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Parauapebas

Vereadores visitam barragem do Gelado e solicitam novas informações sobre as barragens do município

Após as tragédias que assolaram a população dos municípios mineiros de Mariana e Brumadinho, com o rompimento das barragens de rejeito da atividade mineral, os vereadores de Parauapebas tomaram a iniciativa de debater junto à empresa Vale o funcionamento, a manutenção, a prevenção de acidentes, os planos de evacuação e a segurança das 11 barragens instaladas no município.

Na manhã desta quarta-feira (14/02), os vereadores Luiz Castilho (Pros), Horácio Martins (PSD), Zacarias Marques (sem partido), Rafael Ribeiro (MDB), Joel do Sindicato (DEM), Maridé Gomes (PSC), Kelen Adriana (PTB), Francisca Ciza (DEM) e Joelma Leite (PSD) se dirigiram ao Centro de Controle Operacional (CCO) da mineradora Vale, localizado em Carajás. A reunião com os técnicos da empresa foi uma solicitação do presidente da Câmara, Luiz Castilho.

Na segunda-feira (04/02), Castilho convidou representantes de órgãos públicos municipais e federais para discutir alternativas que visem prevenir a população de um eventual rompimento das barragens instaladas no município. Uma das deliberações do encontro foi o diálogo com a mineradora, além do repasse de informações acerca das barragens.

A mineradora Vale prontamente atendeu ao pedido do presidente da Câmara, o que desencadeou a visita desta quarta-feira. A visita e a apresentação das informações foram comandadas pelo gerente Executivo de Planejamento do Corredor Norte, Diogo Monteiro. O técnico explicou detalhes e apresentou informações a respeito das barragens existentes em Carajás e como tais barragens se diferem das instaladas no Estado de Minas Gerais.

A reunião teve a participação de parte da equipe de relação com a comunidade da mineradora Vale e do diretor do Serviço Autônomo de Água e Esgoto de Parauapebas (Saaep), Wander Nepomuceno.

Ainda no início da reunião, o presidente da Câmara afirmou que a intenção é conhecer a real situação das barragens e repassar os dados à sociedade. “Agentes públicos, nós vereadores, temos a obrigação de acompanhar a segurança e a operação dos trabalhos das barragens. Hoje nós parlamentares não estamos aqui para fiscalizar, mas para conhecer”, disse Luiz Castilho.

O presidente da Casa de Leis também ressaltou a necessidade de um técnico isento para contrapor as informações oficiais da mineradora, para que se conclua o real estado de cada barragem de rejeito. Entretanto, Castilho alegou que, especificamente, na visita realizada na quarta era apenas um cidadão preocupado em repassar os dados à comunidade.

Informações e questionamentos suscitados durante a reunião

Conforme explicou Diogo Monteiro, a cada 100 toneladas de minério extraídas cinco são rejeitos, que devem ser descartados. Os rejeitos nos municípios de Mariana e Brumadinho eram depositados em barragens de modelo à montante. Em Carajás, a parte que não se aproveita da extração mineral é direcionada a barragens do modelo à jusante. Segundo afirmou Diogo, as barragens à jusante são implantadas com um método mais moderno e seguro. Porém, existe o risco de rompimento, ainda que mínimo.

Durante a reunião, o vereador Zacarias questionou se as detonações necessárias para a exploração da mina podem afetar as barragens. Diogo informou que os abalos por detonação são previstos na implantação das barragens e que, como as barragens possuem estado de conservação adequado e devidamente monitorado, não se acarretam nenhum risco.

O vereador Joel Pedro perguntou aos representantes da Vale se o processo de fiscalização das barragens é o mesmo utilizado na barragem existente em Brumadinho. Foi informado ao parlamentar que o sistema é o mesmo. Preocupado com a segurança dos munícipes, o parlamentar aduziu que são necessárias fiscalizações externas, completamente isentas. Isto porque os laudos de segurança são atestados pela própria empresa extratora do minério.

Ante a preocupação do vereador Joel do Sindicato, os funcionários da mineradora informaram que a fiscalização nas barragens tem sido feita pela Defesa Civil do Estado e do município; pela Agência Nacional de Mineração (ANM), Ibama, ICMBio, Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Semas) e pelo sistema implantado pela própria Vale (Geotec). E que as revisões periódicas são realizadas a cada três anos para as barragens de risco potencial alto, cinco anos para as barragens de risco médio e sete para as de risco baixo. Existem ainda radares de solo, estação robótica e sistema de videomonitoramento 24 horas, sempre com o intuito de ampliar a segurança.

