Inflação do Pará é a maior do Brasil em março, revela IBGE

Preços disparam, mas cidadão comum não vê isso revertido no contracheque. Renda média do paraense é de míseros R$ 883; Dieese diz que salário mínimo deveria ser ao menos R$ 5.375.
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A inflação medida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na Grande Belém, que serve de referência para preços de produtos e serviços no Pará, apresentou neste mês de março o maior aumento do país. De acordo com o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA-15) divulgado pelo instituto nesta quinta-feira (25), apenas este mês os preços de produtos do varejo consumidos pelas famílias paraenses dispararam 1,49% e acumulam alta de 2,94% em apenas três meses do ano. O IPCA-15 é uma prévia da inflação oficial.

As informações foram levantadas com exclusividade pelo Blog do Zé Dudu, que analisou os resultados detalhados da prévia. Em tempos de pandemia e de confinamento em casa, com muitos municípios do estado vivendo sob decreto de lockdown, quase tudo encareceu.

Os serviços de transportes tiveram aumento de 3,95% apenas este mês no Pará. O Blog apurou que esse aumento é motivado pela alta no preço dos combustíveis, que, por efeito cascata, tem impactado principalmente quem tem veículo próprio. Em menos de três meses completos, os desembolsos com transportes inflaram 4,94% e já sugam 17,8% do orçamento dos paraenses.

A principal matriz de gastos das famílias — os itens de alimentação e bebidas, que respondem por 27,63% do orçamento dos cidadãos do Pará — aumentou 1,23% nas prateleiras este mês e 4,29% nestes ainda poucos dias de 2021. É uma subida de preços bastante robusta quando comparada à inflação do Brasil como um todo no período: em março, o IPCA-15 médio do país foi de 0,12% para alimentos e bebidas e, no acumulado do ano, 2,21%.

Preços sobem, salário desce

Também ficaram mais caros este mês aqui no estado itens de habitação (1,67%), serviços de saúde e cuidados pessoais (1,15%), artigos para casa (1,11%), gastos com educação (0,29%) e despesas pessoais (0,16%). Só tiveram redução leve de preço os artigos de vestuário (-0,34%) e os serviços de comunicação (-0,13%), estes, no entanto, com pouco peso na cesta de gastos mensais das famílias.

O aumento de preços para o consumidor paraense chega num cenário em que o Pará ostenta a 5ª pior renda per capita do Brasil. Segundo o IBGE, em 2020, cada cidadão paraense vivia com, em média, R$ 883 por mês. Só no Piauí (R$ 859), Amazonas (R$ 852), Alagoas (R$ 796) e Maranhão (R$ 676) se vive com ainda menos. O Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) afirma que o salário mínimo necessário para cada pessoa se manter é de, pelo menos, R$ 5.375,05, uma realidade seis vezes distante da população paraense.