Canaã dos Carajás: como acreditar na Celpa?

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Celpa assume culpa, inocenta Vale e poder público e população continua no prejuízo 

Na tarde de quinta-feira, 18, o superintendente regional da Celpa, Raimundo Conde de Almeida Júnior, esteve reunido com a classe empresarial e representantes de diversos segmentos da sociedade no centro de visitantes da Mina do Sossego, com a presença do representante da Vale, Eugênio Victorasso. Na oportunidade, a Celpa assumiu a culpa pela precariedade da energia em Canaã dos Carajás, inocentou Vale e poder público e prometeu que todo o problema estaria resolvido no prazo máximo de 120 dias.

A população de Canaã dos Carajás convive com o problema há vários anos, com o agravamento da situação nos dois últimos anos, quando as constantes oscilações começaram primeiro à noite, depois à tarde e agora durante todo o dia. Quem consegue trabalhar?

A Celpa, através de seguidos representantes que estiveram no município, fez diversas promessas de que o problema seria resolvido, mas elas não passaram de promessas, soma-se a isso a inoperância do poder público, que não cobra efetivamente uma solução, pois poder para isso tem de sobra.

A classe empresarial, a mais prejudicada, também só reclama, mas na hora de chamar para a união estão todos dispersos, ocupados com os seus afazeres. A população sofre as consequências, mas precisa de uma liderança para participar das manifestações de cobrança, que tardam e não acontecem.

Como exemplo, circulou pela cidade uma mensagem via SMS chamando a população para um protesto. A mensagem dizia o seguinte: “Vale e Celpa brigam e população canaense irá ficar sem a nova energia elétrica que iria beneficiar o desenvolvimento de nosso município. Se você realmente gosta de nossa cidade, protesto na entrada da Mina do Sossego no dia 12 de agosto. A aglomeração será iniciada na porta da Celpa. Vamos mostrar aos nossos governantes e a Vale quem tem maior poder sobre o município. Mostraremos quem pode mais. Avante população canaense. Se você realmente gosta da sua cidade passe adiante esta mensagem a todos os seus conhecidos, até chegar à mídia nacional”, dizia a mensagem.

Mas quem tomou a iniciativa? Faltou dizer a autoria, assim como dizer o horário do protesto. No dia marcado a cidade repousou tranquilamente, como se o problema estivesse resolvido, pelo contrário, os picos de energia pareciam que foram intensificados ainda mais, numa clara provocação. E a cidade está cada vez mais voltando ao tempo do Cedere 2, pois o gerador passou a ser novamente um item essencial.
Faltou gente– No dia da reunião na Mina do Sossego um vereador por nome Edelson Batista (PSDB) convidou a população canaense para fazer um protesto contra a Celpa na Praça da Bíblia. No dia do protesto a cidade ficou sem energia por horas, mesmo assim o número de pessoas presentes deu para contar na ponta dos dedos, para não dizer insignificante.

E olha que o vereador contratou um carro de som para convidar a população durante todo o dia. É fato que ele não tem prestígio político, mas foi louvável pela iniciativa que acabou não dando tão certo, mais uma prova da desunião e da falta de informação, pois ele certamente não sabia que estava ocorrendo uma reunião com o superintendente da Celpa.

Resultado – Na reunião na Mina do Sossego quem falou em nome da comunidade, foram o vice-presidente da Aciacca, Geomar Guerra, e Júnior Carajás, do Instituto de Desenvolvimento Social do Carajás (IDSC), que falaram sobre a situação da energia precária no município.

Em seguida foi a vez do superintendente regional da Celpa que, depois de breve explanação técnica sobre o sistema, garantiu que em 20 dias o problema estaria parcialmente resolvido, necessitando de mais 120 dias para a resolução definitiva.

Quem acredita? O fato é que a população continua no prejuízo, entre um apagão e outro.

Fonte: Portal O Pioneiro