tamanho de Castanhal só com pessoas com vontade de trabalhar, mas sem oportunidade.

De acordo com o IBGE, a taxa de desocupação do Pará é, atualmente, de 13,3%, pouco abaixo do primeiro trimestre, quando alcançou 13,7%, ainda assim muito acima dos 9,1% verificados no mesmo período de 2020. O estado tem hoje 3,347 milhões de pessoas trabalhando e movimentando R$ 5,675 bilhões em massa salarial.

Perda de poder de compra

Em 12 meses, os trabalhadores paraenses assistiram à queda da média de rendimento da ordem de R$ 199. É muito para um estado onde a pobreza é elevada, as desigualdades sociais são persistentes e, paralelamente, a inflação galopa. Os números da Pnad revelam que, hoje, a média de remuneração do trabalhador ocupado é de R$ 1.785, enquanto no segundo trimestre do ano passado o valor era R$ 1.984. Essa queda na média dos ganhos se deve ao fato de que muitos trabalhadores empregados em postos com maior ganho salarial acabaram perdendo emprego.

A média salarial do trabalhador paraense é a 7ª pior do Brasil, só não menor que a da Paraíba (R$ 1.744), Ceará (R$ 1.682), Bahia (R$ 1.675), Alagoas (R$ 1.652), Piauí (R$ 1.508) e Maranhão (R$ 1.478). É uma média muito distante de praças como o Paraná (R$ 2.665), Rio Grande do Sul (R$ 2.777), Santa Catarina (R$ 2.841), São Paulo (R$ 3.096), Rio de Janeiro (R$ 3.241) e Distrito Federal (R$ 4.474).

Dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) mostram que o trabalhador brasileiro, para viver minimamente bem, deveria ganhar em junho R$ 5.421 — três vezes mais, portanto, que o valor atualmente recebido pela média de trabalhadores paraenses.