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Canaã dos Carajás

Integrantes do MST tentam invadir propriedade rural mas são expulsos a bala

Na revista ao acampamento, os seguranças encontraram 12 motocicletas, um carro e uma espingarda calibre 20 que, foram deixados para trás durante a fuga

O conflito aconteceu neste domingo (2), na região da Fazenda Marajaí, localizada a cerca de 30 quilômetros de Canaã dos Carajás. Segundo relatos, os seguranças da fazenda se  preparavam para a troca de turno quando notaram um acampamento montado por integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), em meio à propriedade.

Os funcionários não souberam precisar o número de invasores, mas, na polícia, contaram que, ao constatar a movimentação, os invasores dispararam algumas vezes contra o carro dos vigilantes que, em uma reação rápida, não revidaram no primeiro momento. Seguiram em busca de reforços para retirar os invasores. Pouco tempo depois, os funcionários retornaram ao local, já acompanhados de outros seguranças. Houve troca de tiros e os invasores deixaram o local.

Ainda não se sabe há quanto tempo o acampamento estava montado dentro da fazenda. Na revista ao local, os seguranças e encontraram 12 motocicletas, um carro e uma espingarda calibre 20, deixados para trás durante a fuga. No confronto, nenhum funcionário da fazenda se feriu, apenas a porta do motorista do carro em que estavam foi atingida por um único disparo.

Quando tudo se acalmou, três pessoas ligadas ao grupo retornaram ao local para recuperar os objetos. Segundos eles, um homem conhecido como “Loirinho” foi o responsável pelos disparos. Os três integrantes do movimento foram conduzidos à sede da Polícia Civil de Canaã dos Carajás onde foram interrogados, com a fuga, os demais membros não foram identificados.

Marabá

Fazenda Santa Tereza volta a ser invadida em Marabá

MST diz que 450 famílias reocuparam a propriedade, que foi considerada produtiva pelo Incra em 2016

Na madrugada desta sexta (27), 450 famílias de trabalhadores rurais do Acampamento Hugo Chávez, do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), reocuparam a Fazenda Santa Tereza, em Marabá.

De acordo com o MST, a fazenda foi grilada (registrada de forma fraudulenta) pelo latifundiário Rafael Saldanha de Camargo, fazendeiro influente na região e um dos suspeitos, segundo o Ministério Público, pelo assassinato dos líderes sem-terra Doutor e Fusquinha, há mais de 20 anos.

A fazenda Santa Tereza foi ocupada pela primeira vez em junho de 2014. Ainda segundo o MST, a fazenda é, na verdade, uma área pública e Rafael também é acusado de cometer crimes ambientais. Apesar disso, as famílias dos sem terra foram despejadas em dezembro de 2017, por determinação da Vara Agrária de Marabá.

A reocupação faz parte da Jornada de Lutas pela Reforma Agrária e Lula Livre que acontece em todo o Brasil, na semana do dia do Trabalhador Rural, comemorado no dia 25 de julho.

Disputa por terras

A fazenda Santa Tereza está ocupada há 3 anos por cerca de 300 famílias. Mas, o processo de desapropriação da área foi analisado no final de 2016, depois que um levantamento do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) concluiu que a fazenda é produtiva.

“Foram feitos entendimentos, procedeu-se a avaliação e no momento em que foi dado o preço para aquisição, os proprietários não concordaram. Ficou impossibilitado de fazer qualquer outra coisa porque, já que eles não querem vender, nós não podemos desapropriar porque a terra é produtiva e documentada”, explicou Asdrubal Bentes, então superintendente do Incra em Marabá.

Os sem terra sabem que não haverá ordem de despejo imediata, uma vez que o juiz da Vara Agrária de Marabá, Amarildo José Mazutti, informou à Reportagem do blog que novas desocupações só devem ocorrer após as eleições de outubro próximo.

A reportagem do blog tentou entrar em contato com os advogados e a assessoria do fazendeiro, porém, não teve resposta.

