Pará

Municípios do Pará movimentaram R$ 6,5 bilhões em receitas previdenciárias em 2018

Belém, Ananindeua, Parauapebas, Marabá e Santarém são fontes de 57% da arrecadação de GPS e Darf previdenciários. Montante recolhido no Pará daria para tirar educação da fossa.

Os recolhimentos da Guia da Previdência Social (GPS) e do Documento de Arrecadação de Receitas Federais (Darf) previdenciário nos municípios paraenses totalizaram R$ 6,5 bilhões em 2018. Com esse montante, o Pará poderia ter investido dobrado em, por exemplo, educação básica, já que o Governo do Estado liquidou durante o ano passado R$ 3,55 bilhões e, ainda assim, ostenta, entre outros títulos, o de 2º pior ensino médio do país.

O Blog do Zé Dudu acessou as informações consolidadas pela Receita Federal do Brasil, que faz o recolhimento e a sistematização da arrecadação, e constatou que apenas cinco municípios respondem por 57% dos recolhimentos no Pará. Belém, Ananindeua, Parauapebas, Marabá e Santarém, todos os quais com mais de 40 mil trabalhadores ativos em seus estoques, geraram juntos quase R$ 3,8 bilhões, movimento tributário suficiente para erradicar a pobreza e a miséria que, atualmente, assolam 3,6 milhões de paraenses, de acordo com o Ministério da Cidadania.

A capital paraense é quem mais contribuiu, arremessando um volume de R$ 2,48 bilhões à Receita Federal. Ela é seguida do vizinho Ananindeua, de onde foram recolhidos R$ 376,84 milhões. Parauapebas aparece colado em terceiro lugar, com R$ 358,23 milhões.

Embora tenha bem menos trabalhadores que Ananindeua e que o próximo da lista, Marabá, Parauapebas leva vantagem em relação aos demais municípios por sua média salarial: depois de Canaã dos Carajás e Barcarena, o município oferece o melhor volume de remuneração média a seus trabalhadores, em empate técnico com Belém. Em Parauapebas, os salários pagos pela prefeitura local e as remunerações da mineradora multinacional Vale elevam as contribuições.

Marabá, com R$ 289,22 milhões, e Santarém, com R$ 254,11 milhões, aparecem na sequência, com volumes consideráveis de contribuição previdenciária. Merecem destaque também os municípios de Barcarena (R$ 210,53 milhões), Castanhal (R$ 180,22 milhões), Paragominas (R$ 136,16 milhões), Canaã dos Carajás (R$ 126,9 milhões) e Altamira (R$ 126,55 milhões), com razoáveis estoques de massa trabalhadora e contribuições graúdas.

Pobres na ponta

Na outra ponta, estão municípios pobres do estado, com contribuições pequenas. A menor de todas vem de Mojuí dos Campos, onde a Receita Federal recolheu aproximadamente R$ 475 mil. Mojuí não seria o lanterninha não fosse uma razão: é o município mais novo do Pará, desmembrado de Santarém. Em razão disso, muito de sua arrecadação em GPS e Darf ainda está atrelado ao município-mãe.

Bagre (R$ 610,91 mil), Santa Cruz do Arari (R$ 867,82 mil), Colares (R$ 1,31 milhão) e Magalhães Barata (R$ 1,51 milhão) completam o time que menos receitas previdenciárias deu à União. Eles são municípios com baixa capacidade de geração de emprego formal e renda, bem como de arrecadação. Paralelamente, ostentam indicadores de pobreza alarmantes.

Confira a lista preparada pelo Blog do Zé Dudu com a relação das receitas previdenciárias arrecadadas pela Receita Federal nos 144 municípios paraenses ao longo de 2018.

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