O Juiz de Direito Líbio Moura (foto) envia seu importante parecer sobre o post “ Judiciário: “ problema não está na Lei, está na postura!”, que mostra opinião do presidente da AJE sobre a forma de agir, fora dos autos, de alguns juízes. Acompanhe:
“Como magistrado e representante da Associação dos Magistrados do Estado do Pará, na qualidade de vice-presidente, senti-me na obrigação de postar acerca da matéria veiculada.
Em primeiro lugar, não podemos inverter a discussão para admitir que comportamentos excepcionais possam ser considerados a regra da judicância.
Somos 16000 juízes e juízas no Brasil e os casos relatados não chegam a 0,1% dos magistrados. Equívocos profissionais e arrogância são falhas humanas e não privilégio de uma classe (vão desde um prestador de serviço a um diplomata), arraigadas em questões que variam da mera prepotência até laços familiares e alterações psíquicas.
Além disso, sempre necessário verificar que, diferentemente da maioria das profissões, o ofício da magistratura acarreta o descontentamento social de uma das partes atingida pelo julgado, o que faz nascer a inconformação natural, a ser suportada por nós mesmos.
De qualquer forma, o que não se pode permitir é que, ao argumento de que juízes são arrogantes, pessoas interessadas em enfraquecer a independência do Poder Judiciário passem a confundir autoridade com autoritarismo, pois, afinal, somos nós os responsáveis, diariamente, pela manutenção do Estado Democrático de Direito, em qualquer rincão desse pais”.
Líbio Moura
Juiz de Direito da 3ª Vara Penal de Parauapebas
Vice-Presidente de Prerrogativas da Amepa