Coluna Direto de Brasília #Ed. 104 – Por Val-André Mutran

Uma coletânea do que os parlamentares paraenses produziram durante a semana em Brasília
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“Quero demonstrar minha absoluta indignação com o que ocorreu, fazendo, no Estado do Pará, vítimas e lesados por aqueles que pensaram em aproveitar uma pandemia, o sofrimento de pessoas, acreditando que seria possível oferecer um produto e entregar outro, e ficar ilesos; que a sociedade paraense e o Governo do Pará aceitariam e não reagiriam”. Helder Barbalho, Governador do Pará.

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Jornalismo

Muitos torceram o nariz duvidando da informação de qualidade e apuração metódica que pauta a Coluna, baseada sempre em fontes qualificadas e confiáveis.

Não é bola de cristal, nem “achismos”: é jornalismo.

Mensalão e Petrolão

Quando o presidente nacional do PTB, ex-deputado federal Roberto Jefferson, cunhou o termo “mensalão”, a compra descarada de parlamentares no governo Lula da Silva para votar a favor do governo, o esquema foi sucedido pelo “petrolão”, no governo de Dilma Rousseff. Um verdadeiro assalto aos cofres da estatal Petrobrás, por partidos aliados do então todo poderoso PT, que resultou na Operação Lava-Jato, a qual até hoje tenta desmantelar a quadrilha organizada criada na era petista para assaltar os cofres públicos, enriquecer seus dirigentes e bancar a eternização no poder.

Covidão I

O fato é que a sociedade brasileira chegou a pensar que certos políticos tinham aprendido a lição. Ledo engano. O presente à classe política irrecuperável na prática da corrupção veio de um lugar insuspeito: o STF. Foi a suprema corte do país que decidiu que governadores e prefeitos é que teriam a prerrogativa de traçar os planos
de combate à maior pandemia em tempos de paz nos últimos cem anos.

Covidão II

Há pouco mais de duas semanas, a Polícia Federal deflagra sua primeira grande Operação (Placebo) no Rio de Janeiro, tendo como alvo o governador Wilson Witzel (PSC). E na última quarta-feira (10), no Pará, a Operação Para Bellum, figurando como alvo principal o governador Helder Barbalho (MDB).

O governador paraense, visivelmente irritado, utilizou suas redes sociais para negar que tenha praticado algum delito e afirmar que estava à disposição das autoridades para comprovar suas afirmações.

Covidão III

Após votação simbólica na sessão da quarta-feira (10), a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), por unanimidade de 69 votos, reuniu num único processo, a abertura do processo de impeachment contra o governador Wilson Witzel. A Mesa Diretora dará os próximos passos para que o rito prossiga.

Covidão IV

Na Assembleia do Pará, até agora, não se sabe a reação dos deputados estaduais ao “tsunami” provocado pela operação de quarta. Apenas a deputada estadual Dilvanda Faro, esposa do deputado federal Beto Faro, do PT, apoiou publicamente o governador Helder Barbalho. Nem mesmo deputados do MDB — controlado com mão de ferro pela família do governador paraense —, quiseram se manifestar publicamente sobre o assunto.

Entretanto, a abertura de um processo de impeachment contra Barbalho só avançará, se avançar, se houver complicações judiciais e condenações por vários crimes das suspeitas que agora serão verificadas pela PF, a pedido do STJ, atendendo denúncia formulada pela Procuradoria da República no Pará (MPF).

Covidão V

São várias os pontos de intersecção e coincidências entre os casos do Rio de Janeiro e do Pará, a começar pela mesma empresa fornecedora dos respiradores fajutos, sob suspeita de superfaturamento: a SKN. Segundo o MPF, a empresa responsável pela venda não detinha habilitação técnica com os equipamentos e não havia justificativa para sua escolha.

SKN

Os executivos da empresa SKN afirmam que, ao contrário do que informou o governo do Pará, ainda não foram devolvidos os respiradores pulmonares considerados inadequados ao tratamento do novo coronavírus, o que impede a SKN do Brasil Importação e Exportação de Eletroeletrônicos de desfazer o negócio com o fornecedor chinês.

— É confusão pra metro.

