Com pandemia, comércio do Pará despenca 10,5% em março

É uma derrapagem histórica. Desde que a série do IBGE começou a ser computada, em 2000, o estado jamais apresentara desempenho semelhante nem tampouco passado perto disso.
Share on facebook
Share on twitter
Share on whatsapp
Share on print

Continua depois da publicidade

É uma derrapagem histórica. Desde que a série do IBGE começou a ser computada, em 2000, o estado jamais apresentara desempenho semelhante nem tampouco passado perto disso.

Um levantamento realizado com exclusividade pelo Blog do Zé Dudu junto a números do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) acaba de constatar que o comércio varejista do Pará teve o pior março da história. Nesta quarta-feira (13), o IBGE divulgou indicadores da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), e o Pará aparece com queda de 10,5% em relação ao movimento de fevereiro, o pior resultado desde que a série histórica do instituto foi iniciada em 2000. As “águas de março” mais indigestas antes desse ano haviam sido registradas em 2016, com queda de 4,3%, e em 2006, com derrocada de 3,7% — nada, portanto, comparável à crítica situação deste ano.

O Blog analisou e cruzou dados da pesquisa segundo os quais o estado teve o 6º pior desempenho no comércio varejista, muito além da queda nacional, de 2,5% no mesmo mês. Apenas Rondônia (23,2%), Amazonas (16,5%), Acre (15,7%), Ceará (11,8%) e Distrito Federal (11,3%) tiveram resultados ainda mais decepcionantes. O único estado do país a não fechar com o comércio no vermelho foi São Paulo, com crescimento tímido de 0,7%.

No Pará, as medidas de isolamento social para frear o avanço do novo coronavírus começaram a ser tomadas na metade de março e se aceleraram a partir da última semana daquele mês. Apesar dos esforços, hoje o estado contabiliza mais de 9 mil infectados oficialmente e quase 1.000 mortes, sendo uma das Unidade da Federação onde a escalada dos óbitos mais tem picos diários e aumenta. Tudo sem contar a visível e franca subnotificação de casos.

O endurecimento de medidas pelos governos estadual e municipais fez também com que, na comparação entre março deste ano com março do ano passado, o comércio varejista do Pará retraísse 3,1%. Nesse quesito, apenas São Paulo (5,4%), Tocantins (3,4%), Mato Grosso (2,1%) e Paraíba (1%) apresentaram crescimento.

Desfiladeiro

Ontem (12), a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) divulgada pelo IBGE mostrou que o Pará cresceu em março 2%, conforme reportagem do Blog do Zé Dudu (relembre aqui). A diferença entre o crescimento de serviços e a baixa no comércio reside no fato de que este último, sustentado eminentemente no consumo das famílias, é mais sensível. Com o distanciamento social e os decretos de estado de emergência em saúde e calamidade pública, muitos estabelecimentos considerados não essenciais tiveram de baixar as portas ainda em março. Por mais que naquele mês muitas famílias até tivessem dinheiro para comprar, com muitas lojas já proibidas de abrir, seria fácil supor que os números das vendas no comércio varejista iriam despencar.

E os indicadores do comércio devem piorar em abril e maio, já que são meses “cheios” no que diz respeito aos efeitos das medidas de distanciamento e proibições. Há, contudo, segmentos dentro do setor comercial que vão ido muito bem, obrigado: supermercados e farmácias. Dados do IBGE revelam que os hipermercados e supermercados estão faturando como nunca: cresceram 16,3% e devem seguir firmes e fortes.

As farmácias ampliaram os ganhos em 1,3%. Pode parecer pouco, mas é um crescimento fantástico dado o fato de que, como ninguém gosta de estar dente, todo mundo evita pisar em farmácia. No entanto, a corrida pela compra de vitaminas e medicamentos que supostamente brecam o coronavírus no organismo — ainda que sem comprovação científica — levou a uma visível redescoberta comercial da utilidade das farmácias, todas as quais com filas de espera para remédios como hidroxicloroquina, azitromicina, ivermectina, tamiflu e o conhecidíssimo AAS, além de suplementos vitamínicos C, D, do complexo B e zinco.

Por outro lado, as lojas de roupas amargam perdas de 42,2% no movimento, enquanto as livrarias, papelarias e afins retraíram 36,1%.  As lojinhas de artigos de decoração e as famosas “1 e 99” tombaram 27,4% enquanto as de móveis e eletrodomésticos caíram 25,9%. Os comércios de produtos de informática e de escritório perderam 14,2% do movimento e os postos de combustíveis, 12,5%. Os resultados ruins estão apenas no começo.

Publicidade