O vereador Joel manifestou ainda preocupação com a comunidade que reside nas redondezas da Área de Proteção Ambiental (APA) do Gelado, que abriga a barragem do Gelado, cuja capacidade é de 110 milhões de m³. Para a segurança dos colonos da APA do Gelado, foi justificado pela mineradora que já houve um simulado da rota de fuga e que existem outros simulados programados para serem realizados ainda este ano. E que ainda não foi suscitada a retirada dos colonos dos arredores da barragem por parte da empresa Vale.

Por sua vez, o vereador Horácio Martins mencionou que em visita aos moradores da APA do Gelado percebeu que muitos deles estão em pânico ante a possibilidade de um rompimento na barragem do Gelado.

Diogo Monteiro esclareceu que sirenes já foram colocadas na região da APA do Gelado e que as barragens estão em excelente estado de conservação e com os laudos atestados positivamente, e que os laudos são realizados com uma frequência de seis meses, sempre por empresas terceirizadas diferentes.

O receio do vereador Maridé Gomes foi em relação a eventual situação de emergência no Projeto Salobo, cuja barragem fica acima dos postos de trabalho dos profissionais que atuam na mineração. E que, em caso de rompimento da barragem, pode contaminar o leito do Rio Parauapebas, que abastece a cidade com água potável.

Segundo explicou Diogo Monteiro, diretor executivo da mineradora, existe uma área de autossalvamento. Sendo que a legislação responsabiliza a mineradora com o que ocorre num raio de 10 km ou trinta minutos, adotando sempre a maior distância. Porém, para proporcionar maior segurança, a empresa definiu um raio de 20 km. A zona de autossalvamento é a região à jusante da barragem definida no Plano de Ação de Emergência de Barragens de Mineração (Paebm), de modo que neste raio a responsabilidade pelos acontecimentos é da empresa extratora de minério.

Encaminhamento

O vereador Zacarias propôs um encontro para explicar o funcionamento das barragens à comunidade. A mineradora afirmou que haverá outras reuniões para discutir o tema.

Concluindo os debates na reunião, o vereador Luiz Castilho apontou que é importante conhecer os planos de ação de evacuação, que, inclusive, são públicos, bem como capacidade das barragens e área potencial de risco em caso de rompimento. Para tal, o vereador solicitou nova reunião para apresentação dos dados a respeito das barragens. Castilho também requereu a apresentação de informações a respeito do sistema de represas do município. Para o parlamentar, é fundamental ter o conhecimento dos planos de emergência traçados.

“Temos a responsabilidade de passar informações de confiança para o nosso povo. Por isso, quero resposta para os questionamentos levantados pelos parlamentares e o complemento dos dados sobre as barragens implantadas em nosso município”, finalizou Luiz Castilho.

Barragem do Gelado

Os vereadores realizaram, também, visita in loco a Barragem do Gelado, que recebe rejeitos da extração mineral em Carajás.

Parauapebas

Vereadores buscam alternativas com órgãos públicos para prevenir eventual rompimento de barragens

Em busca de transparência no sistema de controle das barragens da região, o vereador Luiz Castilho (Pros), presidente da Câmara Municipal de Parauapebas, convidou representantes de órgãos públicos municipais e federais para discutir alternativas que visem prevenir a população sobre eventual rompimento de barragens de rejeitos minerais instaladas no município.

A reunião aconteceu na Câmara Municipal de Parauapebas e contou com as presenças dos vereadores Ivanaldo Braz (sem partido), José Pavão (MDB), Horácio Martins (PSD), Francisca Ciza (DEM), Maridé Gomes (PSC), Joel Alves (DEM), Zacarias Marques (sem partido), Joelma Leite (PSD), Rafael Ribeiro (MDB), João Assi (PV), Marcelo Parcerinho (PSC), além de Luiz Castilho.

Dos órgãos públicos atenderam ao convite do presidente do Legislativo os secretários municipais João José Corrêa (Planejamento), Flávio Ribeiro Veras (Mineração) e Dion Leno Alves (Meio Ambiente); Jales Santos (Defesa Civil), representantes do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), entre outros.

