Vereadores visitam barragem do Gelado e solicitam novas informações sobre as barragens do município

Após as tragédias que assolaram a população dos municípios mineiros de Mariana e Brumadinho, com o rompimento das barragens de rejeito da atividade mineral, os vereadores de Parauapebas tomaram a iniciativa de debater junto à empresa Vale o funcionamento, a manutenção, a prevenção de acidentes, os planos de evacuação e a segurança das 11 barragens instaladas no município.
Share on facebook
Facebook
Share on whatsapp
WhatsApp
Share on twitter
Twitter
Share on print
Imprimir

Continua depois da publicidade

Na manhã desta quarta-feira (14/02), os vereadores Luiz Castilho (Pros), Horácio Martins (PSD), Zacarias Marques (sem partido), Rafael Ribeiro (MDB), Joel do Sindicato (DEM), Maridé Gomes (PSC), Kelen Adriana (PTB), Francisca Ciza (DEM) e Joelma Leite (PSD) se dirigiram ao Centro de Controle Operacional (CCO) da mineradora Vale, localizado em Carajás. A reunião com os técnicos da empresa foi uma solicitação do presidente da Câmara, Luiz Castilho.

Na segunda-feira (04/02), Castilho convidou representantes de órgãos públicos municipais e federais para discutir alternativas que visem prevenir a população de um eventual rompimento das barragens instaladas no município. Uma das deliberações do encontro foi o diálogo com a mineradora, além do repasse de informações acerca das barragens.

A mineradora Vale prontamente atendeu ao pedido do presidente da Câmara, o que desencadeou a visita desta quarta-feira. A visita e a apresentação das informações foram comandadas pelo gerente Executivo de Planejamento do Corredor Norte, Diogo Monteiro. O técnico explicou detalhes e apresentou informações a respeito das barragens existentes em Carajás e como tais barragens se diferem das instaladas no Estado de Minas Gerais.

A reunião teve a participação de parte da equipe de relação com a comunidade da mineradora Vale e do diretor do Serviço Autônomo de Água e Esgoto de Parauapebas (Saaep), Wander Nepomuceno.

Ainda no início da reunião, o presidente da Câmara afirmou que a intenção é conhecer a real situação das barragens e repassar os dados à sociedade. “Agentes públicos, nós vereadores, temos a obrigação de acompanhar a segurança e a operação dos trabalhos das barragens. Hoje nós parlamentares não estamos aqui para fiscalizar, mas para conhecer”, disse Luiz Castilho.

O presidente da Casa de Leis também ressaltou a necessidade de um técnico isento para contrapor as informações oficiais da mineradora, para que se conclua o real estado de cada barragem de rejeito. Entretanto, Castilho alegou que, especificamente, na visita realizada na quarta era apenas um cidadão preocupado em repassar os dados à comunidade.

Informações e questionamentos suscitados durante a reunião

Conforme explicou Diogo Monteiro, a cada 100 toneladas de minério extraídas cinco são rejeitos, que devem ser descartados. Os rejeitos nos municípios de Mariana e Brumadinho eram depositados em barragens de modelo à montante. Em Carajás, a parte que não se aproveita da extração mineral é direcionada a barragens do modelo à jusante. Segundo afirmou Diogo, as barragens à jusante são implantadas com um método mais moderno e seguro. Porém, existe o risco de rompimento, ainda que mínimo.

Durante a reunião, o vereador Zacarias questionou se as detonações necessárias para a exploração da mina podem afetar as barragens. Diogo informou que os abalos por detonação são previstos na implantação das barragens e que, como as barragens possuem estado de conservação adequado e devidamente monitorado, não se acarretam nenhum risco.

O vereador Joel Pedro perguntou aos representantes da Vale se o processo de fiscalização das barragens é o mesmo utilizado na barragem existente em Brumadinho. Foi informado ao parlamentar que o sistema é o mesmo. Preocupado com a segurança dos munícipes, o parlamentar aduziu que são necessárias fiscalizações externas, completamente isentas. Isto porque os laudos de segurança são atestados pela própria empresa extratora do minério.

Ante a preocupação do vereador Joel do Sindicato, os funcionários da mineradora informaram que a fiscalização nas barragens tem sido feita pela Defesa Civil do Estado e do município; pela Agência Nacional de Mineração (ANM), Ibama, ICMBio, Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Semas) e pelo sistema implantado pela própria Vale (Geotec). E que as revisões periódicas são realizadas a cada três anos para as barragens de risco potencial alto, cinco anos para as barragens de risco médio e sete para as de risco baixo. Existem ainda radares de solo, estação robótica e sistema de videomonitoramento 24 horas, sempre com o intuito de ampliar a segurança.

O vereador Joel manifestou ainda preocupação com a comunidade que reside nas redondezas da Área de Proteção Ambiental (APA) do Gelado, que abriga a barragem do Gelado, cuja capacidade é de 110 milhões de m³. Para a segurança dos colonos da APA do Gelado, foi justificado pela mineradora que já houve um simulado da rota de fuga e que existem outros simulados programados para serem realizados ainda este ano. E que ainda não foi suscitada a retirada dos colonos dos arredores da barragem por parte da empresa Vale.

Por sua vez, o vereador Horácio Martins mencionou que em visita aos moradores da APA do Gelado percebeu que muitos deles estão em pânico ante a possibilidade de um rompimento na barragem do Gelado.

Diogo Monteiro esclareceu que sirenes já foram colocadas na região da APA do Gelado e que as barragens estão em excelente estado de conservação e com os laudos atestados positivamente, e que os laudos são realizados com uma frequência de seis meses, sempre por empresas terceirizadas diferentes.

O receio do vereador Maridé Gomes foi em relação a eventual situação de emergência no Projeto Salobo, cuja barragem fica acima dos postos de trabalho dos profissionais que atuam na mineração. E que, em caso de rompimento da barragem, pode contaminar o leito do Rio Parauapebas, que abastece a cidade com água potável.

Segundo explicou Diogo Monteiro, diretor executivo da mineradora, existe uma área de autossalvamento. Sendo que a legislação responsabiliza a mineradora com o que ocorre num raio de 10 km ou trinta minutos, adotando sempre a maior distância. Porém, para proporcionar maior segurança, a empresa definiu um raio de 20 km. A zona de autossalvamento é a região à jusante da barragem definida no Plano de Ação de Emergência de Barragens de Mineração (Paebm), de modo que neste raio a responsabilidade pelos acontecimentos é da empresa extratora de minério.

Encaminhamento

O vereador Zacarias propôs um encontro para explicar o funcionamento das barragens à comunidade. A mineradora afirmou que haverá outras reuniões para discutir o tema.

Concluindo os debates na reunião, o vereador Luiz Castilho apontou que é importante conhecer os planos de ação de evacuação, que, inclusive, são públicos, bem como capacidade das barragens e área potencial de risco em caso de rompimento. Para tal, o vereador solicitou nova reunião para apresentação dos dados a respeito das barragens. Castilho também requereu a apresentação de informações a respeito do sistema de represas do município. Para o parlamentar, é fundamental ter o conhecimento dos planos de emergência traçados.

“Temos a responsabilidade de passar informações de confiança para o nosso povo. Por isso, quero resposta para os questionamentos levantados pelos parlamentares e o complemento dos dados sobre as barragens implantadas em nosso município”, finalizou Luiz Castilho.

Barragem do Gelado

Os vereadores realizaram, também, visita in loco a Barragem do Gelado, que recebe rejeitos da extração mineral em Carajás.

Relacionados