Três senadores retiram assinaturas e CPI do MEC ainda não pode ser instalada

Ofensiva do governo deu certo , mas a oposição diz que conseguirá novos apoios
Senadores do Pará Jader Barbalho (MDB) e Paulo Rocha (PT) querem a instalação da CPI

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Brasília – Mais uma vez a guerra de narrativas se sobrepõe no Senado, após os senadores Weverton Rocha (PDT-MA), Styvenson Valentim (Podemos-RN) e Oriovisto Guimarães (Podemos-PR) retirarem suas assinaturas do requerimento de instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar supostas irregularidades no Ministério da Educação (MEC).

O colegiado só pode ser instalado se o requerimento obtiver 27 assinaturas. Os senadores Jader Barbalho (MDB-PA) e Paulo Rocha (PT-PA) são duas das 24 assinaturas já coletadas para a abertura da CPI.

“Até aqui me parece que o Randolfe [senador Randolfe Rodrigues, do Amapá] só blefou”, disse o líder do PL no Senado, Carlos Portinho (RJ). “Se tivesse as 27 assinaturas já tinha protocolado, nunca teve”, afirmou o senador, um dos que trabalha contra a instalação do colegiado. “É muita espuma política. Só palanque. Até agora não teve as 27 assinaturas e nunca teve. Não sei nem se tem 24”, declarou Portinho.

Os opositores do governo querem investigar supostas irregularidades no MEC. Os articuladores da comissão provavelmente encontrarão um Senado esvaziado na semana que vem por causa do feriado de Páscoa, o que dificulta a coleta de apoios.

Em audiência pública realizada na Comissão de Educação, três prefeitos confirmaram o suposto esquema envolvendo pastores na pasta sob a gestão do ex-ministro Milton Ribeiro, que, em áudio vazado, indica que eles teriam o aval de Bolsonaro para atuar.

Os prefeitos Gilberto Braga (PSDB), de Luís Domingues (MA); José Manoel de Souza (PP), de Boa Esperança do Sul (SP); e Kelton Pinheiro (Cidadania), de Bonfinópolis (GO) relataram que receberam pedidos de propina dos pastores para a liberação de recursos.

Braga afirma que chegou a ouvir um pedido de propina em barras de ouro durante almoço com mais de 20 prefeitos num restaurante de Brasília.

”O pastor Arilton me disse: ‘Você vai me arrumar R$ 15 mil para protocolar suas demandas; depois que o recurso já estiver empenhado, como a sua região é de mineração, vai me trazer um quilo de ouro’. Eu não disse nem que sim nem que não, me afastei da mesa”, relatou ao Senado.

Base de apoio do governo contra-ataca

Os partidos da base de apoio ao governo no Senado contra-atacaram a investida do senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), na mesma moeda.

Está sendo articulada pelos governistas apoio à criação de outra CPI. Essa, para investigar obras paralisadas e supostas irregularidades no Fies (Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior) durante os governos petistas. O principal adversário de Bolsonaro na eleição deste ano é o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Semana após semana, as pesquisas de intenção de voto à corrida presidencial registram a queda da vantagem do ex-presidente Lula em comparação a Jair Bolsonaro e a instalação de uma CPI contra o governo interessa aos apoiadores do PT, como explica o senador Álvaro Dias (Podemos-PR).

Dias disse que a CPI do MEC seria “apenas um palanque armado com objetivos eleitoreiros”. Ele afirmou também que a CPI da Covid seria um exemplo de CPI que teria virado palanque. Na avaliação do senador, “era importante aquela CPI [da Covid], mas infelizmente ela não atuou como deveria”.

Confira os senadores que já assinaram o requerimento de instalação da CPI do MEC:Randolfe Rodrigues (Rede-AP)

Paulo Paim (PT-RS)

Humberto Costa (PT-PE)

Renan Calheiros (MDB-AL)

Fabiano Contarato (PT-ES)

Jorge Kajuru (Podemos-GO)

Zenaide Maia (Pros-RN)

Omar Aziz (PSD-AM)

Rogério Carvalho (PT-SE)

Reguffe (União Brasil-DF)

Leila Barros (PDT-DF)

Jean Paul Prates (PT-RN)

Jaques Wagner (PT-BA)

Eliziane Gama (Cidadania-MA)

Tasso Jereissati (PSDB-CE)

Alessandro Vieira (PSDB-SE)

Dário Berger (PSB-SC)

Simone Tebet (MDB-MS)

Mara Gabrilli (PSDB-SP)

Nilda Gondim (MDB-PB)

Cid Gomes (PDT-CE)

Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB)

Paulo Rocha (PT-PA)

Jader Barbalho (MDB-PA)

Reportagem: Val-André Mutran – Correspondente do Blog do Zé Dudu em Brasília.

2 comentários em “Três senadores retiram assinaturas e CPI do MEC ainda não pode ser instalada

  1. Francisco Lazaro Viana da Silva zedudu.com.br Responder

    Só oposição querendo montar um palanque. Felizmente a base do governo está atenta. Somos mais Brasil.

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