Marabá

Sem terra versus sem terra: 58 famílias despejadas na beira da estrada em Marabá

Invasores dizem que não têm para onde ir e avisam que aguardam apenas a retirada do CME da região para voltar a ocupar a área que pertence ao MST

“O feitiço virou-se contra o feiticeiro”. Um dos provérbios populares mais conhecidos assentou-se perfeitamente sob a sigla do MST (Movimento dos Sem Terra) em Marabá. Há quase dois anos, um grupo de 58 famílias dissidentes de uma ocupação na Fazenda Santa Tereza deixou o local e invadiu uma área de 10 hectares (2 alqueires) na zona urbana de Marabá, que pertence ao MST.

A área em questão é denominada de Centro de Formação, Produção e Artes da Amazônia (Conduru), que segundo o próprio juiz da Vara Agrária de Marabá, Amarildo José Mazutti, pertence ao MST. Ela fica localizada na chamada vicinal Florestan Fernandes, Km 01, Bairro São Félix, como está na ação judicial proposta pelo próprio Conduru.

Para os invasores, se reconhece que é bairro, então o Conduru confirma que a propriedade está dentro da área urbana e desconfiguraria a competência da Vara Agrária para julgar o feito.

A entidade alegou na Justiça que a Conduru é uma área destinada à prática de atividade rural e ensino da educação no campo há cerca de 14 anos. A ocupação da propriedade ocorreu em 12 de abril de 2017. No depoimento dos responsáveis pelo projeto, a invasão ocasionou diversos prejuízos, tais como derrubada de árvores, danos a experimentos com milho e construção de barracos no local.

Outra alegação é de que na área do projeto foram feitas diversas benfeitorias e que a entidade já exercia atividades da educação no campo, prejudicando o desenvolvimento das mesmas.

Elinaldo da Conceição Silva, 36 anos, um dos líderes da ocupação do Conduru, alega que todas as famílias faziam parte do MST, que estava acampado na Fazenda Santa Tereza, onde passaram três anos, alegando que as pessoas que conduziram a invasão daquela propriedade não agiam de boa fé. Lembraram-se de que havia a área do Conduru na região do bairro São Félix, que estaria desocupada e sem utilização. “Viemos para cá porque sabíamos que seríamos despejados lá, como de fato as famílias que persistiram ali tiveram de sair”, relembra.

Em 2017, eles entraram na área do centro de formação, construíram casas, fizeram plantações e passaram a criar galinhas e peixes para comercialização. Na reforma agrária que promoveram entre si, cada família, segundo Elinaldo, ficou com uma área de 25 metros de frente por 50 metros de fundo. “Ali a gente morava, mas também produzia algumas culturas para nosso sustento”, alega.

O líder do movimento lamenta que a CPT (Comissão Pastoral da Terra) os tenha abandonado, assim como a Igreja Católica, que lavou a mão em relação a eles. Elinaldo questiona também a alegação dos responsáveis pelo Conduru de que o local funcionava como centro de formação para agricultores, uma vez que a sede que seria utilizada para essa finalidade teve as obras abandonadas há vários anos. “Lá só tem as paredes e nada mais. Quando chegamos ao local só havia mato da altura de uma pessoa”, diz.

Nesta terça-feira, a Reportagem do blog acompanhou o dilema das famílias despejadas. Na beira da estrada que dá acesso a vários balneários – como as praias do Espírito Santo, Sossego e do Amor – crianças jogavam futebol, outras corriam de uma barraca para outra, mulheres fritavam piabas para o almoço, num cardápio que incluía também arroz e cozidão para dar sustança para o povo.

“VAMOS VOLTAR”

Informalmente, Elinaldo afirma que o movimento vai voltar para o mesmo local, porque eles não têm para onde ir e deixaram para trás plantações que querem colher. “Vamos aguardar apenas a retirada do CME (Comando de Missões Especiais) da Polícia Militar esta semana. Vamos voltar e continuar nossa vida. Nossos filhos estudam aqui no São Félix e o acesso à escola é muito bom”, diz.

CPT FORA DO PROCESSO

Procurado pela Reportagem do blog, o advogado da Comissão Pastoral da Terra, José Batista Afonso, disse que estava em deslocamento entre cidades e explicou o seguinte por meio de rede social: “O MST, anos atrás, adquiriu um terreno no bairro São Félix. No local iniciou a construção de um centro de formação onde utilizava para reuniões com lideranças dos acampamentos e ocupações do movimento.

