Oportunidades: Parauapebas crava mais de 300 empregos com carteira assinada

Na contramão, Pacajá, que figurou diversas vezes entre os municípios que mais criaram postos de trabalho no país, agora surge como o que mais demite: só em outubro “lapada” foi de 2.300.
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Embora não tenha sido, em outubro, um dos 100 maiores geradores de postos de trabalho com carteira assinada do país, o resultado apresentado por Parauapebas para o mês foi bastante expressivo e mostra que a geração de oportunidades na Capital do Minério segue a todo valor. Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) divulgados ontem (31) revelam que, naquele mês, o saldo de criação de empregos no município foi de 302 adições. Parauapebas foi o 6º do Pará e 171º no Brasil que mais empregou.

As informações foram levantadas pelo Blog do Zé Dudu, que analisou microdados do cadastro administrativo do Ministério do Trabalho. O campeão de geração de empregos no estado foi Paragominas, onde o saldo fechou em 602 novas oportunidades. Belém (437), Tomé-Açu (364), Santarém (352) e Tailândia (308) aparecem na sequência.

Mas, à exceção de Belém, hoje ninguém movimenta no Pará quantidade tão grande de trabalhadores quanto Parauapebas. E essa é, também, uma explicação de por que a quantidade de empregos com carteira assinada baixou em outubro, mês em que 3.538 parauapebenses se empregaram e 3.236 foram desligados do trabalho.

O elevado número de demissões coincide com a conclusão de diversas obras de construção civil temporárias. Os empregos das obras do setor de construção civil são sensíveis porque eles têm começo, meio e fim — e o fim frequentemente é breve. No caso de Parauapebas, a maior parte dos postos de trabalho que estão sendo gerados são empregos temporários, arrastados por obras civis de infraestrutura na cidade, na zona rural e nas minas de Carajás. A administração pública é a maior fomentadora das contratações e, em seguida, a mineradora multinacional Vale.

De janeiro a outubro deste ano, Parauapebas acumula geração líquida de impressionantes 10.869 postos de trabalho com carteira assinada. É como se uma quantidade de trabalhadores equivalente à população inteira da cidade de Curionópolis tivesse conseguido se empregar no município. O Blog do Zé Dudu calcula que, em dez meses, as obras em andamento tenham despejado na praça R$ 217,38 milhões em salários, contribuindo para turbinar e aquecer a economia local.

O drama de Pacajá

Mas outubro não foi bom para todos, e Pacajá foi a maior das vítimas. O município, que apareceu diversas vezes no Blog do Zé Dudu como uma dos que mais empregavam no Brasil (relembre aqui, aqui, e aqui), ao lado de Parauapebas, agora é o que mais desemprega no país. Em outubro, 2.336 trabalhadores pacajaenses foram desligados. Pacajá estava “ligado no 220”, gerando centenas de empregos, em razão da implantação de um linhão de transmissão de energia elétrica proveniente da usina de Belo Monte.

O Blog chegou a advertir que eram empregos temporários e que, com a conclusão dos serviços, o município da Transamazônica se tornaria um grande demissionário. Não deu outra: agora Pacajá está perdendo todo o estoque de postos de trabalho com carteira assinada que acumulou. De igual modo também será com Parauapebas, ao fim da implantação das obras de construção civil, que concentram postos temporários.

No mês retrasado, 51 municípios paraenses mais demitiram que contrataram, e a segunda pior situação, depois de Pacajá, foi a de Marabá, onde o saldo fechou no vermelho, com 78 demissões a mais que contratações. No Pará como um todo, o saldo foi positivo, com 2.656 postos de trabalho líquidos criados.

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