Antes de iniciar a reunião, assessores da presidência da Câmara Municipal entregaram a cada um dos presentes informações impressas relativas ao rompimento da barragem em Brumadinho (MG), quadro das barragens existentes no município de Parauapebas e desenhos de tipos de barragens.

Os debates em torno do assunto foram bastante abrangentes, como mobilização do maior número possível de órgãos e sociedade organizada em busca de informação acerca da real situação de risco das barragens da Vale e de outras empresas instaladas no município; elaboração de plano de ação emergencial em caso de eventual desastre; preparar estrutura hospitalar, Defesa Civil, Corpo de Bombeiros e demais órgãos de segurança instalados em Parauapebas para eventual rompimento de barragens; fortalecimento do recém-criado Grupo de Trabalho da Prefeitura Municipal para buscar informações junto à Vale, órgãos estaduais e federais; agregar o movimento com municípios vizinhos como Curionópolis, Marabá e Canaã dos Carajás, detentores de barragens de rejeitos de mineração; instalação de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar situação de eventual risco das barragens de responsabilidade da mineradora Vale; entre outros temas.

Parlamentares e demais representantes dos órgãos presentes ao encontro ficaram de se reunir novamente, em data a ser marcada, para deliberar sobre encaminhamentos a serem feitos a respeito das ações que pretendem fazer em busca de informações para prevenir a população de eventuais desastres provocados por barragens.

Texto: Waldyr Silva / Revisão: Nayara Cristina / Fotos: Anderson Souza
Canaã dos Carajás

Prefeito de Canaã quer avaliação de risco das barragens do município

Tragédia de Brumadinho (MG) acendeu a luz de alerta no município, onde está localizada a mina do Sossego, também da Vale

Durante viagem a Belém esta semana, o prefeito de Canaã dos Carajás, Jeová Andrade (MDB),  protocolou um ofício na Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas) solicitando minuciosa vistoria nas barragens de rejeito minerais existentes no município. No documento, o gestor reivindica uma avaliação de risco para que se previnam tragédias. O ofício também foi encaminhado ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e para a Agência Nacional de Mineração (ANM), antigo DNPM (Departamento Nacional de Produção Mineral).

Atualmente, Canaã possui oito barragens de rejeitos minerais. No entanto, estudo da ANM apontou que apenas a Mina do Sossego, apresenta risco ambiental.

Jeová lembra que o município tem grandes projetos minerais e há barragens existentes neles, diz que a Vale afirmou que a situação está sendo monitorada e que não há risco, mas pondera que, para evitar uma calamidade pública no futuro, é imprescindível que essa vistoria aconteça o quanto antes, “Até para tranquilizar a sociedade”. “A mineração é importante para a nossa economia e acredito que é possível aliar o desenvolvimento com a preservação ao meio ambiente”, destacou o prefeito.

Preocupados e alarmados após o rompimento da barragem de Brumadinho (MG), no último dia 25 de janeiro, moradores da Vila Bom Jesus, na zona rural do município, vizinha à mina do Sossego, promoveram uma assembleia onde exigiram de representantes políticos que o processo de extração mineral seja realizado de forma mais segura.

Na ocasião, uma comissão foi formada para tratar com a Vale, governo estadual e governo federal, acerca de formas mais seguras de exploração mineral na região. A comissão também pedirá uma avaliação completa da barragem do Sossego para indicar qual o possível potencial de danos do rejeito mineral na cidade, em caso de um rompimento.

Pará

Tragédia em Brumadinho pode dificultar licenças da Vale para projetos em Carajás

Ações da empresa caíram fortemente ontem e analistas preveem tempos difíceis para a mineradora, especialmente do ponto de vista ambiental. Serra Leste, Salobo e Gelado podem virar dúvida.

“Seria preciso um cataclisma para abalar o cenário da Vale.” Essa forte declaração, que virou manchete nos principais veículos do país, foi dada pelo presidente da mineradora multinacional Vale, Fabio Schvartsman, há exatos seis meses. No dia 26 de julho, ele participou de uma teleconferência com investidores e divulgou as conquistas pujantes da maior produtora de minério de ferro de alto teor do globo durante o trimestre encerrado em junho, bem como externou as expectativas para os trimestres seguintes.

