Pará tem pior desempenho na balança dos últimos três anos, revela Economia

Exportação de minério de ferro paraense é a menor desde outubro de 2016. Menos transações comerciais também indicam menos entrada de receitas nos cofres do Estado.
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A economia do Pará, considerando-se a exportação de commodities que geram divisas para o estado e para o país, deu uma pisada no freio daquelas em abril. E a desaceleração custou quase R$ 1,4 bilhão em relação a março. É o pior abril desde o auge da crise econômica, entre 2015 e 2016, que afetou as exportações de produtos paraenses. O estado registrou transações que totalizaram no mês passado 868 milhões de dólares. Em pouquíssimas vezes ao longo desta década as exportações mensais não romperam a barreira do bilhão de dólares. As informações foram levantadas com exclusividade pelo Blog do Zé Dudu junto ao Ministério da Economia, que acaba de divulgar dados detalhados para os entes subnacionais.

A balança comercial paraense caiu cerca de 30% em relação aos 1 bilhão e 228 milhões de dólares exportados em março. Em valores absolutos, abriu registrou embarques de commodities 360 milhões de dólares menores — convertendo-se em moeda nacional, é equivalente a R$ 1,4 bilhão.

E isso pesa nas finanças do estado. Menos exportações implicam menos recursos entrando nos cofres públicos, notadamente em Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), principal ganha-pão do governo comandado por Helder Barbalho.

O Blog do Zé Dudu consultou o Boletim Mensal de Arrecadação consolidado do 1º trimestre, declarado pelo Governo do Estado, e verificou que, de R$ 5,15 bilhões que entraram nos cofres do Poder Executivo, R$ 2,84 bilhões foram oriundos de ICMS. Proporcionalmente, de cada R$ 100 que o Pará arrecada, R$ 55 vêm desse imposto. Por isso, uma retração de 30% nas exportações também podem fazer despencar à mesma proporção o recolhimento de receitas. E com receitas menores, serviços sociais básicos podem chegar com mais dificuldade e fragilidade — ou simplesmente não chegar — à população, que está na ponta dessa sensível “lei do retorno”.

Minério de ferro “pede arrego”

O Pará se mantém como 7º maior exportador brasileiro, mas está prestes a ser engolido por Santa Catarina, cujas transações comerciais têm crescido bastante. Com economia baseada maciçamente na exportação de recursos minerais, o estado está passando sufoco porque a mineradora multinacional Vale desacelerou a sua produção de minério de ferro nos municípios de Parauapebas e Canaã dos Carajás, com retrações de volume físico nunca antes vistas.

A Vale é autora de um terço do Produto Interno Bruto (PIB) do Pará e, por isso, consagra-se o maior poder paralelo dentro do estado. Para se ter ideia de sua força econômica, enquanto o Governo do Pará arrecadou R$ 25,52 bilhões no ano passado em receitas correntes, a Vale, dentro do Pará, faturou R$ 36,31 bilhões, sendo que R$ 28,38 bilhões desse valor saíram das operações de minério de ferro. De maneira didática, apenas o minério de ferro que a Vale extrai do Pará pagaria, com troco e folga, as despesas ordenadas pelo Governo do Estado.

E é por isso que qualquer retração na produção da Vale, notadamente nas operações envolvendo o minério de ferro, leva a economia paraense a sentir contrações severas, tendo em vista que a pauta de exportações local depende dessa commodity em 50%. Em abril, a exportação de minério do Pará, no valor de 422 milhões de dólares, foi a pior desde outubro de 2016.

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