Saúde de Marabá é referência para 1 milhão em 25 municípios

Influência do município na oferta de serviços de baixa, média e alta complexidades rompe a divisa do Pará. Itupiranga e Jacundá são maiores fregueses. Para Marabá, referência é Belém.
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Na Região Norte, entre os municípios de interior, Marabá conseguiu, ao longo de décadas, consolidar uma posição hoje só vista pelos paraenses Santarém e Castanhal mais o tocantinense Araguaína. É a de superconcentrar serviços na área da saúde, fazendo com que a população de municípios da vizinhança e até de outros estados venham beber de sua água. Por essa e outras razões, tornou-se uma capital regional que influencia diretamente cerca de 30 municípios, muitas vezes, inclusive, sobrecarregando-se.

Um estudo inédito do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ainda não divulgado na íntegra, mas ao qual o Blog do Zé Dudu teve acesso, revela que, em tempos de pandemia do novo coronavírus e do rebuliço no sistema de saúde, Marabá tem a melhor e mais completa estrutura de saúde do sudeste paraense, embora seja menos rico que Parauapebas. As informações constam da pesquisa Regiões de Influência das Cidades (Regic) 2018, cujos dados o Blog analisou neste sábado (18).

O IBGE antecipou dados da Regic 2018 referentes aos deslocamentos para saúde para munir o Ministério da Saúde com vistas à formulação de estratégias para enfrentamento da Covid-19, dadas as diferentes realidades regionais.

O estudo discrimina dois grandes conjuntos de serviços de saúde acessados pela população: os de baixa e média complexidades (como consultas médicas e odontológicas especializadas, raio-x, colocação de gesso, serviços de ortopedia e fisioterapia, pequenas cirurgias sem internação, entre outros), tanto na rede pública quanto na privada; e os de alta complexidade (a exemplo de internações, procedimentos cirúrgicos mais invasivos, exames de ressonância e tomografia, tratamento de câncer, entre outros)

Marabá, ao lado de Santarém, Castanhal, Redenção e Capanema, faz com que o Pará, apesar de ser um estado extenso, tenha média de deslocamento por serviços de saúde de 120 quilômetros, revela o IBGE. Isso se deve, de acordo com a pesquisa, à centralidade exercida por Marabá, que polariza um enorme conjunto de serviços de referência.

Baixa e média complexidades

Para serviços de baixa e média complexidade, Marabá é referência — e destino — para 25 municípios que, juntos, totalizam 1,107 milhão de habitantes, extrapolando até as divisas do Pará. É que, para 20% da população que deixa o município de São Pedro da Água Branca, no Maranhão, à busca de atendimento de saúde, Marabá é o lugar ideal.

Mas ninguém usa mais os equipamentos e a rede de saúde marabaenses quanto os moradores de Itupiranga e Jacundá, ambos os quais optam em 83,3% das vezes por Marabá a qualquer outra cidade. Os municípios que menos usam — mas usam — os serviços de saúde de Marabá são Ourilândia do Norte e Tucumã, onde apenas 6,7% dos moradores têm a principal cidade do sudeste do Pará como destino.

Mesmo em Parauapebas, que já conta com serviços diversificados e bem avançados de saúde, nas redes particular e pública, 40% das pessoas que preferem atendimento fora optam, imediatamente, por Marabá no tocante a procedimentos de média complexidade, superando até a opção por Belém, que fica em 26,7%. O próprio Parauapebas já vive abarrotado por ser a referência imediata para 100% dos moradores de Curionópolis e para 66,7% dos moradores de Eldorado do Carajás, além de 13,3% dos habitantes de Canaã dos Carajás tê-lo como referência.

Serviços de alta complexidade

Quanto a serviços de alta complexidade, Marabá comanda 25 municípios também, mas com população menor, sem a participação, por exemplo, de Parauapebas, que tem em Araguaína-TO (38,3%) e Teresina-PI (33,3%) o principal destino de atendimento. Nessa área, os municípios que mais dependem de Marabá são Abel Figueiredo (76,7%), Eldorado do Carajás (58,3%) e Curionópolis (53,3%).

Por outro lado, na escala de importância da população de Marabá no que diz respeito a tratamento de saúde, Goiânia é destino de 3,3% dos moradores, seguido de Araguaína, com 13,3%, e Teresina, com 18.3%. Mas é Belém, com 54%, o principal ponto de referência para a saúde do povo marabaense, até por ser mais completa, inclusive, que Goiânia.

Curiosamente, para parte da população de lugares fora do Pará, Belém é a maior referência por ser metrópole famosa e, entre elogios e críticas, muito aclamada. A capital paraense oferece serviços que são consumidos, além dos próprios belenenses, por 6 milhões de habitantes do interior do estado e por outros 562 mil moradores de estados vizinhos, como Amazonas, Amapá e Maranhão, estima o IBGE. Moradores de Parintins-AM, Santana-AP e Cururupu-MA, que têm de viajar centenas de quilômetros, que o digam. Belém é, segundo a Regic 2018, uma das metrópoles que exercem o maior poder de atração para cuidar de saúde, ao lado de Manaus-AM, Belo Horizonte-MG, Porto Alegre-RS, Goiânia-GO e Teresina-PI.

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