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Educação

Prefeituras da região devem receber R$ 450 milhões para cuidar de ensino básico

Os governos de Marabá, com expectativa de R$ 192,5 milhões, e Parauapebas, com previsão de R$ 160,2 milhões, estão entre os maiores receptáculos de recursos do Fundeb este ano.

Foi divulgado na quinta-feira (3) o valor previsto que cada município vai receber a título de Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb) ao longo de 2019. A previsão é de uma receita total de R$ 156,3 bilhões neste ano, sendo que R$ 9,7 bilhões devem correr dentro do estado do Pará.

Segundo a ONG Todos pela Educação, o Fundeb ajuda os sistemas de ensino a se organizarem melhor no que diz respeito ao atendimento escolar de toda a educação básica, dando segurança financeira a municípios e estados para expandirem seu número de matrículas e orientando-os no cumprimento de suas responsabilidades com a educação. Desse modo, as prefeituras paraenses são incentivadas a se concentrarem no ensino infantil e nos anos iniciais e finais do ensino fundamental, e o Governo do Estado, no ensino médio.

O Blog do Zé Dudu puxou os dados disponibilizados pela Confederação Nacional dos Municípios (CNM) e calculou que os municípios da microrregião de Parauapebas mais Marabá vão faturar, juntos, R$ 447.578.330,36. Esses recursos devem atender aos 125 mil alunos matriculados na rede municipal de cada uma das localidades.

A Prefeitura de Marabá, que registrou 53,6 mil alunos em 2018, segundo dados do Ministério da Educação (MEC), é a terceira do Pará que mais vai receber recursos do Fundeb. A expectativa é de que entrem no Fundo Municipal de Educação marabaense R$ 192,5 milhões, montante que deixa o município atrás apenas de Belém (R$ 238,7 milhões) e Santarém (R$ 224,7 milhões).

Já a Prefeitura de Parauapebas deve ajuntar R$ 160,2 milhões, quantia que tem como parâmetro os 45,2 mil alunos recenseados em 2018. Canaã dos Carajás vai receber R$ 39,4 milhões por seus 11 estudantes, enquanto Eldorado do Carajás vai ver nos cofres R$ 27,3 milhões devido a 7,4 mil matrículas. Em Curionópolis, cerca de R$ 17,2 milhões devem garantir educação básica a 4,9 mil estudantes da rede municipal, ao passo que em Água Azul do Norte R$ 11 milhões vão atender a uma rede composta por 2,7 mil alunos.

Entre os 144 municípios, a Prefeitura de Belém vai faturar a maior bolada do Fundeb: R$ 238,68 milhões. Na capital paraense está a maior rede de estudantes do ensino básico. Já a Prefeitura de Bannach, no sul do estado, vai pegar apenas R$ 3,14 milhões por tomar conta da menor quantidade de alunos do Pará.

Municípios de Carajás têm Ideb precário

Para muito além da dinheirama do Fundeb que vai entrar nos cofres públicos ao longo deste ano, quase toda a quantia comprometida com folha de pagamento de profissionais do magistério, os municípios da região — e do Pará como um todo — têm um desafio maior: elevar os indicadores de educação, que são sabidamente precários.

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O último Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), criado pelo MEC para medir o nível de ensino ofertado e divulgado em 2018 (com referência à Prova Brasil aplicada em 2017), revela que os municípios da região mais pioraram que avançaram nas redes escolares. Detalhadamente, melhoraram pouco ou estagnaram nos anos iniciais do ensino fundamental e pioraram nos anos finais em relação à penúltima avaliação, com referência a 2015.

Em Marabá, o Ideb dos anos iniciais estagnou em 4,6 entre 2015 e 2017, enquanto em Parauapebas passou de 5,6 para 5,7 no período, o que, na prática, também indica estagnação. Em Água Azul do Norte, o Ideb despencou de 3,9 para 3,5 e nos demais municípios, não cresceu significativamente.

No tocante aos anos finais do ensino fundamental, do qual os estudantes saem para o ensino médio, a situação é generalizadamente dramática. Enquanto Parauapebas dormiu no ponto, com nota 4,6 entre 2015 e 2017, os demais municípios foram no mesmo ritmo, sendo que Eldorado chegou a despencar meio ponto, tombando de 3,7 para 3,2. Estagnar, na prática, chega a ser pior do que diminuir o Ideb porque fornece a noção de falso positivo do comodismo — a ideia de que, se não melhorou, ao menos não piorou, e está tudo “certo”.

Em 2020, os prefeitos — particularmente os que vão tentar a reeleição — vão ter uma batata quente na educação para segurar. Isso porque agora em 2019 haverá aplicação do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), que substitui as Provinha e Prova Brasil, e vai gerar Ideb. O resultado desse Ideb sairá em 2020, três meses antes das eleições, e seus números vão ser utilizados como arma de guerra contra gestores que não derem conta de promover guinada na educação.

É sabido que, no caso dos municípios paraenses, que têm Ideb baixo, elevá-los a um patamar de orgulho, acima de 6 ou, deliradamente, 7 pontos (o melhor do Brasil, Sobral, chega a 9,1 nos anos iniciais), só mesmo por um milagre da reinvenção dos métodos pedagógicos e didáticos. Isso é praticamente impossível — e a história tem mostrado — em razão de práticas educacionais arcaicas em contraponto a uma modernidade tecnológica que acompanha os alunos desde o berço. Tais práticas amparam-se em milhões de recursos financeiros, mas não mostram eficiência.

Como os prefeitos, sobretudo os da região de Carajás, terão dificuldade sequer de manter a nota que já apresentaram por efeito de seus “trabalhos” em 2017, eles deverão enfrentar a sanha de seus opositores, sendo duramente detonados por resultados presumivelmente abaixo do esperado. Mesmo com uma enxurrada de dinheiro, pouca coisa vai mudar em mais um ano comum.

Comentários ( 3 )

  1. Triste realidade. A educação não avança em Parauapebas porque os representantes que entram, saem e retornam insistem em priorizar kit e uniforme e se esquecem que qualidade em educação é investir em formação e aprendizagem, conceitos que não são tirados da vida das pessoas, por mais que elas percam tudo (kit, uniforme, dinheiro…)… Vamos passar mais um século perdido se tudo prosseguir como está.

  2. Sou professor na rede pública municipal desde 2014 e tudo isso que está dito no texto é a realidade vivida por nós educadores. Priorizam o material (kit e uniforme) e não investem na raiz do problema que é a formação do professor. Tem formador da SEMED que sabe menos que a maioria dos professoes, passa informação errada e não tem credibilidade. Isso chega até o aluno. Além disso gasta-se com supérfluo e não reformam escolas, condenam aluno ao calor, ao arroz e feijão pouco e sem carne às vezes. Educação é um conjunto de fatores para se alcançar a qualidade. Mas ninguém está nem aí pra isso porque é melhor ter gerações de alienados e com baixa capacidade para manobrar e sustentar o poderio dos tolos e corruptos. Meu desabafo!!

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