Jacundá quer gastar R$ 13,5 milhões em “materiais de consumo”; veja como

Em tempos de carne com preço nas alturas, governo de Ismael Barbosa autorizou a compra de dezenas de toneladas. No município, 21.800 pessoas dependem de bolsa família para comer.
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Quem for servidor da Prefeitura de Jacundá vai passar muito bem, obrigado, ao longo de 2020. É que o prefeito Ismael Barbosa autorizou uma licitação dos deuses para registrar preços de itens de materiais de copa e cozinha, limpeza e higienização, bem como gêneros alimentícios, com vistas ao abastecimento de todos os órgãos da estrutura administrativa. O “charme” do processo, cujo custo é estimado em R$ 13.463.172,72, está nos itens que o compõem — 366 ao todo. As informações foram levantadas com exclusividade pelo Blog do Zé Dudu e estão disponíveis na página do Tribunal de Contas dos Municípios (TCM), e você pode verificar aqui. A conferência das propostas comerciais foi prevista para hoje, quinta-feira (30), na sala da Comissão Permanente de Licitação (CPL) da prefeitura.

O Blog folheou na íntegra as 61 páginas do edital da licitação e observou intenções de compra para lá de curiosas, além de ter identificado a falta de referência de valor para o produto “bacia em inox”, que ficou zerado. A aquisição mais cara vai ser a de pouco mais de 5.000 liquidificadores industriais de cinco velocidades, com custo unitário de R$ 228. O total da compra desses objetos é de R$ 1,148 milhão.

A ideia do governo de Ismael é, também, comprar 8.000 fardos de fraldas descartáveis com 36 pacotes cada. Por tudo isso, serão gastos aproximadamente R$ 2,11 milhões. O item mais numeroso é a recarga de galões de água mineral de 20 litros. A Prefeitura de Jacundá estima fazer pelo menos 22.880 recargas, com custo global de aproximadamente R$ 217 mil. O produto com o custo unitário mais barato é a esponja em espuma dupla face, que sai por 61 centavos — e a administração quer pedir 2.660.

Guloseimas

Entre os 366 itens que vão ser licitados pelo governo de Jacundá, o Blog do Zé Dudu contabilizou ao menos 142 referentes a produtos alimentícios, totalizando R$ 3,18 milhões. Esse valor é superior aos R$ 2,87 milhões da licitação da merenda escolar (sem contar o R$ 1,17 milhão em produtos da agricultura familiar adquiridos via chamamento público), que visa à alimentação de 10.400 estudantes de escolas públicas do município.

Tem de tudo. As carnes são os produtos mais caros. A intenção da gestão de Barbosa é adquirir 5,75 toneladas de carne de primeira, que totalizam pouco mais de R$ 201 mil. Também devem ser compradas 5,35 toneladas de carne de segunda por aproximadamente R$ 150 mil. Estima-se que sejam comprados, ainda, 5,25 toneladas de patinho, o que vai custar quase R$ 147 mil aos cofres públicos, além de igual volume de carne moída, ao custo de mais de R$ 126 mil. E tem ainda 4,25 toneladas de costela bovina por cerca de R$ 101 mil e 1,05 tonelada de charque por aproximadamente R$ 43 mil.

Em tempos de carne bovina cara, a Prefeitura de Jacundá também deve mandar pedir até 7,16 toneladas de peito de frango ao custo de R$ 93 mil; 3,28 toneladas de coxas e sobrecoxas por R$ 60 mil; 4,95 toneladas de frango congelado por cerca de R$ 51 mil; e 3,28 toneladas de coxa com osso por R$ 44 mil. Tem espaço também para 2,16 toneladas de linguiça calabresa de carne suína por aproximadamente R$ 53 mil e 950 quilos de calabresa mista por R$ 16 mil. É muita carne, sem contar aperitivos como 2,35 toneladas de salsicha por R$ 19 mil. Entre presunto e queijo, são 2,65 toneladas e R$ 102 mil.

São ao menos 6.200 frascos de refrigerantes de dois litros que somam R$ 55 mil; pêssego e ameixa em caldas que totalizam quase R$ 5 mil; biscoitos de diversos tipos, produtos lácteos aos montes e frutas, verduras e legumes frescos, entre outros. Tudo para ninguém botar defeito. Em nota de justificativa — de seis páginas — encaminhada ao TCM para respaldar a licitação, a administração de Ismael Barbosa alega sucintamente que “os produtos serão destinados para atender as necessidades do município”. Segundo a gestão, o quantitativo dos materiais de consumo e serviços foi previsto pelas secretarias com base no uso mensal durante o ano passado. O Blog, embora estranhe os volumes adquiridos, entende que as aquisições de parte dos alimentos visa a atender a demandas das áreas de saúde (pacientes) e assistência social (beneficiários de ações e programas sociais). Atualmente, segundo o Ministério da Cidadania, cerca de 21.800 habitantes do município têm no programa Bolsa Família a única fonte de renda para saciar a fome. É esperado que essas toneladas de carnes e os demais alimentos adquiridos cheguem a eles no decorrer deste ano. A conferir.

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