Por falta de recursos, o centro não foi concluído. No ano passado, um grupo de sem teto de São Félix ocupou a área. O MST solicitou que advogados da CPT entrassem com uma ação de reintegração de posse para o Movimento recuperar a propriedade. A intenção da CPT era mediar um acordo entre as famílias que estavam ocupando a área e o MST. Na audiência que o juiz da Vara Agraria marcou semanas atrás para discutir a situação.

Nesta audiência, a posição da CPT foi: Não fazer despejo, mas promover um acordo onde uma parte da área ficaria com as famílias que realmente tinham moradia no local e a outra parte com o MST para manter o centro de formação. A CPT deixou claro na audiência que se não tivesse acordo seus advogados sairiam do processo. Como não houve acordo entre o MST e os ocupantes, a CPT saiu do processo e quem assumiu sua responsabilidade foi outro advogado que não conheço”.

A Reportagem do blog também entrou em contato com o bispo da Diocese de Marabá, Dom Vital Corbellini, mas ele não respondeu as mensagens e nem atendeu a ligação telefônica.

Ulisses Pompeu – de Marabá
Eldorado do Carajás

17 de abril: MST prepara evento na Curva do S para lembrar a morte de 19 sem-terra

Um dos líderes do movimento, Tito Moura, afirma que não existe Reforma Agrária no Brasil e revela que o Título Definitivo entregue pelo Incra, não sai de graça: custa cerca de R$ 30 mil ao trabalhador

Para lembrar os 22 anos do episódio que ficou conhecido como “Massacre da Curva do S”, ocorrido em 17 de abril de 1996, o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) realiza nesta terça-feira (17), das 9h às 13h, Ato Ecumênico seguido de Ato Político. Para Tito Moura, um dos líderes do movimento, é uma forma de não deixar a luta morrer, embora a Reforma Agrária não tenha avançado, apesar do sacrifício das 19 vidas.

Durante a manifestação, o tráfego deve ficar lento na Rodovia BR-155, por conta de interdições alternadas da estrada. “Não vamos fechar a estrada”, garante Tito, explicando que o tráfego para por alguns minutos e logo é liberado, “sem prejuízos ao movimento da rodovia”, numa espécie de pare-siga, na curva em que aconteceu o conflito.

Estão sendo aguardadas lideranças de outros movimentos, que debaterão o momento político pelo qual passa o País, nas palavras de Tito Moura, sem governo: “Nós não temos governo no Brasil. E no Pará também essa relação é muito complicada”, afirma ele em relação à Reforma Agrária.

“Nunca teve Reforma Agrária. O que tem é uma distribuiçãozinha de terra quando os trabalhadores se organizam. A maioria dos acampamentos que têm 10 anos, 15 anos, continua lutando pela terra, para, pelo menos, ser regularizada e nem isso acontece. Quando tem conflito, o governo vai lá e compra a terra ou desapropria, mas  voluntariamente não faz”, afirma Tito Moura.

Ele diz que a Reforma Agrária nunca avançou, está pior, com tudo parado em relação aos acampamentos e aos assentamentos e que nada funciona. Afirma que os poucos títulos de terra que o Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) são uma gota d’água no oceano diante do número famílias acampadas na região.

Tito MouraSobre esses Títulos Definitivos que o instituto vem entregando, Tito Moura afirma que o MST não é contra a emissão dos documentos, mas sim contra a forma como está sendo feita e faz uma revelação ao Blog: “Em verdade, o Título Definitivo custa muito caro ao assentado. Não é de graça, é pago, cerca de R$ 30 mil. É pago parceladamente, não é de graça, não”, afirma o líder sem-terra.

Segundo ele, uma das aspirações do MST ainda no Governo Dilma, era de que o documento fosse gratuito, “mas não passou”. “Aí, o MST não vai ser contra quem quiser titular, mas depois tem as parcelinhas para pagar”, diz, completando: “Muitos trabalhadores, desinformados, choram por um documento de terra. Mas, na hora em que eles vêm o valor, dizem que não era isso que queriam”.