Mas se era preciso um evento dantesco para abalar a manda-chuva do Pará, cujo valor de mercado é de R$ 291 bilhões, a tragédia ocorrida no início da tarde de ontem (25) no município de Brumadinho, estado de Minas Gerais, em razão do rompimento de uma barragem de rejeitos de minério da Vale, é o lamentável cataclisma que vai sujar para sempre a imagem da mineradora. O Ministério do Meio Ambiente fala no rompimento de três barragens, mas a Vale não confirma. De qualquer modo, é uma hecatombe que acontece após três anos do rompimento de outra barragem, no município de Mariana, também no estado de Minas, de uma empresa controlada parcialmente pela Vale.

Desta vez, a tragédia tem proporção maior, do ponto de vista humano, em relação ao evento de Mariana, cuja repercussão foi majoritariamente ambiental. Em Brumadinho, a falta de informações, até o momento, sobre o que aconteceu com quase 300 pessoas — entre funcionários da Vale e de terceirizadas e moradores das cercanias da barragem — causa desespero e comoção nacional, com cobertura “full time” pela imprensa brasileira e destaque agressivo nos principais noticiários do mundo.

A Vale, que começou a sexta-feira com papéis valorizados em 3% no mercado internacional, chegou a despencar 13% minutos após a constatação do rompimento da barragem e fechou o seu dia de cão com desvalorização de 8%, que só não foi pior em razão, até aquele momento, sobre incertezas de causas do desastres e, principalmente, de vítimas fatais.

Com imagem terrivelmente abalada, a multinacional, sempre muito ágil e ativa em interação pelas redes sociais, tem se mostrado perdida e frágil na comunicação corpo a corpo, tanto no acompanhamento do evento de que é autora quanto no tratamento às centenas de famílias de trabalhadores, que têm usado a imprensa televisiva para disparar mísseis ácidos contra a postura “omissa” da empresa e de sua assessoria.

Blog divulgou relatório de barragens no Pará

Há informação de desaparecidos que já teriam residido em Parauapebas e em Marabá e que estariam no refeitório da empresa, almoçando, quando a lama chegou e invadiu o prédio. Muita especulação e muita desinformação foram disparadas nas redes sociais e até mesmo pela imprensa em razão de o rio atingido em Brumadinho chamar-se Paraopeba, nome que se aproxima demais do município paraense de onde a Vale extrai seu maior volume global de minério de ferro.

Ainda assim, para além das coincidências e ilações, a tragédia em Brumadinho chama a atenção para a segurança das barragens de rejeito das operações da Vale no Pará. No final do ano passado, precisamente no dia 20 de novembro, o Blog do Zé Dudu divulgou de forma inédita e com exclusividade o “Relatório de Segurança de Barragens 2017” produzido pela Agência Nacional de Águas (ANA) (veja aqui: Parauapebas tem 3 barragens de “risco alto” e 7 com “alto potencial de dano”).

O Blog detalhou a situação das barragens paraenses, com destaque para as de minério e sob a batuta da Vale. Alguns “haters” e defensores da empresa usaram as redes sociais para criticar, dizer que o texto não contribuía e endeusar as tecnologias empregadas pela Vale em seus empreendimentos na região de Carajás. Vociferavam como se, por mais impensável, uma tragédia nos moldes de Mariana não pudesse repetir-se.

O Blog do Zé Dudu levantou que, das 790 barragens de rejeitos de mineração dos país, 109 estão no Pará, 20 das quais com dano potencial associado. O município de Parauapebas possui quatro barragens da mineradora multinacional Vale classificadas com alto potencial de dano associado e que, se romperem, podem causar o caos. A Vale também marca presença com barragens de alto potencial de dano nos municípios de Canaã dos Carajás (Sossego) e Marabá (Finos 2 de Salobo), conforme indicado no relatório da ANA.

Municípios do Pará podem sofrer efeito cascata

Além de os municípios de Carajás ficarem com a barba de molho, já que a tragédia em Brumadinho reacende velhas chamas de suposições do tipo “pode acontecer aqui?”, o impacto maior, a ser sentido pela região, é na economia e nos rumos futuros de projetos mineradores em Carajás. Como as finanças e o mercado de trabalho de municípios como Parauapebas, Canaã dos Carajás e Curionópolis dependem sobremaneira da atuação da Vale, pode ser que os projetos perspectivos sejam comprometidos.

