Parauapebas

Governo trabalha para reduzir casos de sífilis congênita em Parauapebas

Rede Cegonha orienta constantemente grávidas em pré-natal a fazerem testes e exames, para, em caso de resultados positivos, iniciarem o tratamento imediatamente

Mantidos em números aceitáveis, no período de 2008 a 2012, os casos confirmados de sífilis congênita foram decrescendo, caindo de 8% para 4,9%, de acordo com a taxa de detecção para cada 1.000 nascidos vivos. Porém, no ano seguinte, 2013, o número de casos subiu vertiginosamente para 9,7%, continuou crescendo e, em 2014, chegou aos 13,6%.

Em 2015 houve uma redução, apesar de pouco expressiva, na taxa de detecção da doença, registrando 11,8% para cada 1.000 nascidos vivos, com 59 casos confirmados. Já em 2018, a realidade é outra, apresentando 46 casos, o que representa 9,6% de acordo com a taxa de detecção.

Ação do governo em favor das crianças

Para combater, prevenir e tratar a doença, a rede municipal de saúde tem em suas unidades testes rápidos ou laboratoriais para sífilis, disponíveis a todos quantos precisarem. A sífilis só é transmitida de duas formas: pela relação sexual; e transplacentária, quando a mãe transmite para a criança ainda no útero.

Gleice Reis, organizadora da Rede Cegonha, orienta que toda grávida em pré-natal precisa fazer o teste para sífilis, permitindo avaliar se precisam ser requisitados outros exames, a fim de iniciar tratamento, em caso de resultado positivo para sífilis. “Sempre orientamos que a sífilis é uma doença milenar, porém continua atual. Prova disso é que todos os meses são diagnosticados, pelo menos, 45 novos casos em nosso município”, revela afirma ela, qualificando esse número como muito grave.

Doença silenciosa, a sífilis se apresenta com sinais indolores, em forma de pequenas feridas nos órgãos genitais, que desaparecem rapidamente e voltam a aparecer. “Por ser indolor, a pessoa ignora. Mas, posteriormente, traz lesões, principalmente nas mãos e nos pés, podendo, se não tratadas, evoluir para a forma terciária, acometendo o cérebro, o fígado e outros órgãos”, alerta Gleice, reconhecendo não se tratar de uma doença simples.

Um entrave na redução de casos da doença é, segundo Gleice, a resistência de vários homens que não querem fazer o tratamento, devido à ministração dolorosa de alguns medicamentos, mitos que, na opinião dela, precisam ser desconstruídos, para que os pais passem a dor e evitem a entrada dos recém-nascidos na UCIs (Unidades de Cuidados Intensivos), tratando de sífilis congênita.

Sífilis congênita em números

Os maiores percentuais de casos de sífilis congênita, entre os anos de 2008 e 2018, ocorreram em crianças cujas mães tinham entre 20 e 34 anos de idade. Em 2018, 65,22% dos casos de sífilis congênita ocorreram em bebês de mães com idade entre 20 e 34 anos; 26,09% de 15 a 19 anos; 6,52% de 35 a 49 anos; e 2,17% de 10 a 14 anos de idade.

Analisando o número de casos de sífilis congênita por mães que tiveram acesso ao pré-natal, verifica-se que, ao longo dos últimos dez anos, quase 100% das mães que tiveram bebês com sífilis, realizaram o pré-natal.

Quanto à escolaridade materna, observou-se que a maioria apresentava Ensino Fundamental incompleto, representando, no ano de 2018, 43,48% (20/46) dos casos; seguidos das mães com ensino médio completo, que apresentaram 30,43% (14/46) dos casos confirmados.

Em relação ao momento do diagnóstico, em 2018, 78,26% (36/46) tiveram diagnóstico de sífilis durante o pré-natal; 17,39% (8/46) no momento do parto/curetagem; e 2,17% (1/46) após o parto, além de 2,17% (1/46) ignorados. Sendo importante ressaltar que não houve casos de mães que não realizaram o pré-natal, demonstrando a total adesão destas ao programa assistencial.

Óbitos tendo como causa a sífilis congênita

Quanto à mortalidade infantil (em menores de um ano de idade) por sífilis congênita, no período de 2011 a 2018, o número de óbitos declarados no Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM) foi de 20 casos. Em 2018, foi declarado no SIM um óbito por sífilis em criança menor de um ano, o que corresponde a um coeficiente de mortalidade de 0,2 óbito por mil nascidos vivos. Os anos que apresentaram a maior taxa de mortalidade infantil por sífilis congênita foram 2013, 2014 e 2015, com o pico em 2014, registrando 1,5 óbito/mil nascidos vivos, ultrapassando a meta de eliminação da sífilis congênita de 0,5 caso de sífilis congênita por mil nascidos vivos, proposta pelo Ministério da Saúde – MS em parceria com a Organização Mundial de Saúde – OMS – e Organização Pan-Americana de Saúde – OPAS.

Os números e gráficos usados nesta matéria foram fornecidos pela Vigilância em Saúde da Secretaria Municipal de Saúde de Parauapebas.

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