“Estamos fazendo um debate dentro do MST. Se a turma concordar em não titular, para nós é melhor. Pode ficar com a concessão de uso para 100 anos, 200 anos, se quiser. Mas, a titulação é meio complicada”, afirma. “A morte dos companheiros não foi em vão, mas não há Reforma Agrária no Brasil”, lamenta Moura.

História
O confronto entre integrantes do MST e policiais ocorreu em 17 de abril de 1996 no município de Eldorado dos Carajás, na Rodovia PA-150, hoje BR-155, quando 1,5 mil sem-terra que estavam acampados na região decidiram fazer uma marcha em protesto contra a demora da desapropriação de terras. A Polícia Militar foi encarregada de tirá-los do local. Além de bombas de gás lacrimogêneo, os policiais atiraram contra os manifestantes. Dezenove camponeses foram mortos.

Dos 155 policiais que participaram da ação, o coronel Mário Pantoja e o major José Maria de Oliveira, comandantes da operação, foram condenados a penas que superaram os 150 anos de prisão. José Maria de Oliveira permanece custodiado no Centro de Recuperação Especial Anastácio das Neves. Já Mário Colares Pantoja está em
recolhimento domiciliar para tratamento de saúde. Os demais policiais militares que foram a julgamento foram absolvidos dos crimes.

Por Eleutério Gomes – Correspondente em Marabá

Parauapebas

Prefeitura de Parauapebas é interditada pelo MST

Uma reunião entre lideranças do MST e de outras organizações do campo com o governo municipal está prevista para as 16 horas desta quinta-feira

Cerca de cento e cinquenta pessoas ligadas ao  Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e outra organizações do campo ocupam nesse momento a sede prefeitura de Parauapebas. Segundo o MST, a ação faz parte da Mobilização dos Trabalhadores para que o “governo tome medidas distributivas da Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM) no município e nas políticas públicas efetivas de distribuição de renda para os trabalhadores”.

A ação também denuncia “a paralisação e abandono da Reforma Agrária pelos governos; os vinte anos do assassinato de Onalício Barros (Fusquinha) e Valentim Serra(Doutor), cujos os mandantes continuam soltos e impunes; contra os despejos no sul do Pará; e por um programa de apoio à agricultura com diálogo e participação com os trabalhadores”.

Na verdade a pauta dessa ação de hoje é pressionar o prefeito para a mudança na gestão da Secretaria Municipal de Produção Rural (Sempror). Parte da direção do MST está insatisfeita com o atual secretário, Eurival Martins Carvalho (Totô) e quer porque quer que o prefeito Darci o demita.

O Blog solicitou uma posição do governo em relação à pauta apresentada pelo Movimento. Todavia, até o fechamento dessa matéria não havia recebido resposta. A Ascom informou que está agendada para as 16 horas uma reunião com as lideranças do Movimento e que está em busca de mais informações para responder ao Blog.

Notadamente a ação de hoje do MST transpassa a demanda por pautas relativas à socialização das terras paraenses e visa apenas os desejos locais do movimento. Enquanto isso, o direito constitucional de ir e vir está sendo prejudicado, mais uma vez!

MST

Marabá

Vigia da Fazenda Cedro é baleado em ataque três meses após a propriedade ter sido desocupada

A fazenda está sendo reconstruída após ter ficado oito anos ocupada pelo MST, quando foi totalmente destruída

Por Eleutério Gomes – Correspondente em Marabá

A Fazenda Cedro, localizada na Rodovia BR-155, a 30 quilômetros de Marabá, foi alvo de um ataque na noite de ontem, sexta-feira (23), por volta das 22h45. A propriedade, que pertence à Agro Santa Bárbara (AgroSB), ficou ocupada por integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) durante oito anos. Em novembro do ano passado, foi desocupada por força de Ação de Reintegração de Posse, mas ali não havia mais gado, máquinas, casas, tratores nem implementos: tudo foi destruído pelos invasores. Atualmente, a propriedade está sendo reconstruída.

De acordo com a Assessoria de Comunicação da AgroSB, como já era tarde da noite, poucos funcionários estavam na propriedade, que está em obras. De repente, um dos vigias, cujo nome não foi informado, foi alvo de tiro no pé, quando estava na portaria da fazenda, assim como um dos veículos da empresa. Uma queima de fogos de artifício antecedeu os disparos de arma de fogo. Entre cinco e dez pessoas teriam participado da tentativa de invasão.

