Parauapebas atropela metrópoles e vira gigante no emplacamento de veículos novos

Capital do Minério bate com folga 16 das 27 capitais em adição média de frota. No Norte, só é superada por Manaus; servidores públicos municipais e motoristas de app são os protagonistas

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Um conjunto de fatores acumulados nos últimos três anos alçou a Capital do Minério atualmente ao posto de cidade que mais emplaca carros e motos zero quilômetro no Pará, superando, inclusive, Belém, metrópole com 1,51 milhão de habitantes, seis vezes mais que a população de Parauapebas. Dados que acabam de ser divulgados pelo Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) nesta sexta-feira (20) mostram que no primeiro quadrimestre deste ano o município emplacou 809 veículos novos, em média, por mês, o que exibe a força de sua participação no mercado automotor nacional.

As informações foram levantadas com exclusividade pelo Blog do Zé Dudu, que analisou números da frota nacional de abril e cruzou com os de dezembro do ano passado. Nos primeiros quatro meses de 2022, Parauapebas emplacou 3.236 veículos em números absolutos, mais que os 2.649 registrados em Belém. Na capital paraense, a média de emplacamentos no primeiro quadrimestre ficou em 662 unidades por mês.

Mas o município titular das maiores operações de minério de ferro de alto teor do mundo também fez comer poeira outras cidades grandes, como Recife (1,66 milhão de habitantes), que emplacou em média 760 unidades mensais; São Luís (1,12 milhão de habitantes), que registrou 662 emplacamentos; e Porto Alegre (1,49 milhão de habitantes), que registrou 272 unidades emplacadas por mês, três vezes abaixo do município paraense.

As razões pelas quais Parauapebas experimenta hoje a 21ª colocação nacional, entre 5.570 cidades brasileiras, no ranking de adição de frota têm sido percebidas nos últimos tempos pelo mercado de consumo local. O grande número de postos de trabalho com carteira assinada gerados entre 2019 e 2021 potencializou novas aquisições, assim como a graúda massa salarial despejada pela mineradora multinacional Vale, que, com seus 8.800 empregados, faz com que as bonificações recebidas pelos trabalhadores a título de participação de lucro não raramente se transformem em carro novo.

Um motor chamado servidor público

Entre todas as razões, a Prefeitura de Parauapebas é a mais especial para todo esse inchaço da frota local, que quase já não cabe mais nas ruas estreitas de uma cidade que, inicialmente, fora pensada para 50 mil habitantes e que hoje tem o quíntuplo disso — e olhe lá se os dados do próximo censo demográfico não revelarem muito mais que 250 mil moradores.

Maior empregador do interior do estado em nível municipal, o Poder Executivo de Parauapebas é uma árvore frondosa sob a qual se abrigam refrescantemente 12.500 servidores públicos na administração direta e indireta. Ninguém ganha salário mínimo trabalhando com vínculo — efetivo ou temporário — para o governo de Parauapebas e também em nenhum outro lugar do Pará se vê uma quantidade tão grande de trabalhadores com mais de R$ 10 mil líquidos no final do mês como em Parauapebas.

Com contracheques tão gordos e o poder de compra no bolso, não é raro encontrar servidores comprando o primeiro veículo, trocando seu usado por um novo ou mesmo comprando um segundo ou um terceiro. Some-se a isso a “fábrica” de transporte por aplicativo que se criou em Parauapebas, com motoristas aproveitando o bom momento econômico para comprar carros e alugar para colegas a fim de faturarem fazerem corridas.

Hoje, na Região Norte, só Manaus tem cacife para emplacar frota maior mensalmente, com média de 2.374 inserções. Mas Manaus tem 2,26 milhões de habitantes, nove vezes o total de moradores de Parauapebas. No Pará, Marabá (382) já não emplaca em média sequer metade de Parauapebas por mês. Santarém (463) e Ananindeua (385) também não. Das 27 capitais brasileiras, só 11 — menos da metade — emplacam mais carros e motos que a Capital do Minério. O momento atual por que passa Parauapebas é um fenômeno curioso, que desafia leis de oferta e demanda, e pode ser único.

1 comentário em “Parauapebas atropela metrópoles e vira gigante no emplacamento de veículos novos

  1. Cidadão não cego Responder

    Parauapebas/PA bate Manaus/AM em vários quesitos! R$ da coleta de lixo/km² ou por habitante, entre outros que infelizmente os que tem poder de auditar e impedir as gastanças com suado dinheiro público não o fazem…só podem estar “cegos”…mas aqui se faz, aqui se paga! graças a Deus! uma hora a conta chega.

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