Parauapebas

Os efeitos da “Operação Filisteu”

Outubro de 2012. Parauapebas elegia seu quinto prefeito com um grande sentimento de mudança. Durante a campanha vitoriosa do empresário Valmir Queiroz Mariano (PSD), o que se ouvia nas ruas …

filisteus06-golias.300x200Outubro de 2012. Parauapebas elegia seu quinto prefeito com um grande sentimento de mudança. Durante a campanha vitoriosa do empresário Valmir Queiroz Mariano (PSD), o que se ouvia nas ruas basicamente era que finalmente um empresário capaz, honesto e consciente do seria necessário fazer fora eleito. 49.080 votos, ou 55,71% dos eleitores parauapebenses optaram pela mudança.

A esperança de melhora estava explícita no rosto do povo. Os oitos anos do governo PT desgastaram o governo Darci e seu indicado, Coutinho, não foi páreo para Valmir.

Janeiro de 2013. Valmir toma posse já com um certo desgaste político. Antes mesmo da posse entreveros com aliados em virtude da indicação do secretariado fez com que boa parte do grupo que o acompanhou na campanha se dissipasse.  

O minério de ferro, principal commodity do município estava em alta e a arrecadação municipal quase que dobrava mês após mês. Dinheiro não era o problema!

Valmir, um bom empresário, mas neófito na política, não conseguiu, mesmo  com muito dinheiro nos cofres, destravar a máquina administrativa e usar a grana para cumprir as promessas de campanha. Comissão Processante de Licitação, Procuradoria Geral do Município e Secretaria de Planejamento não se entendiam. O ano de 2013 passou rápido demais para o prefeito e pouco foi feito. Culpa da burocracia, culpa da Câmara Municipal e dos vereadores?

Veio o segundo ano e a esperança de que com um novo orçamento, agora trabalhado pela equipe do prefeito, tudo seria diferente. Secretários considerados fortes e de pastas essenciais foram trocados, e retrocados, e trocados de novo… e nada do governo deslanchar. Algumas obras foram iniciadas, outras iniciadas pelo governo anterior foram concluídas e inauguradas.

Mas o governo Valmir não dava liga. Nunca na história desse município se viu tamanho desastre político. Passado pouco mais de um ano no poder, Valmir era figura não grata. Havia caído em desgraça. Os problemas de gestão continuavam e sem conseguir licitar praticamente nada, o prefeito foi pegando fama. De caloteiro, de pessoa que não cumpre palavra, de analfabeto político. Dos corredores do Palácio do Morro dos Ventos essa fama correu para as ruas. Tudo e qualquer coisa virava motivo para por a culpa no prefeito.

Nesse interim o preço do minério de ferro despencava no mercado internacional. O planejamento para 2014 foi pro buraco em virtude da especulação de que o ano seria de recordes de produção, o orçamento precisou sofrer ajustes. E, como esse governo tem um tempo de decisão diferente de tudo que já se viu no mundo político, a máquina pública emperrou de vez e a popularidade do prefeito despencou, indo à níveis nunca vistos no município.

Um modo diferente de se relacionar com o legislativo levou o governo Valmir a desacertos com a Câmara. Vereadores se uniram e formaram uma oposição pesada ao prefeito e seus assessores. Denúncias passaram a ser o tópico nas sessões da CMP. Polícia federal e Ministério Público passaram a ser o pesadelo de Valmir. Uma declaração do vereador Odilon fez com que o Ministério Público precisasse dar uma resposta à população e Parauapebas entrou de vez na rota da investigativa do crime organizado.

Tenho questões firmadas quanto a algumas dessas investigações, tanto na Câmara Municipal quanto nas secretarias do governo Valmir Mariano. A principal delas é de que falta à ambas as instituições a transparência. parece que a teimosia impera em Parauapebas. Hoje têm-se a sensação de que a impunidade já não é  vista da mesma maneira. Alguns políticos podem até pensar que investigar é uma coisa, punir é outra, mas é melhor ficar com as barbas de molho.

Essa operação certamente trará uma nova forma de fazer política em Parauapebas. Candidatos que durante a campanha gastam muito além do que podem com a certeza de que serão reembolsados quando eleitos certamente pensarão duas vezes antes de fazê-lo. Ordenadores de despesas passarão a agir de forma diferente na gestão do dinheiro público, pois têm a certeza de que doravante serão investigados.

Se a operação Filisteu levará mais políticos à cadeia ou se os presos continuarão por uma boa temporada por lá, ainda não se sabe. Contudo ela serviu pra despertar o MP em Parauapebas, que sempre foi muito cauteloso quanto a investigar os agentes políticos locais.

Se comprovado que houve malversação  do dinheiro público por conta da administração Valmir Mariano e na Câmara que se aplique a Lei. O dever da justiça é investigar, apurar e determinar a punição. O dever da oposição é especular para tentar fragilizar ao máximo quem já está frágil.

Com sensatez a população saberá separar o que é especulação do que é certo, já que 2016 escolherá vereadores e prefeito novamente. E esse eleitor já está mais maduro do que outrora. Ele, devido a tudo que vem passando no Brasil, e em Parauapebas em particular, já sabe que em política não tem santo e que tudo não passa de conveniências. 

