Setor de serviços atropela Covid-19 no Pará e cresce, diz IBGE

Além disso, pesquisa do prognóstico da safra revela que estado deve avançar 2% este ano, com destaque para produção de soja e cacau. Nem tudo é pandemônio em meio à pandemia.
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A maior economia da Região Norte passou por cima dos prognósticos negativos de queda em diversos setores da economia em março, surpreendeu e cresceu. O Pará, no primeiro mês de pandemia do novo coronavírus, registrou alta de 1,4% no setor de serviços e foi um dos quatro do Brasil — ao lado de Amazonas, Maranhão e Rondônia — a fechar março no azul. As informações foram divulgadas na manhã desta terça-feira (12) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A notícia é boa, em meio ao turbilhão de angústias provocadas pela Covid-19, que se aproxima de 9.000 mil casos confirmados e cerca de 900 mortos aqui no estado. Mas há ressalvas: o resultado de abril para o setor de serviços, a ser divulgado no mês que vem, deve vir negativo porque abril foi o primeiro “mês cheio” com pandemia no Pará. Além disso, foi o período a partir do qual começaram a vigorar medidas mais duras para vários nichos da economia, no estado e nos municípios, o que deve impactar a economia de agora por diante.

O Blog do Zé Dudu analisou o painel de 54 páginas do estudo elaborado pelo IBGE sobre o setor de serviços e concluiu que, no primeiro trimestre deste ano, o Pará foi o 3º estado brasileiro que mais cresceu, com avanço acumulado de 2,8%, atrás apenas de Amazonas (5,4%) e Acre (3,4%). Tudo isso fruto de dinamismo do consumo das famílias e da entrada de novos negócios e operações no estado. Um dos motores do crescimento de serviços, aliás, veio da pandemia: a confecção de máscaras por microempreendedores e grandes empresas disparou no estado, retroalimentando a cadeia das costureiras, quase invisíveis na economia.

Apesar do crescimento do Pará, estados como Bahia (-6,8%), Rio Grande do Sul (-4,6%), Goiás (-2,5%), Minas Gerais e Paraná (-1,7%) apresentaram quedas de inesperadas a apoteóticas. Todos eles apresentaram os primeiros casos de Covid antes do Pará e, por isso, largaram na frente em medidas restritivas.

Prognóstico da safra

O Pará também deve ter safra recorde este ano. Hoje o IBGE divulgou novo levantamento de prognóstico de safra, tendo abril como mês de partida, e os cálculos apontam crescimento de 2% em relação a 2019 para commodities do grupo de cereais, leguminosas e oleaginosas. A expectativa é de que 2,834 milhões de toneladas sejam colhidos ante 2,778 milhões projetados para 2019 em abril do ano passado.

A soja é o grande destaque do portfólio paraense, com expectativa de crescimento de 4,2%, alcançando 1,855 milhão de toneladas, frente a 1,781 milhão de toneladas do ano passado. Já a mandioca, um dos principais produtos agrícolas da cesta do Pará, deve declinar 2,3%, passando de uma previsão de 3,92 milhões em 2019 para 3,829 milhões este ano.

Em termos de expansão de área plantada, o Blog do Zé Dudu apurou nos microdados da pesquisa que o destaque vai para a produção de cacau, que vai passar de aproximadamente 141 mil hectares em 2019 para 147,5 mil hectares este ano, avanço de 4,7%. O Pará é, há três anos, o maior produtor nacional de cacau, tendo desbancado a Bahia tanto em movimento comercial quanto em número de municípios líderes na produção, com Medicilândia, na Transamazônica, sendo o número 1 do Brasil.

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