Indicação ao STF: Senado marca sabatina de Jorge Messias

Apesar da escolha ter ocorrido ainda em 2025, apenas recentemente, com a redução das tensões políticas, a indicação foi formalizada

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O Senado Federal se prepara para um dos momentos mais importantes da política institucional brasileira em 2026: a análise e votação do nome de Jorge Messias para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF).

O presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), senador Otto Alencar (PSD-BA), anunciou que a sabatina do atual Advogado-Geral da União ocorrerá no próximo dia 28. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (UNIÃO-AP), já sinalizou que pretende levar imediatamente o nome ao plenário da Casa, onde será dada a palavra final sobre a indicação.

INDICAÇÃO MARCADA POR DISPUTAS POLÍTICAS

A escolha de Jorge Messias não ocorreu sem turbulências. Nos bastidores, a indicação gerou atritos entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Alcolumbre.

O presidente do Senado defendia o nome do senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) para o Supremo. Diante da resistência inicial, o Palácio do Planalto optou por segurar a formalização da indicação por meses, mesmo tendo anunciado Messias como escolhido ainda em 2025.

Somente recentemente, com a redução das tensões políticas, o nome foi oficialmente enviado ao Senado, abrindo caminho para a sabatina e votação.

TRADIÇÃO DO SENADO E RARAS REJEIÇÕES

Historicamente, o Senado Federal costuma aprovar os indicados ao STF. Desde a Constituição de 1988, todos os nomes passaram pela CCJ e foram confirmados em plenário.

A única exceção relevante na história brasileira remonta a 1894, no governo de Floriano Peixoto, quando cinco indicações foram rejeitadas por falta de “notável saber jurídico” e tensões políticas típicas do início da República.

QUEM É JORGE MESSIAS

Jorge Messias, conhecido nos bastidores como “Jorge da AGU”, construiu uma carreira sólida na área jurídica e no serviço público federal.

Graduado em Direito pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), mestre e doutor pela Universidade de Brasília (UnB), foi sub-chefe para Assuntos Jurídicos da Presidência da República e teve passagens por ministérios estratégicos como consultor jurídico. Atuou também como procurador da Fazenda Nacional desde 2007 e é Advogado-geral da União desde 2023.

Com 46 anos, natural de Recife (PE), ele é visto como um quadro técnico, de perfil conciliador e com forte atuação na busca por acordos judiciais e institucionais.

DESAFIOS E CONTROVÉRSIAS

Apesar do apoio do governo, a indicação enfrenta resistências em setores políticos e jurídicos. Parte das críticas está relacionada a posicionamentos da Advocacia-Geral da União (AGU) sob sua gestão, especialmente em temas sensíveis como a ampliação de direitos ligados ao aborto legal.

Nos bastidores do Senado, a articulação política segue intensa. Aliados do governo estimam que Messias possa alcançar entre 48 e 52 votos favoráveis — acima do mínimo necessário de 41 votos para aprovação.

A VAGA NO STF E O PESO DA DECISÃO

Caso aprovado, Jorge Messias ocupará a cadeira deixada pelo ministro Luís Roberto Barroso, completando novamente os 11 integrantes do STF.

Pelas regras constitucionais, ele poderá permanecer na Corte até completar 75 anos, o que lhe daria potencial influência de longo prazo nas decisões mais relevantes do país.

PONTOS-CHAVE DA VOTAÇÃO

  • Sabatina na CCJ: 28 de abril;
  • Votação em plenário: prevista para o mesmo dia;
  • Votos necessários: mínimo de 41 senadores;

EXPECTATIVA

Com o ambiente político mais estável, a tendência é de aprovação do nome de Jorge Messias tanto na CCJ quanto no plenário. Ainda assim, a votação será acompanhada de perto, diante das articulações e do simbolismo da escolha para a mais alta Corte do país.

Carlos Magno
Jornalista DRT/PA 2627