Espero que essa operação do MP desperte o governo. Com a popularidade tão baixa, só resta a ele arregaçar as mangas e ir ao trabalho. Tomara que isso aconteça, quem sabe se no afã de ver de volta a popularidade que o cacife a disputar uma reeleição, Valmir Mariano faça nesse restinho de governo o que não conseguiu fazer em quase três anos. A população agradeceria!

8 comentários em “Os efeitos da “Operação Filisteu”

  1. Já Sabia Responder

    Uma frase que eu sugiro ao prefeito que seja gravada em sua lápide política como forma de redenção: “O MELHOR GOVERNO É AQUELE QUE DIVIDE O ERÁRIO COM O POVO”.

    As leis são horizontais e não permitem que o recurso chegue ao povo diretamente, mas quero lembrar que não comemos hospitais ou obras, como dizia o velho e querido pai: “o melhor lugar pra se morar é onde ganhamos bastante dinheiro, nem adoecemos!”. Somos vítimas do capital: quem não o tem está preso, quem tem um pouco está liberto e quem tem muito é livre!

    Estava na cara que Valmir não seria produtor, seria no máximo consumidor, ora sua empresa é prestadora de serviço da Vale, aliás a Vale é a única contratante de seus serviços. É por isso que digo a todos: “Só sabemos que estamos no céu quando vemos o inferno.”

  2. Capitão..... Responder

    Meu, o barco ta afundando…. os ratos são os primeiros a cair fora, no seu caso não seria diferente ze dudu, mamou o quanto pode! Agora tchauuu!!!

  3. Julio Cesar Responder

    Outra coisa importante em seu blog é a moderação dos comentários. Você publica todos sem exceção, mesmo os que tentam denegrir sua conceituada imagem. Ponto pra você.

  4. Julio Cesar Responder

    Permita-me descordar do senhor Carlos Alberto. Eu penso que o Zé Dudu é um dos mais imparciais blogueiros do Pará. Não se vê em seu blog denúncias sem provas, ofensas pessoais e/ou cobranças à justiça para que se pronuncie em tudo que o governo faz. No texto ele emite sua opinião sobre a operação. É triste ter que conviver com essa situação em que vivemos hoje no Brasil, onde se colocar a favor ou contra algo é sinal de descredibilidade. Pelo que acompanho Zé Dudu é governista e apesar de não ser petista também não faz ofensas e críticas ao governo do PT, o que demonstra, no mínimo, coerência. No mais é choro de quem tá de fora ou com uma baita inveja. Siga em frente, Zé Dudu e não dê papo pra qualquer um.

  5. anonimo Responder

    __O Senhor Empresário e Prefeito de Parauapebas: Valmir Queiros Mariano, tinha à maquina a seu favor…tanto estadual como municipal, eh muita ironia da parte deste senhor agora com quase 40 do segundo tempo querer colocar culpa em governos passados e na maquina municipal umas das maiores e mais ricas do Brasil, maquina de bilhões e bilhões…Não trabalhou porque não quis….!Fazendo um grande governo de grandes corruptos e corruptores, e felizmente os maiores prejudicados é o povo…!

  6. carlos alberto Responder

    De forma sutil, nas entrelinhas, o blogueiro tenta,tardiamente, salvar o pouco de credibilidade que seu blog já ostentou.Contratos publicitários com a PMP foram mais importantes do que a proposta inicial do blog de ser a imprensa séria e imparcial que parauapebas nunca teve.Ao se alinhar incondicionalmente com o Executivo,pegando carona em palavras extraidas de seu próprio texto, o blogueiro “pegou fama”de chapa-branca,ignorando, solenemente, a sucessão de fatos desabonadores que atingiam seu “cliente”.
    O jornalista waldyr Silva, decano dos blogueiros de Parauapebas,sentiu na pele o quanto a credibilidade da imprensa é incompatível com contratos publicitários firmados com o Poder Público.
    Seu blog, a época o mais lido da região, hoje é letra morta, uma espécie de ORKUT,sem finalidade e propósito.
    Tomara, Zé Dudú, que voce não tenha demorado tanto a “despertar”.É hora de “arregaçar as mangas”e partir em busca da credibilidade perdida. Desejo-lhe sucesso, portanto , pois voce não tem a menor necessidade financeira de se dobrar a interesses contrários aos pilares da verdadeira imprensa, o chamado quarto poder.E que voce(mais uma vez pedindo permissào para usar o seu proprio texto)”faça nesse restinho de governo, o que não fez em tres anos”. A população- e seus leitores- agradeceriam!

  7. Claiton Genious Responder

    Caro Zé Dudu, esse texto foi escrito por você?
    Está mal elaborado, atenção amigo, você é o melhor daqui nessa área, e os melhores são muito observados!
    Abraços!

  8. mauro Responder

    e uma tristeza vemos um município quebrado deste jeito por um prefeito tao incompetente junto um gorvernador tao burro mais tem um ditado que povo tem o governo que merece eu já estou sentido saudade governo anterior

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