Pato I

Como sempre ocorre nesses casos escandalosos de suspeita de corrupção, rapidamente aparece o “pato” ou “patos” para aliviar a barra. No caso paraense, dois “patos” estão na mira e como são indigestos, não se recomenda para o preparo do almoço do Círio. A PF encontrou na operação de quarta, o que viria a ser o primeiro “pato”. Na casa de Peter Cassol, número dois do secretário de Saúde do Pará, Alberto Beltrame, R$ 748 mil em espécie, cujos maços de R$ 50,00 e R$ 100,00 estavam enrolados e pedaços de papel e acondicionados numa caixa térmica. Cassol foi exonerado logo depois da ação policial.

PF apreende uma fortuna em Operação no Pará

Pato II

O próprio Alberto Beltrame é candidato na longa lista de “patos” para pagar a conta. Alvo de operação da PF, o secretário de Saúde do Pará também está no radar da Lava-Jato do Rio. De novo, aqui aparece um ponto de interseção e coincidências no caso do Rio de Janeiro e do Pará.

Pato III

Beltrame foi citado em algumas investigações, inclusive pelo ex-governador Sérgio Cabral. Cabral afirmou que o secretário de Saúde do Pará, o empresário do ramo de saúde Miguel Skin, e o ex-secretário de Saúde do Rio, Sergio Côrtes, “fizeram, agiram e forneceram muita coisa para vários estados do país”. Ele disse que “não se beneficiou disso”, mas “tem certeza que isso aconteceu”.

Miguel Skin voltou a ser preso na semana passada e já tem duas condenações na Lava-Jato. Cortês também foi condenado na mesma operação.

Pato IV

O secretário estadual de Saúde terá que dar explicações sobre essa e outras suspeitas. Ele será ouvido pelos deputados estaduais, em relação ao caso da compra dos respiradores. A reunião virtual será realizada na segunda-feira (14), às 15h. A convocação de Beltrame foi requerida pela deputada Marinor Brito (Psol) e aprovada pelos demais parlamentares.

Reação

“Não me intimidarão e nem me calarão,” disse o secretário de Saúde do Pará, Alberto Beltrame após operação da PF. Presidente do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), Beltrame encabeçou reação crítica a medidas do Ministério da Saúde nas últimas semanas.

“Não me intimidarão e nem me calarão”, secretário de Saúde do Pará, Alberto Beltrame após operação da PF

OMS I

A credibilidade da Organização Mundial de Saúde (OMS) foi questionada pelo chanceler brasileiro, Ernesto Araújo, durante reunião de gabinete com o presidente Jair Bolsonaro na terça-feira (9). Ele criticou a “falta de independência, transparência e coerência” da OMS na luta contra o coronavírus.

OMS II

O ministro das Relações Exteriores apontou especificamente para a “falta” de coerência do organismo ao fornecer diretrizes sobre “a origem do vírus, o contágio, os meios de prevenção, o confinamento, o uso de hidroxicloroquina, o equipamento de proteção e agora a transmissão por assintomáticos”.

Na sexta-feira passada, Bolsonaro ameaçou retirar o Brasil da OMS, acusando a agência de “trabalhar com viés ideológico”.

OMS III

Araújo lembrou que os membros da OMS adotaram uma resolução em 19 de maio que prevê a “avaliação independente” da resposta à pandemia. Mas o chefe da diplomacia brasileira pediu que essa investigação fosse realizada rapidamente.

O chanceler Brasileiro, Ernesto Araújo disse que Brasil estuda retirada do país da OMS

Números da Covid-19 no Mundo

A plataforma da Johns Hopkins University, que monitora em tempo real o avanço da pandemia da Covid-19 no mundo, registrava às 08h33m11s da quinta-feira (11), no momento em que a Coluna estava sendo redigida, a confirmação de 7.400.013 casos confirmados nos cinco continentes da Terra, em 188 países; com 417.133 mortes. — Não há vacina até agora.