Isso porque haverá considerável aumento da pressão sobre a concessão de licenças ambientais e operacionais, inclusive dificultando os planos do presidente Jair Bolsonaro de flexibilizar o licenciamento ambiental para destravar grandes empreendimentos. Com isso, projetos previstos no radar da própria mineradora Vale (expansão de Serra Leste, expansão de Salobo, expansão de S11D, implantação de Gelado e abertura das cavas de N1 e N2) podem ter dificuldade para conseguir avançar.

Muitos desses projetos, como a mina SL1 em Serra Leste, no município de Curionópolis, e as minas de N4 e N5, em Serra Norte, no município de Parauapebas, podem encerrar a presença da Vale nesses municípios caso não recebam reforço com autorização de novas frentes de lavra. Parece tudo muito distante, mas num horizonte de dez anos, os atuais corpos em questões poderão perder fôlego e, mediante a redução da produção, trazer consequências drásticas às finanças das prefeituras em questão.

Além de problemas com licenças ambientais — que, aliás, podem se estender, como efeito cascata, para outros empreendimentos de mineração do país assinados por outras empresas —, a Vale pode ter de desembolsar milhões caso as autoridades resolvam aumentar os padrões de segurança para o processamento de resíduos de minas, além do que terá despesas de capital para a reconstrução da barragem que se rompeu e oferecer compensação bilionária pelos danos causados pelo acidente, sem contar a cobertura negativa na mídia nacional e internacional de que já é alvo. O Governo de Minas gerais já conseguiu, por meio da justiça, o bloqueio de R$ 11 bilhões das contas da Vale. Outras demandas judiciais certamente vão prosperar e encrencar a multinacional.

Essas consequências futuras não vão, entretanto, impactar seu balanço financeiro, que está previsto para ser divulgado no próximo dia 13 de fevereiro e é referente ao exercício de 2018. Por outro lado, o mercado financeiro estava animado, aguardando o provável lucro pomposo que a mineradora deve anunciar, mas a partir de segunda-feira (28) a Vale deve sentir os efeitos econômicos da tragédia na Bolsa de São Paulo, que não funcionou ontem em razão do feriado do aniversário de São Paulo. O resultado bilionário da Vale será fatalmente ofuscado pelo cataclisma apocalíptico incomensurável, que jogou na lama meio ambiente, pessoas e a própria empresa.

Tragédia

Barragem de rejeitos de minério da Vale se rompe em Brumadinho

Helicóptero e viaturas do Corpo de Bombeiros estão no local para resgatar vítimas

A barragem do Córrego do Feijão, em Brumadinho, na Região Metropolitana, rompeu-se no fim da manhã desta sexta-feira (25). A barragem pertence à Vale. Prefeituras de cidades próximas ao Rio Paraopeba alertam os moradores que se mantenham longe do curso d’água.

Segundo as primeiras informações do Corpo de Bombeiros de Contagem, que atende o município, há vítimas e várias viaturas foram enviadas ao local, além de um helicóptero. Ainda segundo informações do Corpo de Bombeiros, a mineradora informou que apenas a área interna foi atingida.

Em nota, a Vale confirmou o rompimento da barragem. Há indicações de que os rejeitos atingiram a área administrativa da companhia e parte da comunidade da Vila Ferteco. Os assessores informam que ainda não há confirmação sobre feridos no local. A Vale acionou o Corpo de Bombeiros e ativou o seu Plano de Atendimento a Emergências para Barragens. “A prioridade total da Vale, neste momento, é preservar e proteger a vida de empregados e de integrantes da comunidade”, acrescentam.

Uma jovem moradora de Nova Lima, e 17 anos, informou que o pai dela “escapou de morrer” no rompimento da barragem em Brumadinho. “Agora estamos tranquilos porque meu pai entrou em contato com a minha mãe e disse que está tudo bem”, informou a adolescente. “Ela informou que o pai trabalha há muitos anos na mina como técnico, mas ela não soube dar mais detalhes sobre vítimas.

Moradora do Bairro Araguaia, na Região do Barreiro, Marta Amorim tem familiares na região atingida e está a caminho para ajudá-los. ” Minhas irmãs já saíram de casa, pegaram as roupas e os documentos só e saíram. Agora que eu estou indo pra lá,mas dizem que não estão deixando ninguém entrar na cidade não. Mas agora que eu estou indo, vou passar por uma outra estrada de terra, aí que vou chegar lá, mas minhas irmãs já estão na roça, graças a Deus”, disse.

