Fuga da Cadeia Pública de Parauapebas suscita várias indagações

BO registrado na 20ª Seccional Urbana de Polícia Civil relata que os três detentos que escaparam da cadeia estavam pintando o muro externo na penitenciária, vigiados por um único agente
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Noticiada pelo Blog do Zé Dudu, com exclusividade e em primeira mão, no final da tarde de ontem, quarta-feira (7), a fuga de três detentos da Cadeia Pública de Parauapebas, por volta das 15h12, deixa várias indagações a serem respondidas pela direção da penitenciária, inaugurada em novembro de 2019, e considerada pela Seap (Secretaria de Estado de Administração Penitenciária) como “exemplo de segurança no Sistema Penitenciário paraense”.

O Blog teve acesso ao Boletim de Ocorrência (BO) 00071/2021.102786-4, registrado na 20ª Seccional Urbana de Polícia Civil pelo gerente de Segurança da cadeia, Manoel Oliveira Santos, no qual ele relata como se deu a fuga de Francisco Alexandre de Sousa, Renilton de Sousa Nobre e Josenildo Leal Vital.

O documento narra que, sob os cuidados do coordenador agente penitenciário Joel Sousa da Silva, os três detentos estavam “prestando serviços de pintura no muro externo da cadeia pública”. Às 15h06, aproximadamente – ainda conforme relata o BO -, Renilton Leal de Sousa teve sua presença requisitada para queimar colchões danificados, por terem sido substituídos por outros novos.

“Desse trabalho o fogo se alastrou rápido e o coordenador solicitou que os outros dois [Francisco Alexandre e Josenildo] ajudassem arredar os colchões que não tinha (sic) queimado e as lixeiras. Porém nesse momento os três aproveitando que as chamas estavam muito alta (sic), conseguiram empreender fuga pelo lado esquerdo da cadeia”, narra Manoel Oliveira Santos no Boletim de Ocorrência.

O caso suscita várias indagações: Por que a Polícia Militar não foi requisitada para acompanhar o trabalho dos detentos na parte externa da cadeia? Por que apenas um único agente tomava conta dos três presidiários? Por que queimar colchões ali, no ambiente penitenciário, e criar uma cortina de fumaça que protegeu a fuga? E a mais gritante: Como é que um detento condenado há seis meses a 16 anos de cadeia, por homicídio qualificado, no caso, Renilton de Sousa Nobre, é destacado para fazer trabalho externo? Quais os critérios dessas escolhas?    

Com a palavra a Seap.

ATUALIZAÇÃO

O detento Josenildo Leal Vidal, um dos três fugitivos, foi recapturado na madrugada desta quinta-feira (8), na vizinha cidade de Curionópolis, a cerca de 30 quilômetros do presídio.

Por Eleutério Gomes – de Marabá