Pará

Pará perde 40% da água potável encanada que distribui à população

Volume desperdiçado seria praticamente o necessário para suprir população de 3,66 milhões que hoje não conta com serviço de água encanada no estado. Parauapebas tem pior situação.

Mesmo com um dos piores indicadores de saneamento básico do país, o Pará insiste em passar vergonha até mesmo quando tenta fazer a lição de casa. Hoje, 3,66 milhões de paraenses não têm acesso ao serviço de água encanada, de acordo com dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS). Mas mesmo quem tem sofre para acessar o líquido preciso.

Uma pesquisa divulgada esta semana pelo Instituto Trata Brasil, em parceria com a consultoria GO Associados, revelou que 40% da água distribuída no estado se perdem no trajeto até as residências. Ou seja, de cada 100 litros de água captada, tratada e pronta para ser distribuída, 40 ficam pelo caminho devido a vazamentos, erros de leitura dos hidrômetros, furtos (ou “gatos”), entre outros problemas. Essa perda daria para abastecer praticamente toda a população do estado que hoje não conta com o serviço de água encanada.

Segundo o estudo, o volume desperdiçado em todo o Brasil seria suficiente para abastecer 30% da população brasileira por um ano (60 milhões de pessoas). Em termos financeiros, a perda de faturamento custou ao país R$ 11,3 bilhões, valor superior ao total de recursos investidos em água e esgotos no Brasil em 2017 (R$ 11 bilhões).

Parauapebas tem pior situação

No Pará, entre os sete municípios com mais de 150 mil habitantes listados no Painel de Saneamento do Instituto Trata Brasil, Parauapebas tem a pior situação. No município, 81,5% da água distribuída são desperdiçados, o dobro do estado. Á água que se perde em Parauapebas seria mais que suficiente para tender durante três anos os atuais 20 mil moradores que não contam com ligação à rede geral.

Depois de Parauapebas, as maiores perdas na distribuição são registradas em Castanhal (61,1%), Abaetetuba (46,2%) e Marabá (44,8%). Situação menos pior — ainda assim elevada — é a de Belém, onde 35,4% da água tratada não chegam ao destino. Santarém (39,6%) e Ananindeua (41,7%) completam a lista. Os municípios paraenses, de acordo com o SNIS, estão entre os com os piores indicadores de saneamento básico do país.

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