Por volta de 13h30, a Prefeitura de Brumadinho alertou em redes sociais para a população da cidade manter distância do lei do Rio Paraopeba.

A Prefeitura de Juatuba, cidade vizinha de Brumadinho, também emitiu um alerta na tarde desta sexta-feira. A administração direcionou o aviso aos moradores do Bairro Francelinos, que beira o Rio Paraopeba. A Defesa Civil de Juatuba e o Conselho Municipal De Desenvolvimento Ambiental (Codema) estão no local solicitando a retirada e máxima atenção da população, pois ainda não se sabe a gravidade do desastre.

A Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) enviou na tarde desta sexta-feira a Brumadinho uma equipe com quatro pessoas, que vão fazer levantamento sobre o licenciamento ambiental e tomar outras providências após o rompimento da Barragem Córrego dos Feijões, da mineradora Vale. A equipe inclui dos técnicos do Núcleo de Emergências Ambientais e mais duas da Fundação Estação do Meio Ambiente.

DEFESA CIVIL 

Há informações de que o prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PHS) colocou a Defesa Civil da capital à total disposição do posto de comando que deve ser montado na região de Brumadinho. O órgão informou que pode colocar até 70 agentes disponíveis no local. O secretário Nacional de Proteção e Defesa Civil, o coronel Alexandre Lucas, que já coordenou o órgão em BH, também está se deslocando de Maceió (AL) para Brumadinho.

Mina seria ampliada

A secretária de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) informa que a Vale pretendia ampliar a mina do Córrego do Feijão por meio do licenciamento de unidade de tratamento de minério a seco. Esta mina e a de Jangada são contíguas e estão localizadas a cerca de 7 quilômetros do Parque Estadual da Serra do Rola Moça. Ambas pertencem à mineradora.

Veja mais detalhes sobre o licenciamento e as intervenções que estavam previstas para os locais:

“A respeito dos processos de licenciamento das minas de Jangada e Córrego do Feijão, a Semad informa que o Conselho Estadual de Política Ambiental (Copam) aprovou, em 11 de dezembro, as licenças de operação dos dois empreendimentos, com oito votos favoráveis; um voto contrário (Fórum Nacional da Sociedade Civil nos Comitês de Bacias Hidrográficas – Fonasc); duas abstenções (Ibama e Cefet) e uma ausência (DNPM).

Os dois processos, pautados na ocasião na reunião da Câmara de Atividades Minerárias (CMI) do Copam, não tratam de licenciamento de barragens, mas sim de uma mudança no sistema de disposição de rejeitos, alterando de um modo considerado como de maior risco (barragem) para um modo de maior controle operacional, por meio de empilhamento e disposição em cava de mineração confinada (sem barragem). O empreendedor pretende, nesta licença, reaproveitar o rejeito disposto em barragem, reduzindo este volume e, paulatinamente, reduzindo também a altura da barragem.

No caso da Mina da Jangada trata-se de ampliação de cava; pilhas de rejeito/estéril e estradas para transporte de minério/estéril, externa ao limite do empreendimento. Sobre a mina do Córrego do Feijão, trata-se de expansão das atividades, por meio do licenciamento de unidade de tratamento de minério a seco; pilhas de rejeito/estéril; disposição de rejeito em cava, sem necessidade de construção de barramento; reaproveitamento de bens minerais dispostos em barragem; e instalação de mineroduto/rejeitoduto.” Tragédia como essas não são novidade em Minas Gerais, infelizmente. Há três anos, o rompimento da Barragem de Fundão, em Bento Rodrigues, distrito de Mariana, na Região Central, deixou 19 mortos.

HISTÓRICO

A maior tragédia socioambiental da história do Brasil tem 22 pessoas e mais quatro empresas – Samarco Mineração S.A, BHP Billinton Brasil, a Vale e a VOGBR Recursos Hídricos e Geotecnia – denunciadas pelo Ministério Público Federal (MPF). Ninguém foi punido até hoje. Dos acusados, 21 foram enquadrados no crime de homicídio qualificado doloso, ou seja, quando se assume o risco de matar, pela perda de 19 vidas.

