Candidatos de Marabá usam debate na TV como “arma” no horário eleitoral

Ulisses Pompeu – de Marabá

O debate entre os cinco candidatos a prefeito de Marabá aconteceu na noite da última sexta-feira, dia 21, com quatro blocos de perguntas e respostas e ainda considerações finais, na RBA TV. Passados três dias do debate, ele ainda repercute na cidade e a maioria dos candidatos tratou de editar perguntas e respostas de acordo com suas conveniências para fortalecer o discurso de que foram melhor no debate.

No Horário Eleitoral Gratuito desta segunda-feira, 24, os deputados estaduais Tião Miranda (PTB), João Salame (PPS), mais César do Comércio e o atual prefeito Maurino Magalhães utilizaram imagens e argumentos apresentados para rebater seus adversários na RBA TV. A única exceção foi Manoel Rodrigues (PSOL), que não fez uso das imagens em seu programa de TV.

O debate foi meio morno, mas o ponto a ser observado é que a maioria dos candidatos direcionou suas perguntas a Tião Miranda, que aparece quase sempre em primeiro nas pesquisas de intenção de votos. O atual prefeito, que pena com problemas de gestão administrativa, tentou encurralar seus opositores diretos com perguntas capciosas, mas apenas provocou risadas do telespectador.

Os líderes nas pesquisas, Tião Miranda e João Salame, só se confrontaram uma vez no programa. Foi no segundo bloco, quando os candidatos fizeram perguntas entre si. Tião Miranda fez o primeiro questionamento e escolheu como foco João Salame, como era de se esperar. Ele quis saber sobre a propaganda que Salame está fazendo no horário eleitoral para realizar 500 km de asfalto e mais saneamento em quatro anos. O deputado do PPS disse que tem falado em asfalto e drenagem de qualidade à base de 700 reais o km, totalizando R$ 350 milhões. Desse total, R$ 150 milhões sairiam da Prefeitura, R$ 100 milhões viriam de emendas da bancada federal e os outros R$ 100 milhões sairiam de empréstimo junto à rede bancária.

Tião, na réplica, disse que Salame não tinha conhecimento de causa e argumentou que o preço do Km na tabela do governo federal custa R$ 1 milhão, além de mais R$ 400 mil para água e esgoto. Com isso, sua proposta subiria para R$ 700 milhões. “Está faltando dinheiro aí, está faltando recurso ou então o candidato está fazendo uma promessa que não pode cumprir”, observou.

Na tréplica, Salame argumentou que Tião não teria “ouvido direito. Eu falei em drenagem, porque água e esgoto é uma tarefa da Cosanpa”. Ele aproveitou para dizer que a R$ 700 mil o valor do Km, faria asfalto de melhor qualidade do que o Tião fez durante seu governo.

Os candidatos César do Comércio (PRP) e Manoel Rodrigues (PSOL) protagonizaram um debate a parte. Com pouca experiência em falar na televisão, ambos estavam nitidamente nervosos e tropeçaram em várias palavras. As perguntas de um para o outro pareciam combinadas e jogo de “compadres”. Não havia um “Q” de “veneno” na pergunta de um para os outros, como acontecia entre os outros três candidatos.

César do Comércio perguntou a Manoel Rodrigues sobre seu projeto para a saúde, mas pergunta e resposta não tiveram o efeito desejado. “Vou investir em saúde preventiva, aumentando o número de PSF”, argumentou Rodrigues. César, por sua vez, chegou a elogiar o projeto do concorrente dizendo que ele não está ruim, “e por isso que a gente precisa mudar”, deixando a entender que os votos deveriam ser para Manoel, e não para ele.

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