Embaixador diz que atraso do envio de insumos ao Brasil se deve a razões técnicas

Envio de insumos da China para a produção das vacinas contra a Covid-19 será acelerado, garante embaixador chinês
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Envio de insumos da China para a produção das vacinas contra a Covid-19 será acelerado, garante embaixador chinês

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Brasília – O embaixador chinês no Brasil, Yang Wanming, após reunião virtual com o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), explicou que o atraso na liberação de insumos chineses para a produção da Coronavac e da vacina de Oxford no Brasil se deve a razões técnicas e não políticas.

Maia diz que a China vai acelerar o envio da matéria-prima da Coronavac e que o embaixador deixou claro que não há obstáculo diplomático para entrega do material para os imunizantes. Segundo o presidente, há empenho do governo chinês para que os insumos cheguem o mais rapidamente possível ao Brasil.

“O governo chinês vai trabalhar para acelerar a chegada desses insumos. O diálogo com o governo de São Paulo e o Instituto Butantan vai fazer com que a gente consiga avançar o mais rapidamente possível. A decisão do governo chinês é atender a população brasileira,” destacou.

Rodrigo Maia disse ainda que, até o momento, o governo não procurou a embaixada chinesa e não houve nenhum tipo de diálogo para tratar do tema. Para Maia, não é o momento de olhar para os conflitos políticos. “É uma falta de diálogo incrível. A questão ideológica tem prevalecido sobre a questão de salvar vidas,” criticou o presidente da Câmara.

Ele destacou ainda a necessidade de manter a boa relação econômica com a China, sobretudo, para o agronegócio. “A relação traz dividendos para a China e para o Brasil, mas só a decisão do embaixador [de fazer essa reunião] é a certeza da aceleração da exportação dos insumos,” afirmou.

Grupo Parlamentar Brasil–China

O Grupo Parlamentar do Congresso Brasil–China, composto por 45 senadores e 5 deputados federais, busca incentivar e desenvolver as relações bilaterais entre os poderes legislativos dos dois países. O colegiado enviou, na terça-feira (19), um ofício ao embaixador da China, Yang Wanming, apelando à “compreensão humanística” na busca de informações sobre o fluxo de insumos para a produção de vacinas contra a Covid-19.

O Brasil precisa desses insumos para produzir a vacina contra o novo coronavírus. No domingo, a Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou o uso emergencial das vacinas Coronavac e Oxford/AstraZeneca.

No ofício, o presidente do grupo parlamentar do Congresso, senador Roberto Rocha (PSDB-MA), admite que o relacionamento entre Brasil e China foi afetado por impasses diplomáticos – o governo brasileiro fez críticas ao país asiático no ano passado –, mas avalia que esses desentendimentos “nada representam diante da fecunda cooperação realizada em diversas áreas, desde o restabelecimento das relações diplomáticas entre nossas nações, em 1974”.

A vacinação já começou em quase todo o país, mas as doses disponíveis são insuficientes. Nesta primeira fase devem ser vacinados trabalhadores de saúde, pessoas que residem em asilos com 60 anos de idade ou mais, pessoas institucionalizadas com deficiência, ribeirinhos, quilombolas e população indígena aldeada.

Por Val-André Mutran – de Brasília