Imediatamente, o vigia, que pertence a uma terceirizada, foi encaminhado ao Hospital Municipal de Marabá, enquanto, por volta da meia noite, o gerente registrou Boletim de Ocorrência na 23ª Seccional de Polícia Civil, relatando o ataque ao delegado William Lopes Crispim.

Segundo a Ascom da AgroSB, a “empresa aguarda providências das autoridades para coibir novas tentativas de invasão à Fazenda Cedro, que no período em que esteve invadida pelo MST sofreu diversos ataques: matança de gado, ameaça e sequestro de funcionários, casas e máquinas agrícolas incendiadas, escolas depredadas, cercas, currais e pastos destruídos”.

Reforma Agrária

Por determinação da Justiça, Sem Terra começam a deixar as fazendas Cedro e Fortaleza, no município de Marabá

A operação vai até a quarta-feira (29), quando todos os acampados deverão deixar as áreas das fazendas.

Por Lima Rodrigues, de Marabá-PA

De forma pacífica, as famílias do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) estão deixando, nesta segunda-feira (27), às áreas das fazendas Cedro e Fortaleza, que vinham sendo ocupadas desde 2009, na BR 155, entre Marabá e Eldorado do Carajás, no sudeste do Pará. A determinação de reintegração de posse das fazendas, na área denominada Assentamento Helenira Rezende, partiu do Tribunal de Justiça do Pará.

As duas fazendas pertencem ao Grupo Santa Bárbara. A operação de despejo começou por volta de 7h15 da manhã, comandada pelo Ten-Cel. Sérgio Neves, do Comando de Missões Especiais. “Tudo será feito com toda tranquilidade possível. Vocês têm até às 18h de quarta-feira (29) para deixarem as áreas das duas fazenda. Quem ainda não recolheu seu material, comece a desmontar seus barracos, sem atropelo”, disse o coronel, acrescentando que “as tropas da PM permanecerão no local até a quarta-feira (29) para garantir a segurança total da reintegração de posse”.

As ordens judiciais, do Juiz Arnaldo José Mazutti, titular da 3ª Vara Agrária de Marabá foram lidas pelos oficiais de justiça Roberto Sousa e Ederaldo Sousa. Outros dois oficiais de justiça também acompanharam a operação de despejo: Claudionor Santos e Rafael Benevides. No momento da leitura estavam presentes policiais da Tropa de Choque, representantes do Incra, do Ministério do Desenvolvimento Social, da Unifesspa (Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará), e um grupo de trabalhadores Sem Terra.

A leitura foi feita por volta das 8h bem no meio da BR 155, que chegou a ficar fechada por quase duas horas, com o apoio da Polícia Rodoviária Federal, até que a operação de despejo começasse de fato. A rodovia foi liberada às 10h15. A operação contou também com o apoio do Comando de Missões Especiais (Coordenação); Comando do Policiamento Regional, Grupamento Tático Operacional, Polícia Civil e o apoio de um helicóptero.

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Inicialmente, os Sem Terra pretendiam montar os barracos nas áreas de 20 metros nas laterais da rodovia, pertencente ao Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), mas depois foram convencidos pelo coronel Neves que teriam que ir para outro local. Segundo ele, “a ordem da justiça determinava que ninguém poderia ficar nas áreas próximas às fazendas reintegradas”.

As lideranças do MST concordaram e o pessoal deu prosseguimento ao desmonte dos barracos, cujo trabalho havia se iniciado ainda no dia anterior. Durante à noite e madrugada várias famílias embalavam seus pertences em caixas ou sacos, já com a meta de deixar o local pacificamente. Aqueles que moram em casas de alvenarias ainda têm até quarta-feira para derrubar suas residências e fazer o aproveitamento de tijolos e telhas. “As negociações envolvendo a Fazenda Santa Bárbara e o Incra vinham se arrastando, mas agora chegou esta ação de despejo e temos que cumprir porque se não sairmos numa boa, a polícia militar pode derrubar tudo com a ajuda de tratores”, afirmou Ayala Ferreira, da Coordenação Regional do MST no Pará. Ela disse que a coordenação não sabia para onde levar as famílias despejadas das fazendas Cedro e Fortaleza e que aguardava uma resposta do Incra sobre o assunto.

