Parauapebas

Internações por falta de saneamento em Parauapebas atingem maior número desde 2012

Levantamento do Instituto Trata Brasil, que cruza dados do SNIS e do Ministério da Saúde, revela que Parauapebas está adoecendo e crianças com até 4 anos são as mais afetadas.

Na atual década, enquanto a Prefeitura de Parauapebas viu quase R$ 9 bilhões abarrotarem os cofres, cerca de 1.000 pessoas foram parar na emergência dos hospitais vítimas da falta de saneamento que assola o segundo mais rico município do Pará. As informações foram levantadas com exclusividade pelo Blog do Zé Dudu, que compilou números recém-divulgados do Instituto Trata Brasil, que bebeu da fonte do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS) e do Ministério da Saúde.

E a projeção, enquanto o governo local se farta de recursos financeiros, é triste. Em 2017, último ano com dados completos e finalizados, o número de internações decorrentes de doenças de veiculação hídrica subiu e alcançou o maior patamar desde 2012. Foram 113 internações, quase o triplo das 45 registradas em 2015, quando Parauapebas chegou ao menor número de complicações de saúde por falta de saneamento básico.

Do total de internações em 2017, 86 dos casos foram por diarreia. Em 2012, o número de internações por diarreia foi 67, total que caiu para 25 em 2015. As crianças são as mais afetadas pelas péssimas condições de saneamento de Parauapebas, sobretudo aquelas com até 4 anos, que respondem por 43% das entradas no hospital.

O Blog do Zé Dudu consultou o histórico de prestação de contas da Prefeitura de Parauapebas, desde 2010, considerando-se as despesas por função, e constatou que, de lá para cá, oficialmente, a administração diz ter liquidado R$ 514 milhões em “saneamento”. Isso mesmo: mais de meio bilhão de reais, o montante mais mal aplicado do país, tendo em vista que ninguém sabe onde foi parar e as estatísticas oficiais revelam que o número de pessoas doentes no mesmo período só fez aumentar.

De 2017 para cá, até o primeiro bimestre deste ano, a Prefeitura de Parauapebas torrou R$ 85 milhões com “saneamento”, mas o esgoto continua a correr a céu aberto bem debaixo do nariz de, pelo menos, 86% da população urbana. Mesmo com sua riqueza, Parauapebas tem taxa de doenças por veiculação hídrica quatro vezes superior à de Marabá, por exemplo. Em 2017, cinco pessoas morreram na capital do minério por complicações causadas por doenças relacionadas à falta de saneamento. Ao longo da década, já são 21 mortes.

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