Caveira gira metralhadora contra deputados e servidores (Atualizado)

Na sessão de hoje, deputado do PP chama políticos de “canalhas”, servidores de “inoperantes” e defende fechamento do Congresso, deixando todos atônitos.
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Bem ao estilo do presidente Jair Bolsonaro, o deputado Caveira (PP) conseguiu deixar todo mundo atônito na sessão de hoje (30) da Assembleia Legislativa durante o debate sobre os problemas enfrentados pela Casa, como a falta de energia elétrica, que nesta quarta-feira obrigou a transferência da sessão do plenário para o auditório João Batista.

Sem medir palavras, Caveira não poupou os deputados, acusados por ele de estarem mais interessados nas benesses do cargo a defender os interesses da sociedade. “Não bastam as regalias e mordomias que o deputado já tem, e não está satisfeito”, criticou Caveira, que foi ainda mais longe: “A maioria é canalha”.

Ao defender a instalação de pontos eletrônicos na Alepa, para o controle da frequência na Casa, o líder do PP insinuou que a maioria dos servidores do Legislativo registrados na folha de pessoal não trabalha. “Não cabem 3,2 mil funcionários aqui não. Se colocar ponto, vão aparecer uns mil”, disparou ele, que questionou sobre a aplicação do orçamento da Alepa.

Para Caveira, a Casa não teria problemas com falta de energia se já tivesse comprado um gerador. “Qual solução para esta Casa de leis, que tem R$ 1 milhão por dia? Comprar um gerador”. Dinheiro, ressaltou ele, a Alepa “tem demais”. E lembrou que há ações judiciais contra o Legislativo. “Esta Casa está envolvida em várias denúncias no Ministério Público. Tem que investir”.

O líder do PP reconhece que não começaram nessa legislatura os problemas estruturais no prédio da Assembleia nem as decisões tomadas pelo parlamento para atender interesses do governo do Estado e que são contrários ao da sociedade, como o “enterro” da CPI da Celpa, para investigar irregularidades que estariam sendo praticadas pela empresa.

A CPI, disse Caveira, “foi enterrada por incompetência desta Casa. Essa patifaria acontece aqui não é de hoje”. E arrematou: “A culpa não é de vocês não, mas de outras legislaturas”. Os ataques não ficaram por aí. “Cadê o Exército para fechar o Congresso Nacional?”, defendeu Caveira, para quem a Alepa só precisa de três e não de 41 deputados. “Tem muita patifaria, muita hipocrisia nesta Casa”.

Reação plenária

A metralhadora giratória do deputado Caveira começou depois que o líder do Governo na Alepa, deputado Chicão (MDB), foi à tribuna reclamar da inversão da Ordem do Dia. Com a transferência da sessão para o auditório João Batista, houve acordo entre os deputados para que os trabalhos em plenário começassem pela discussão e votação dos requerimentos, pulando os horários de Liderança e Grande Expediente.

“Não posso concordar que o Regimento Interno seja atropelado. Temos horários para serem cumpridos na sessão”, apontou o líder governista, que disse ter ficado “surpreso” com a inversão da Ordem do Dia. Na presidência, o deputado Renato Ogawa (PL) prestou os esclarecimentos sobre o acordo, votado e aprovado pelos parlamentares, e frisou que tudo foi feito de forma muito transparente.

Ogawa observou que o início da sessão atrasou em quase uma hora, devido à transferência para o auditório, e que a pauta de projetos não seria comprometida. “Espero que a gente não tenha mais polêmica e que as coisas fiquem compreendidas entre nós”, apelou ele, para ver a polêmica ser acirrada logo em seguida quando concedeu a palavra ao deputado Caveira.

O presidente da Alepa, deputado Dr. Daniel Santos (MDB), juntamente com o governador Helder Barbalho, ainda se encontra na Itália, onde foi participar de reuniões sobre o desenvolvimento sustentável e os problemas ambientais na Amazônia. Não pode ver a reação dos demais deputados com o pronunciamento do líder do PP.

