Prefeitura de Parauapebas quer ressuscitar igarapé maltratado por falta de saneamento

Para tanto, governo Darci busca consultoria por R$ 3,2 milhões. Além disso, prefeito quer dar tapa no visual da “Feira do Produtor” por R$ 1,5 milhão. Enquanto isso, Mercado Municipal e escolas agonizam sem reforma.
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Ficou de acontecer ontem (15) — mas ainda não se sabe o resultado por canais públicos — a abertura de envelopes para a uma mega licitação de R$ 3.211.210,70, por meio da qual a Prefeitura de Parauapebas quer contratar uma consultoria para elaborar estudos e projetos que consubstanciem um projeto maior: o de saneamento ambiental, macrodrenagem e recuperação do Igarapé Lajeado, que corta o município.

Segundo o Executivo, a contratação atende os parâmetros para a recuperação do manancial e de suas margens com vistas a melhorar o sistema de abastecimento de água, potencializar a oferta de esgotamento sanitário e priorizar o manejo de águas pluviais de bairros periféricos. A licitação integra um calhamaço de papel maior que a prefeitura chama de Programa de Saneamento de Parauapebas (Prosap), o mesmo que o Blog do Zé Dudu já reportou no dia 8 de novembro do ano passado e segundo o qual a população local só terá 100% de saneamento daqui 20 anos. O procedimento inteiro, de tocar saneamento de cabo a rabo em Parauapebas, vai custar aos cofres públicos R$ 1,85 bilhão.

O Blog levantou que o Igarapé Lajeado possui 13,5 quilômetros de extensão e que, ao longo de seu curso, a mata ciliar está bastante degradada, além de seu leito encontrar-se em estágio avançado de assoreamento dada a alta carga de sedimentos que o corpo hídrico recebe de um canal de drenagem, localizado à sua esquerda. O Lajeado recebe 17% do deságue de águas pluviais na área urbana de Parauapebas, notadamente dos bairros Cidade Jardim, Minérios e Casas Populares 2.

Inexplicavelmente, a Prefeitura de Parauapebas alega à Secretaria do Tesouro Nacional (STN) ter gasto mais de meio bilhão de reais, entre 2008 e 2018, em despesas com saneamento, mas isso nunca chegou à população municipal — ou, no máximo, precariamente.

Reformas

Outra licitação que está caminhando é a da reforma e ampliação do prédio do Conselho Tutelar, no Bairro Rio Verde. Pelo edital, a Prefeitura de Parauapebas vai gastar R$ 388.280,53, e o alto custo do processo, para um prédio que já está pronto, chamou a atenção do Blog, que folheou o edital do projeto e constatou que, pelo valor, o governo municipal deve derrubar o prédio atual e erguer um novo, folheado a ouro.

Além da reforma do prédio do Conselho Tutelar, a prefeitura que dar um tapa no visual do Centro de Abastecimento de Parauapebas (CAP), a chamada “Feira do Produtor”, que fora inaugurada faz pouco mais de quatro anos. Valor da empreitada? Incríveis R$ 1.502.272,66. Enquanto a Feira do Produtor recebe mimos do prefeito Darci Lermen, o Mercado Municipal do Rio Verde padece com falta de reforma e, a cada inverno, é afetado com alagamentos decorrentes da falta de rede de esgotamento sanitário e manejo de águas pluviais. Além disso, o governo municipal não conseguiu, até o momento, entregar uma escola construída ou sequer reformada à comunidade.

Para justificar a reforma milionária do CAP, a prefeitura alega que uma equipe da Secretaria Municipal de Obras (Semob) esteve no local “com objetivo de realizar os devidos levantamentos” e teria confirmado “a necessidade de realizar as obras solicitadas”. A obra é de “total interesse da administração”, argumenta o Executivo, indicando que o prédio “encontra-se com inúmeros problemas, desde a necessidade de mais espaço aos produtores até infiltrações nos banheiros”.

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