Apesar das férias, procura por passagens não aumentou em Canaã

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A crise em Canaã dos Carajás atingiu em cheio as cooperativas e empresas de turismo durante as festividades de fim de ano. Apesar da procura natural por passagens no período das férias, a população canaãnense viajou menos em 2017 do que em 2016. A situação econômica da população local acabou obrigando muita gente a ficar em casa durante as festas de Natal e Ano Novo e o prejuízo ficou para o setor de transportes.

Uma das principais explicações para a drástica redução do poder econômico do cidadão canaãnense está no desemprego do município: só em 2017, cerca de 5330 postos de trabalho foram fechados na cidade. A maior parte do déficit de empregos aconteceu por conta do encerramento das atividades de implantação do Projeto S11D. Com o funcionamento do complexo, a maioria das empresas que trabalharam na construção acabou deixando Canaã, levando consigo milhares de vagas.

Luan dos Santos, agente de viagens em uma cooperativa de vans na cidade, lamentou o período de férias: “O ano de 2017 só foi bom no começo; em julho foi muito ruim e dezembro foi muito pior. Em relação a 2016, o fluxo de pessoas e a procura por passagens diminuiu bastante. Tínhamos boas expectativas, mas foi tudo por água abaixo.” O profissional relatou ainda que os municípios de Marabá, Xinguara e Tucumã foram os mais procurados pelas famílias viajantes.

Já o motorista Raimundo Sousa fez um desabafo durante a entrevista: “Esse final de ano para todos nós foi muito fraco. Nos outros anos sempre foi muito bom e esse ano foi terrível. Não tem emprego na cidade, não tem nada e aí o pessoal não tem dinheiro para viajar. Sem dinheiro ninguém faz nada. Pelo menos estamos com saúde, não é? Vamos ver se melhora esse ano, ver se o prefeito traz empresas para empregar esse povo. Se não trouxer, a coisa fica feia.”

Quem também viveu maus bocados no mesmo espaço de tempo foram algumas empresas de ônibus da cidade. Entre os destinos dos cidadãos, Goiânia, Santa Inês e Belém ficaram entre os favoritos. O também agente de viagens, Marcos Silva, falou com tristeza sobre as perdas em relação aos anos anteriores: “De acordo com o fechamento de caixa, minhas vendas foram 46% menores que 2016. É lamentável. Estamos tentando abrir mais linhas, melhorar a nossa frota para aumentar a quantidade de pessoas viajando conosco, mas aqui em Canaã é complicado, pois não temos tanta estrutura. Não tem rodoviária, a estrada do Posto 70 é muito ruim… Nosso ônibus já atolou duas vezes só esse mês. Então, é bem complicado de se trabalhar assim.”

Para o ano de 2018, a expectativa é que a economia local volte a crescer. Com o aumento da produção de minério no S11D e a maior alíquota na Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM), os números tendem a melhorar para a “Terra Prometida”. O governo local já busca, junto às secretarias de Agricultura e de Desenvolvimento Econômico, alternativas para a superação da crise. Com a população empregada, é natural que finais de ano mais felizes voltem a acontecer para todos em Canaã.

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