A plataforma da Johns Hopkins University monitora em tempo real o avanço da pandemia do novo coronavírus no mundo

Números da Covid-19 no Brasil

O Brasil chegou na quinta-feira (11) à marca de 39.803 pessoas mortas em decorrência da Covid-19. Um boletim divulgado às 8h por veículos de imprensa indica também que, nas 12 horas anteriores, foram registrados seis novos óbitos pelo novo coronavírus. Também foram notificadas 397 novas infecções, totalizando 775.581 desde o início da pandemia no país. O Brasil já é o segundo país com maior número de casos em todo o mundo.

Recriação I

Na reestruturação que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) está promovendo para contemplar os partidos de sua base de apoio no Congresso Nacional, ele recriou o Ministério das Comunicações e nomeou para a pasta Fabio Faria, deputado do PSD do Rio Grande do Norte.

Bolsonaro disse a auxiliares que Faria, genro de Silvio Santos, não é uma indicação de Gilberto Kassab, presidente do PSD. É cota pessoal dele. Faria é hoje um dos deputados mais próximos de Bolsonaro e um frequentador assíduo do gabinete do presidente. Almoçam com frequência.

Recriação II

Com a nomeação do deputado, 3º Secretário da Mesa Diretora da Câmara dos Deputados, que, segundo o Regimento Interno da Casa, cuida, dentre outras coisas, do abono de faltas dos parlamentares; Rodrigo Maia terá que convocar uma eleição suplementar entre os demais deputados do PSD para eleger um novo 3º Secretário, devido ao acordo de composição da chapa que elegeu Maia para presidir a Casa em fevereiro de 2019.

Recriação III

Marcos Pontes, o astronauta, continua com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações, mas agora sem cuidar das Comunicações. As pastas de Ciência e Tecnologia e Comunicações haviam sido fundidas no governo Temer.

No novo organograma, o Ministério das Comunicações absorverá a Secom.

Inquérito das Fake News

Nesta quarta-feira (10), o ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), iniciou a votação no plenário do STF pela legalidade do inquérito aberto no ano passado pelo presidente da corte, ministro Dias Toffoli, para investigar a disseminação de notícias falsas e ataques a integrantes do STF.

Para Fachin, o inquérito deve continuar tramitando, desde que trate apenas de ameaças e difamação a membros do Supremo e familiares, bem como de mensagens contrárias à democracia.

Segundo o ministro, a liberdade de imprensa e postagens em redes sociais não podem ser alvo da investigação, a não ser que sejam impulsionadas por financiamento ou esquema de divulgação em massa. O julgamento prossegue na próxima quarta-feira (17).

Matriz de transportes

Durante o webinar realizado, nesta quinta-feira (11), pela Climate Bonds Initiative – uma organização internacional sem fins lucrativos, focada no investidor, trabalhando exclusivamente na mobilização do mercado de títulos de US $ 100 trilhões de dólares para soluções de mudança climática –, o ministro da Infraestrutura Tarcísio Gomes de Freitas, anunciou o primeiro programa de títulos verdes para transportes da América Latina: “A gente está falando em descarbonizar a nossa matriz de transporte, apostando em ferrovias,” pontuou.

Baixa produtividade

Foi baixa a produtividade legislativa nessa semana. Nenhum projeto de relevância foi apresentado e os deputados e senadores da Bancada do Pará aproveitam para ficar em suas bases e cuidar dos preparativos das eleições municipais de 5 de outubro.

A possibilidade do pleito não ser adiado ganhou força, em contraposição ao cenário da semana passada, no qual era quase certa uma outra data para os eleitores irem à urnas exercer a sua cidadania.

Efeméride

Nesta sexta-feira (12) comemora-se o “Dia dos Namorados”. A Coluna parabeniza os apaixonados, que esse ano terão que ser criativos para festejar a data por causa da pandemia.

De volta na semana que vem

Aos milhares de leitores da Coluna, avisamos que estaremos de volta na próxima semana, publicando direto de Brasília as notícias que afetam a vida de todos os brasileiros, com as reportagens exclusivas aqui no Blog do Zé Dudu

Evite sair de casa. Se sair de casa, use máscaras e luvas descartáveis. Cuide de sua saúde e da sua família. Um ótimo final de semana a todos.

Val-André Mutran – correspondente do Blog do Zé Dudu em Brasília

** Esta Coluna não reflete, necessariamente, a opinião do Blog do Zé Dudu e é responsabilidade de seu titular.

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