Pará tem vários dos piores indicadores de saúde do país, diz IBGE

Entre os polos regionais brasileiros, Marabá tem a pior proporção de enfermeiros por 100 mil habitantes enquanto Parauapebas tem uma das maiores quantidades de habitantes por domicílio.
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Uma pesquisa divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na tarde de ontem, quinta-feira (7), traz números estarrecedores do Pará quanto à oferta de serviços de saúde, tão úteis nestes tempos difíceis de enfrentamento à pandemia do novo coronavírus. O Pará simplesmente vai mal na oferta de médicos por habitante, está abaixo da média nacional em disponibilidade de respiradores e é lanterninha na quantidade de enfermeiros por morador. E há lugares do estado em que o cenário é desolador. As informações foram levantadas pelo Blog do Zé Dudu, que analisou os vários indicadores divulgados pelo instituto e que indicam panorama muito ruim para o paraense.

Para começar, o Pará registra o segundo pior indicador de médico por habitante (só 85 profissionais para cada grupo de 100 mil pessoa), só não inferior à realidade do Maranhão, onde a média é de 81 por 100 mil moradores. De acordo com o IBGE, os números também mostram a distribuição irregular de médicos dentro do estado.

Na região polarizada por Santarém, por exemplo, onde vivem 786 mil habitantes, o índice é de somente 58 médicos por 100 mil habitantes. Já entre os micropolos com mais de 100 mil habitantes, a situação mais crítica do país está nas regiões comandadas por Capitão Poço e Cametá, com índice de, respectivamente, 22 e 24 médicos por 100 mil habitantes. O mínimo recomendável são 80 médicos generalistas por 100 mil habitantes.

Pior distribuição de enfermeiros

O Pará também ostenta o menor índice de enfermeiros do Brasil: 76 profissionais por 100 mil pessoas. Em seguida vêm Alagoas e Goiás com 101 cada, Sergipe com 102 e Amazonas com 103 por 100 mil habitantes. E tem mais: é do Pará a região polarizada por uma cidade referência no atendimento regional com o menor índice de enfermeiros entre aquelas com mais de 500 mil habitantes. Marabá tem índice de 65 profissionais por 100 mil habitantes. E a região comandada por Belém, que atende a um público potencial de 3,6 milhões de pessoas, tem índice de apenas 84 enfermeiros a cada 100 mil habitantes.

Para variar, o IBGE também afirma que, entre as regiões de atendimento de saúde com mais de 500 mil habitantes, Santarém tem índice de apenas sete respiradores por 100 mil, a pior distribuição nacional. E, em se tratando de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), o Pará está, também, entre os últimos devido ao baixo índice de leitos: oito por 100 mil habitantes — a mesma média de Tocantins e Maranhão.

Maior adensamento em domicílio

Outro recorte da pesquisa do IBGE traz o município de Parauapebas como um dos 20 lugares mais favoráveis ao alastramento da Covid-19, considerando-se um fator que, nestes tempos de pandemia, é condenável: o adensamento populacional. Isso porque, pelos números do censo demográfico de 2010, cerca de 28,4 mil habitantes em Parauapebas viviam em domicílios lotados de outros moradores, o equivalente a 18,4% da população total recenseada.

Mas Parauapebas não está sozinho. Belém, Bragança, Santarém, Marituba, Abaetetuba e Cametá também estão entre as 20 localidades onde a população mais mora amontoada. Lamentavelmente, o cetro é, mais uma vez, do Pará. Em Cametá, no Baixo Tocantins, 40,7% dos habitantes dividem a casa com cinco ou mais pessoas.

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