Campanha aborda o uso abusivo de tecnologias por crianças e adolescentes

“Nada substitui a presença! Celular não é babá” é o tema da iniciativa, que será aberta com um evento no próximo dia 13
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Sono inadequado, fácil distração, baixo desempenho escolar e problemas físicos são algumas das consequências potencialmente geradas pelo uso abusivo de dispositivos digitais, especialmente quando se trata de crianças e adolescentes. Esta e outas informações serão apresentadas e discutidas no lançamento de uma campanha do Ministério Público do Estado do Pará (MPPA) sobre o uso excessivo das tecnologias, prevista para ser iniciada com um evento de abertura no dia 13 de setembro.

“Nada substitui a presença! Celular não é babá” é o título da campanha que objetiva informar e alertar pais, mães, responsáveis em geral, sobre a importância de orientar e estabelecer limites ao uso de dispositivos digitais pelo público infanto-juvenil. A 1ª Promotoria de Justiça Cível e de Defesa Comunitária e da Cidadania de Icoaraci, com a titular Darlene Rodrigues Moreira, é a responsável pela campanha. O evento de abertura será das 8h30 às 11h00 no auditório da Promotoria de Justiça de Icoaraci, localizado no bairro Ponta Grossa.

O evento é aberto ao público, em especial aos profissionais da educação, rede socioassistencial, órgãos estaduais e municipais, e sociedade civil. A promotoria de justiça também enviou convites as escolas da região de Icoaraci e de Outeiro, local de atribuição da promotoria.

Um outro objetivo da campanha é reforçar ‘’o pleno exercício do poder familiar’’ sobre as crianças e adolescentes, estabelecido no artigo 1.634 do Código Civil. ‘’Dispositivos digitais (celulares, tablets, computador) estão tão introduzidos à nossa rotina que temos a impressão de que eles sempre estiveram conosco, e não percebemos, muitas vezes, a necessidade de regular o seu uso para que não se torne prejudicial, em especial para crianças e adolescentes’’, avalia a promotora Darlene Rodrigues.

A promotora de Justiça ainda pontua a existência de estudos classificando a dependência digital como um grave problema. ‘’Embora ainda não reconhecida como tal no Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais de 2013, muitos especialistas acreditam que o distúrbio já é uma doença’’, afirma.

Na programação do evento de abertura, no próximo dia 13, depois da apresentação e entrega dos materiais da campanha “Nada substitui a presença! Celular não é babá”, ocorrerá a palestra com o tema: Perigo: criança, adolescente e celular – os impactos do uso de eletrônicos na cognição e no comportamento.  A palestrante é a Karina Medrado, neuropsicóloga do Instituto Neurológico de São Paulo e qualificada em ABA (Applied Behavior Analysis). Posteriormente haverá um debate sobre o assunto.

Um dos materiais da campanha, que será distribuído para os participantes no dia do evento, e pode ser acessado aqui, apresenta de forma didática e acessível tópicos como: Quais sinais indicam que Crianças e adolescentes estão fazendo uso problemático de dispositivos digitais? e O que pais e responsáveis podem fazer para que crianças e adolescentes diminuam seu tempo nas telas?

Após a abertura na sexta (13), o planejamento da promotoria de Justiça de Icoaraci é realizar novas palestras sobre o tema, divulgação de alertas nos meios de comunicação, estudo para a apresentação de projeto de lei que obrigue o fornecedor a informa ao consumidor sobre a idade adequada para o uso de dispositivos digitais, bem como incentivar políticas públicas para o atendimento da dependência digital.

Surgimento da campanha

Incialmente, o contato da 1º Promotoria de Justiça de Icoaraci com o tema se dá com a realização de palestras nas escolas de Icoaraci e Outeiro sobre a temática entral:  “Cultura de paz na escola: um trabalho de todos!”. A promotora explica que nas escolas dos distritos foram verificadas constantes situações de bullying, depressão, automutilação, indisciplina, violência física, baixo rendimento e interesse escolar, dentre outras problemáticas. 

‘’Ao dialogar com a comunidade escolar durante tais palestras, bem como nos acompanhamentos dos processos da Vara da Família Distrital de Icoaraci, mais situações foram constatadas, tais como, precariedade da interação entre os membros da família e do exercício de autoridade pelos pais. Então, surgiu o interesse de investigar o porquê, o que estaria ocorrendo no mundo infantojuvenil, e, assim, chegou-se a um ponto comum: o uso abusivo de dispositivos digitais’’, declara a promotora Darlene Rodrigues.

A campanha “Nada substitui a presença! Celular não é babá” surge em um contexto em que, segundo a promotora, inexistem alertas sobre as implicações que o uso abusivo de dispositivos digitais pode gerar à saúde física, mental e social da criança ou adolescente. ‘’Quem nunca viu pais/responsáveis utilizando um tablet ou celular para acalmar ou distrair seu filho?’’ questiona a promotora.

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