Parauapebas

Parauapebas já tem aplicativo de transporte para chamar de seu: Carajáscar

Dentro de pouco tempo, Uber e 99 podem vir a ser coisa do passado em Parauapebas. Ou procurados por muito poucos usuários. É que, desde a última segunda-feira (2), um novo aplicativo de transporte individual de passageiros começou a ser baixado nos celulares dos usuários. É o “Carajáscar”, criado pela iniciativa dos motoristas de Uber e 99 Pablo Rodrigues, Levani de Jesus e José Alberto de Sousa e que pode ser baixado no Google Play.

José Alberto contou à Reportagem do Blog do Zé Dudu que já faz algum tempo que o percentual cobrado tanto pelo aplicativo norte-americano quanto pelo chinês começou a ter reajustes constantes, chegando atualmente a 35%.

Ele e os colegas começaram a ficar incomodados com isso e, em fevereiro passado, quando ele foi passar o carnaval na cidade piauiense de Parnaíba, soube que os motoristas de lá não estavam mais ligados ao Uber nem ao 99 e sim possuem um aplicativo do próprio local que funciona muito bem, nos mesmos moldes dos estrangeiros.

De volta a Parauapebas, Alberto se debruçou sobre a Lei Federal 13.640/2018, que regula o transporte remunerado privado individual de passageiros solicitado por usuários previamente cadastrados em aplicativos ou outras plataformas de comunicação em rede, apelidada de “Lei do Uber”.

“Examinei e constatei que na lei nada havia que me impedisse de criar um aplicativo local”, conta Alberto de Souza, relatando ainda que ouviu a opinião de colegas motoristas de aplicativos que são advogados ou bacharéis em Direito, os quais confirmaram a inexistência de impedimentos.

Após isso, ele reuniu vários colegas e falou da possibilidade da criação de um aplicativo local. Conseguiu arrebanhar um número suficiente de motoristas e encomendou, a uma empresa do Rio, o Carajáscar, que saiu por R$ 5 mil a serem pagos em 10 parcelas de R$ 500,00.

Em dois dias, dos 300 motoristas de aplicativos de Parauapebas, 40 já aderiram ao Carajáscar. “Os nossos diferenciais são: não temos fins lucrativos, nossa comissão é de apenas 5%, somente para a manutenção do aplicativo; toda a renda que gerarmos vai circular no comércio da cidade mesmo, não vai para os EUA nem para a China; e teremos mais segurança para trabalhar”, detalha ele.

“Temos uma central que pode nos monitorar quando nos deslocarmos para uma área de risco; e temos segurança jurídica em caso de alguma dúvida. Já com os outros não temos isso, o escritório mais próximo do Uber fica em Belém”, justifica o condutor.

José Alberto projeta para pouco tempo a formação de uma cooperativa, a partir e mais adesões ao carajáscar, mas reconhece que vai ser uma luta ferrenha, “pois os outros dois são muito fortes, têm recursos para financiar mídia etc.”

Alberto, espontaneamente, procurou a Câmara Municipal, onde apresentou o aplicativo ao Poder Legislativo, representado pelo presidente, vereador Luís Castilho (PROS).

“Sabemos que, além da lei federal, deve haver uma lei municipal para regulamentar o nosso serviço. Por isso procuramos a Câmara, onde fomos muito bem recebidos pelo presidente que nos deu todo o apoio e deve encabeçar a elaboração dessa lei”, contou José Alberto.

Por Eleuterio Gomes – de Marabá

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