Ayala Ferreira informou, ainda, que as famílias dos Sem Terra estavam produzindo na área vários produtos, como, por exemplo, banana, mandioca, feijão e até leite para alimentação das famílias e comercialização na região.

O agricultor Manoel Messias Barbosa, conhecido por “Goiano”, 67 anos, casado e pai de 11 filhos, chegou ao local ainda de madrugada e disse que obedeceria a ordem de despejo. “Decisão da justiça tem que ser cumprida. Não vamos entrar em confronto com a polícia. Vamos é tentar encontrar outra área para a gente produzir e criar as nossas famílias”, disse ele, de forma serena.

O presidente da Fazenda Santa Bárbara, Cleiton Custódio, informou que a justiça foi feita. “Esperamos quase nove anos por esta decisão. Agora, estamos vendo ela ser cumprida de forma pacífica. Perdemos casas, maquinários, pesquisas genéticas na área da agropecuária, mas vamos voltar a produzir tudo isto aqui na fazenda, além de gerar emprego na região”, destacou.

AgroSB
Em nota, a assessoria de imprensa do Grupo AgroSB informou que a empresa tem cinco grupos de fazendas no Pará, que abrigam mais de 1.000 colaboradores e geram mais de 20 mil empregos diretos. Segundo a nota, “por causa das invasões, a empresa se viu privada de produzir em áreas que adquiriu em conformidade com a legislação”. E prossegue: “Na tentativa de equacionar o conflito agrário na região, a empresa aceitou dialogar com o Incra para aquisição dessas fazendas, mas o processo estende-se há mais de três anos sem sucesso.”

Ainda de acordo com a nota oficial, “a AgroSB sempre buscou na Justiça os seus direitos e a retomada das fazendas ocupadas ilegalmente”. “Aliado a seu compromisso ambiental, a empresa mantém escolas em suas fazendas, proporcionando o desenvolvimento da população da região ligada direta ou indiretamente às suas atividades”.

A nota da AgroSB conclui dizendo que agora “iniciará imediatamente a reconstrução do seu projeto de pecuária e agricultura, com a geração de centenas de empregos em Marabá e cidades vizinhas, proporcionando renda e dignidade aos trabalhadores, além de educação para eles e seus filhos. O comércio regional também será beneficiado com a compra de máquinas, equipamentos e insumos, assim como os municípios devido ao recolhimento de tributos. Os benefícios são, assim, de todos, incluindo o estado do Pará”.

Você que mora em Parauapebas poderá ver cobertura em vídeo das reintegrações de posse das Fazendas Cedro e Fortaleza no Programa Conexão Rural, do apresentador Lima Rodrigues no próximo domingo, às 9h30, pela RedeTV.

incra

Incra Regional e MST entram em acordo e Rodovia BR-155 é liberada

O movimento bloqueou a estrada, que ficou interditada por dois dias em protesto contra as desocupações que vêm ocorrendo na região
Por Eleutério Gomes – de Marabá

Por volta das 17h desta quarta-feira (22), integrantes do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra), que há dois dias bloqueavam a Rodovia BR-155, entre Marabá e Eldorado dos Carajás, liberaram a estrada. Eles protestavam contra o cumprimento de 14 mandados de reintegração de posse, determinados pelo Poder Judiciário, que estão ocorrendo na região.

Na manhã de hoje, o superintendente regional do Incra, Asdrúbal Bentes, esteve na área para negociar com o MST a desobstrução da rodovia. Na ocasião ele se comprometeu em viabilizar cestas-básicas para as famílias acampadas, por meio da Ouvidoria Agrária Regional e da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Em seguida, Asdrúbal se dirigiu para uma reunião com o juiz José Amarildo Mazutti, na Vara Agrária de Marabá, a fim de discutir a situação das famílias e dos processos das fazendas.

Após a conversa com o magistrado, Asdrúbal tranquilizou os líderes e demais participantes do movimento e a BR-155 foi desobstruída. (Com informações da Assessoria de Comunicação do Incra)