Pará tem 433 mil lares favelados e cidades com maiores proporções do país

Nem mesmo as cidades mais endinheiradas escapam. Marabá tem quase 12 mil domicílios em favelões e Parauapebas, 6.900. Cúmulo, caos e subdesenvolvimento na ocupação do território.
Share on facebook
Share on twitter
Share on whatsapp
Share on print

Continua depois da publicidade

Não tem jeito: em quaisquer pesquisas que se façam levando em conta indicadores sociais, o Pará naufraga. A vergonha da vez para um dos estados que mais produzem riquezas no país diz respeito às condições de moradia da população. Em 2019, cerca de 432.500 residências paraenses estavam erguidas em lugares considerados favelas, em várias cidades de todas as regiões do estado. É como se cinco áreas urbanas do tamanho de Parauapebas estivessem entupidas de cidadãos vivendo em habitações assentadas sobre ocupações irregulares, com precariedade de oferta de serviços públicos essenciais e com urbanização fora dos padrões da legislação vigente.

As informações foram levantadas com exclusividade pelo Blog do Zé Dudu, que esmiuçou um estudo divulgado nesta terça-feira (19) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para servir de suporte às ações de enfrentamento à pandemia de Covid-19 em comunidades carentes. O IBGE, cabe esclarecer, não trata diretamente as ocupações precárias de favelas, e sim utiliza a expressão técnica “aglomerados subnormais” para suavizar o impacto social do termo.

Em alguns lugares, como no Pará mesmo, os aglomerados subnormais — diferente da concepção das favelas apresentadas no Rio de Janeiro e em São Paulo — têm mais a ver com ocupações irregulares e palafitas. Seja como for, o Pará tem algumas das piores condições de ocupação urbana da terra. De cada 100 domicílios nas cidades, 20 situam-se em áreas não tituladas ou assemelhados. Só Amazonas (35 a cada 100), Espírito Santo (26 a cada 100) e Amapá (22 a cada 100) apresentam situações piores. No Mato Grosso do Sul, os lares favelados não somam sequer 1% do total.

Situação crítica nas cidades do Pará

Belém é a capital brasileira com a maior proporção de residências em áreas consideradas favelas: 55,49%. Ao todo, cerca de 225.600 domicílios belenenses prosperaram em ocupações irregulares, o equivalente a uma extensão territorial do tamanho de três cidades de Marabá. O Blog apurou que, das 141 ocupações urbanas irregulares do Pará, as 14 maiores estão na capital. As duas mais habitadas, a Baixada da Estrada do Nova Jurunas e o Assentamento Sideral, são maiores que grande parte das cidades paraenses. A Baixada tem 12.200 construções e o Assentamento, 10.100.

Na vizinha Ananindeua, 53,51% dos lares também são aglomerados subnormais. É um volume de 76.100 residências, praticamente duas cidades do tamanho de Paragominas. Águas Lindas, com cerca de 3.400 residências, tem o status de maior favela do Pará fora de Belém. Ananindeua tem, segundo o IBGE, a 2ª maior proporção nacional de domicílios em favelas entre os municípios com entre 350 mil e 750 mil habitantes, só perde para o capixaba Cariacica, que tem 61,07% de suas casas nessas condições.

Entre os municípios com entre 100 mil e 350 mil habitantes, dois paraenses estão na liderança nacional. O troféu nada honroso fica com Marituba, onde aproximadamente 23.600 dos lares (61,21% do total) estão em favelas. E Tucuruí, com cerca de 10.400 domicílios nessa condição (40,04%), leva a medalha de bronze. Além deles, entre os lugares com população na faixa de 50 mil a 100 mil habitantes, Benevides detém a medalha de bronze, com 8.600 casas em favelas (ou 42,73%). Tomé-Açu, com 5.100 domicílios (29,88%) e Breu Branco, com cerca de 4.000 (29,84%), também passam vergonha.

Marabá e Parauapebas com sua cruz

Fora dos holofotes dos primeiros lugares, as cidades de Marabá e Parauapebas, embora ricas, também têm suas favelas a zelar. Segundo o IBGE, Marabá tem 12.000 casas em ocupações irregulares que se enquadram em favelas, o correspondente a 15,42% do total. E também tem a maior ocupação irregular do interior do estado, o Bairro da Paz, com aproximadamente 3.200 endereços, praticamente uma cidade do tamanho de Curionópolis.

Já Parauapebas tem 6.900 domicílios nessa situação, o que equivale a 8,55%. O Bairro Jardim América 2, completamente irregular e fruto de invasão, segundo o IBGE, é o maior da capital do minério, com 1.300 domicílios, pouco maior que a cidade de Bannach. Mas Parauapebas tem ao todo uma dezena de bairros nessas condições, e metade deles com quantidade de habitações subestimada.

Por seu turno, Redenção, no sul do estado, tem quase 3.200 lares em quatro aglomerados subnormais, 10,33% do total.

Publicidade