Ninguém chegou a exigir respeito de Caveira. Era visível o desconforto entre os deputados, que pareciam não saber como reagir diante do peso das palavras do líder do PP. Os que usaram a tribuna para refutar as críticas do colega, como Igor Normando (Pode), Raimundo Santos (Patri), Jaques Neves (PSC) e Toni Cunha (PTB), foram ponderados e destacaram a importância e o valor da democracia ao mesmo tempo em que condenaram os regimes ditatoriais.

Sem democracia, observou Igor Normando, “deputados não poderiam subir nesta tribuna para dizer o que pensam”. Ao desabafar da tribuna, ele contou que entrou política ainda muito jovem e “sem apadrinhamento”. Isso por acreditar que a política “tem poder de transformar a sociedade”.

Para Normando, o parlamento precisa recuperar os grandes debates. “Se não tivermos essa compreensão que nós somos os principais responsáveis por essa mudança, estamos fadados – parafraseando aqui (a cantora Elis Regina) Elis Regina – a viver como nossos pais”. Jaques Neves também chamou os colegas à reflexão. “A gente precisa refletir o que está acontecendo neste momento, o que ocasionou esta mágoa”, disse ele.

Ao se contrapor às críticas de Caveira, Chicão também fez um resumo da sua vida até chegar ao parlamento. Sempre com a fala mansa, mas se mostrando nervoso, disse que aprendeu na vida que “as pessoas têm que ter respeito”, lembrou que Caveira também é servidor público e alertou que palavras usadas pelo líder do PP “são antirregimentais”.

“Eu estou com quatro legislaturas e me honra muito repetir legislatura porque é o reconhecimento do povo”, disse Chicão. Ao defender os servidores, atentou que entre todas as categorias há os bons e os maus profissionais e que não pode haver generalização.

Contudo, as ponderações do líder do governista não convenceram nem acalmaram Caveira. “Não vou retirar o que eu disse”, avisou ele, que alegou tão somente ter falado a verdade “e a verdade dói”. “A maioria é, sim, inoperante. Não só aqui na Assembleia Legislativa, mas do STF (Supremo Tribunal Federal) ao gari”, voltou a criticar o líder do PP, que ainda tentou provocar Chicão, pedindo para ele rebater as críticas feitas aos políticos. “É só hipocrisia. Até onde vamos continuar com essa palhaçada, com essa babaquice”.

A sessão foi encerrada às 12h30 sem que os projetos fossem votados.

Por Hanny Amoras – Correspondente do Blog em Belém

NOTA DE REPÚDIO

O SINDALEPA-Sindicato dos Servidores da Assembleia Legislativa do Pará, por sua DIRETORIA, reunida em sua sede social no dia 31 de outubro de 2019, vem tornar público o REPÚDIO ao discurso desvairado, acintoso e odiento proferido pelo Deputado Kaveira contra os servidores públicos do Poder Legislativo do Pará.

É sabido, que por força normativa do Parlamento Estadual do Pará, cada Parlamentar tem o direito legítimo à determinado número de Assessores, para o bom desempenho de suas prerrogativas como ocorre em todo o território nacional.

É sabido também que as peculiaridades da prestação de serviços aos membros de todo Parlamento, por seus servidores, nem sempre permitem a sua presença física no seu local de lotação, ante a imensidão geográfica do Pará. Portanto, sem considerar as diversas, imperiosas e singulares idiossincrasias do serviço público parlamentar, não se pode acusar levianamente a generalidade dos servidores públicos da ALEPA, sob pena descambar na caricatura grotesca da infâmia, da injúria, da calúnia e da difamação de toda uma coletividade que com seu ínclito labor, tem horado a Poder Legislativo do Pará por décadas de atuação competente e ilibada.

Por isso repudiamos o discurso ferino do Deputado Kaveira, que no mal uso de sua prerrogativa, assaca genericamente contra todos os servidores, acusações impróprias que depõem contra o decoro e o sentimento de dever cumprido dos servidores da ALEPA.

O presente REPÚDIO será válido, enquanto permanecer a falta de retratação!!!

Dê-se ciência, publique -se e comunique a Mesa Diretora da ALEPA e respectivos Parlamentares.

Belém/PA, 31 de outubro de 2019.

A DIRETORIA DO SINDALEPA.

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