A tensão entre o Brasil e os Estados Unidos atingiu um novo patamar nesta terça-feira (21), após um episódio que envolve cooperação policial internacional, a prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem e a expulsão de um delegado da Polícia Federal brasileira em solo americano.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o Brasil adotará o princípio da reciprocidade diplomática, podendo expulsar um agente americano que atua no país em cooperação com a Polícia Federal.
O CASO RAMAGEM: PRISÃO, FUGA E PRESSÃO POLÍTICA
O episódio teve início com a prisão de Alexandre Ramagem nos Estados Unidos. Ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro, ele foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a mais de 16 anos de prisão por participação na tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022.
Ramagem fugiu do Brasil em 2025 e passou a viver nos EUA como foragido da Justiça brasileira. Ele foi preso pelo serviço de imigração americano, na Flórida, por questões que incluem problemas com documentação e possível irregularidade no passaporte.
Após dois dias preso, foi liberado e passou a aguardar análise de pedido de asilo político.
A Polícia Federal brasileira informou que a prisão ocorreu dentro de um acordo de cooperação internacional com autoridades americanas.
EXPULSÃO DO DELEGADO BRASILEIRO
O governo dos Estados Unidos reagiu duramente e decidiu expulsar o delegado da Polícia Federal Marcelo Ivo de Carvalho, que atuava como adido policial em Miami.
Segundo autoridades americanas, o delegado teria tentado contornar os mecanismos formais de extradição, atuado para transformar o caso em deportação migratória e “estendido uma suposta perseguição política” ao território americano.
A decisão foi comunicada pela Embaixada dos EUA, gerando forte reação nos bastidores diplomáticos brasileiros.
REAÇÃO DO GOVERNO BRASILEIRO
O presidente Lula classificou a medida como inaceitável e sinalizou uma resposta imediata: o Brasil vai exercer o direito à reciprocidade.
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, reforçou que o delegado atuava dentro da legalidade. Ele também afirmou que a cooperação policial entre Brasil e EUA é formal e histórica, e que o Brasil mantém acordos semelhantes com diversos países.
Já o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, destacou que o delegado estava há cerca de dois anos nos Estados Unidos, atuando oficialmente em parceria com autoridades locais.
CLIMA DE CRISE ENTRE BRASIL E EUA
O episódio é considerado o mais recente capítulo de um desgaste crescente nas relações bilaterais, envolvendo divergências políticas, pressões diplomáticas e questionamentos sobre cooperação judicial.
Nos bastidores, diplomatas avaliam que o caso pode evoluir para uma crise mais ampla, caso haja retaliações concretas entre os dois países.
Carlos Magno
Jornalista DRT/PA 2627