Os riscos não controlados provocaram grandes tragédias no estado: em São Sebastião das Águas Claras (Macacos), em Nova Lima, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, em 2001; em Cataguases, em 2003 e Miraí, em 2007, ambas na Zona da Mata; e Itabirito, na Região Central, em 2014. Os acidentes causaram não só a degradação ambiental nas áreas, como deixaram mortos, feridos, centenas de famílias desabrigadas e muita dor e sofrimento nas comunidades.

fonte: EM

 

 

Parauapebas

Parauapebas tem 3 barragens de “risco alto” e 7 com “alto potencial de dano”

Das 20 barragens paraenses de rejeitos de mineração com alto potencial de dano associado, quatro estão em Parauapebas; uma, em Canaã dos Carajás; e uma, em Marabá. Imerys (8) e Vale (6) encabeçam a lista

Um balde de água fria na segurança das barragens brasileiras foi jogado ontem (19), com a publicação do “Relatório de Segurança de Barragens 2017” pela Agência Nacional de Águas (ANA). Foram contabilizadas 263 barragens no Pará, seis das quais classificadas na categoria de “risco alto”, metade no município de Parauapebas. Além disso, 78 barragens são referidas com “alto dano potencial associado”, sendo sete delas implantadas em Parauapebas.

Segundo a ANA, a categoria de risco refere-se a aspectos da própria barragem que possam influenciar na possibilidade de ocorrência de acidente, enquanto o dano potencial associado diz respeito ao prejuízo causado em havendo acidente ou rompimento. As classificações para ambas as categorias são “alto”, “médio” e “baixo”. No caso do dano potencial associado, os conceitos levam em conta aspectos como infraestrutura e população localizadas abaixo da barragem.

O Brasil possuía 24.092 barragens para diferentes finalidades — acúmulo de água, rejeitos de minérios ou industriais e geração de energia — cadastradas até o ano passado por 31 órgãos fiscalizadores. Boa parte, 9.827 (ou 41%), são barragens de irrigação.

No país, o número de barragens apontadas como mais vulneráveis subiu de 25 em 2016 para 45 em 2017. A maioria apresenta problemas de baixo nível de conservação, mas há outros motivos como insuficiência do vertedor e falta de documentos que comprovem a estabilidade da barragem. Das 45 barragens, 25 pertencem a órgãos e entidades públicos, de acordo com o relatório da ANA.

Mineração

O Blog do Zé Dudu levantou que, das 790 barragens de rejeitos de mineração dos país, 109 estão no Pará. Do total nacional, sete apresentam risco alto, mas nenhuma de mineração é paraense. Por outro lado, 204 barragens brasileiras de rejeitos apresentam dano potencial associado e 20 delas estão aqui no estado.

O município de Barcarena é o líder em barragens que, se romperem, podem vir a causar o caos. Por lá, são oito unidades, todas da multinacional Imerys. Paragominas, com quatro barragens da Mineração Paragominas, aparece em seguida empatado com Parauapebas, que possui quatro barragens da mineradora multinacional Vale classificadas com alto potencial de dano associado.

Em Parauapebas, aliás, está a única barragem de rejeitos de mineração no Pará classificada pela ANA com risco médio. É a do Igarapé Bahia. As demais — Gelado, Geladinho e Pera Jusante —, embora com alto potencial de dano, têm risco baixo.

A Vale também marca presença com barragens de alto potencial de dano nos municípios de Canaã dos Carajás (Sossego) e Marabá (Finos 2 de Salobo). Além desses municípios, há também Oriximiná, com duas unidades da Mineração Rio do Norte com potencial alto de causar transtornos incomensuráveis.

Parauapebas

O levantamento da Agência Nacional de Águas identificou 20 barragens no município de Parauapebas. Três delas são classificadas com risco alto, duas das quais de irrigação e uma de regularização de vazões. As três unidades são da W Torre Empreendimentos e fiscalizadas pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas). Essas barragens, que tiveram autorização emitida no dia 30 de janeiro de 2015, têm validade documental até dia 29 de janeiro do ano que vem.

A mineradora Vale tem 14 barragens dentro de Parauapebas: Kalunga, Kalunga 2, Kalunga 3, Azul, Água do Igarapé Bahia, Rejeitos do Igarapé Bahia, Dique do Puma 1, Estéril Sul, Gelado, Geladinho, Jacaré, PDE 2, Pera Jusante e Pera Montante. Todas elas são fiscalizadas pela Agência Nacional de Mineração (ANM).

Além dessas, há três barragens de recreação da Incorporadora Nova Carajás, fiscalizadas pela Semas e que não possuem grau de risco nem de dano potencial.