Prefeitura de Jacundá baixa a bola em licitação de defuntos

Governo de Ismael Barbosa deu braço a torcer e reduziu projeção de mortos de 300 para 250, o que ainda é alto. Custo estimado da licitação caiu R$ 110 mil em relação a processo anterior.
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Nesta quarta-feira (4), a Prefeitura de Jacundá vai apreciar as propostas comerciais para a prestação de serviços funerários a famílias carentes do município. A novidade é que a administração, enfim, caiu na real e resolveu refazer as contas da quantidade anual de mortos. Se no processo anterior o governo previu o óbito de 300 jacundaenses sem qualquer critério técnico explícito, o que foi criticado pelo Blog, que se valeu de números oficiais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para contrapor, agora a administração calcula que 250 pessoas devem estar de partida deste plano ao longo do ano.

Entretanto, o Blog verificou mais uma vez junto ao IBGE — que, por sinal, divulgou a mais recente pesquisa sobre nascimentos e mortes nos municípios após o anúncio da licitação do ano passado — e constatou que o número de enterros em Jacundá caiu de 201 registros em 2017 para 195 em 2018. Enquanto isso, a prefeitura local “quebrou” o número estimado de mortes e, também, baixou a cotação unitária de serviços funerários em R$ 166 para adultos e R$ 266 para crianças, confirmando o cúmulo de absurdos presumidos pelo Blog na licitação anterior.

Diminui aqui e ali, aumenta acolá

Só que a administração não deu ponto sem nó. O Blog comparou os dois processos e percebeu que a prefeitura aumentou a quilometragem do translado, que era de 50 mil e passou a ser de até 60 mil quilômetros. Mesmo baixando 17 centavos na referência unitária do custo do quilômetro, a projeção de despesa global com traslado ficou cerca de R$ 25 mil mais cara.

O Blog analisou que os preços de referência do processo recauchutado foram cotados em três funerárias: a Vita Pax, de Jacundá; a Unipax, de Nova Ipixuna; e a Pax Novo Estado, com sede na cidade de Nova Olinda, no Tocantins. A justificativa da prefeitura é a mesma de antes: o “interesse público”, pelo fato de atender a famílias de baixa renda do município, as quais teoricamente não têm condições financeiras de arcar com custos de funeral de seus entes queridos.

Ainda não se sabe se a administração vai rever, mais uma vez, os cálculos e otimizar o valor, que continua salgado. Isso porque todo mundo morre de saber que nem todos os 195 habitantes que falecem anualmente vão depender de serviços funerários da prefeitura. É bem mais fácil que parentes e familiares se unam e façam uma vaquinha para arcar com as despesas do funeral que esperar pela burocracia governamental. E tem mais: ninguém deseja fazer o primeiro “teste” desse gasto público.

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