Sul do Pará: IML registra 106 corpos neste início de 2010

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Os números voltam a confirmar que a violência é uma realidade permanente no sul e sudeste do Pará. Em pouco mais de um mês e meio, 106 corpos deram entrada na regional do Instituto Médico Legal (IML), sediada em Marabá. O levantamento feito desde o início do ano também aponta que mais de 56% dos casos foram vítimas de homicídio.

Os números ainda podem se tornar bem mais expressivos, caso se leve em conta as vítimas que não entraram nos registros do IML. EA regional do instituto atende 23 municípios, mas a estimativa, segundo o diário de registros oficial do órgão, é que quase 50% dos corpos que dão entrada no instituto são oriundos de Marabá. Parauapebas é o segundo maior município em demanda da região, correspondendo a cerca de 10% dos registros.

O IML registrou no mês de janeiro, a passagem de 60 corpos, sendo que 29 deles foram vítimas de homicídios praticados principalmente por arma de fogo e arma branca. Já nesta primeira quinzena de fevereiro, que contempla a semana de carnaval, o número já chega a 46 mortos, marcados por muitos assassinatos, que corresponde a mais de 65% dos casos.

Num balanço desde 2008, o órgão já registrou 2087 corpos, sendo que o número apresentado no primeiro ano foi de 1007. Em 2009 esse registro caiu para 974, que também somados aos 106 deste início de 2010 correspondem a uma média de aproximadamente 2,6 corpos por dia.

DEMANDA
De acordo com o gerente regional do CPC do sul e sudeste, Marcelo Salame, hoje o órgão possui dificuldades para atender a demanda. Ele anuncia que para ajudar no atendimento da extensa demanda da região, a Prefeitura de Parauapebas já assinou convênio para a implantação de um núcleo do IML no município, que tem previsão para ser inaugurado ainda no fim deste mês. Além de atender Parauapebas, a unidade também irá contemplar os municípios vizinhos, como Curionópolis, Eldorado do Carajás e Canaã dos Carajás.

Ainda segundo Marcelo Salame, a “geladeira” de conservação tem capacidade para receber apenas dois corpos, mas o instituto acaba improvisando e usando a repartição para o dobro da disposição. “Os corpos deveriam ficar 30 dias na espera por familiares, mas dependendo da demanda acabamos não podendo cumprir esse prazo. Por outro lado, fazemos os registros das vítimas para uma possível identificação”, revela.

O gerente ressalta que a regional trabalha com esforços para conseguir atender a demanda da região, mas admite que tanto o corpo técnico hoje formado por apenas 13 peritos e quatro médicos, quanto a estrutura física do órgão, estão aquém da necessidade. “Seriam necessários cerca de 30 peritos e 14 médicos. Também precisaríamos ter um banco de dados, onde seriam armazenadas coletas dos corpos para atender uma possível necessidade futura de confronto de DNA, por exemplo”, coloca.

A reportagem também levantou que a Prefeitura de Marabá fez a doação de um terreno para a construção de um novo prédio para instalar o CPC, entretanto, segundo a gerência regional do centro, as obras estão interditadas desde o início de 2009. Marcelo Salame não soube precisar o motivo da paralisação, mas revela que o projeto na ordem de R$1,3 milhão prevê a construção de três blocos e deveria ter sido inaugurado ainda no ano passado.

Fonte: Diário do Pará

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