Analisando os 800 dias de Valmir Mariano como prefeito de Parauapebas.

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Em 1º de janeiro de 2013 tomava posse como prefeito de Parauapebas o senhor Valmir Queiroz Mariano (PSD), hoje com 68 anos, empresário, divorciado, mineiro de Uberaba e há 25 anos residindo no município. Nesta quinta-feira, 12, Valmir completa seu 800º dia como gestor de Parauapebas.

VQMO clima, quando de sua posse, já não era o mesmo alegre e festivo da época da eleição. Em apenas três meses, Valmir Mariano, eleito com 49.089 votos, já havia construído alguns desafetos políticos dentro do próprio grupo que o ajudou a se eleger apenas por ter tido preferências na escolha do secretariado que o ajudaria a cumprir os compromissos de campanha. Alguns desses já não acreditavam no slogan usado da campanha: a mudança.

Infelizmente, passados 800 dias, Valmir Mariano não conseguiu fazer a mudança. Sem querer aqui avaliar a gestão, me atentarei à política, para mim o grande erro do atual governo.

Quando se falava em mudança, acreditei, como muitos, que haveria uma mudança no conceito político do município. Se antes tínhamos uma Câmara Municipal formada por vereadores assistencialistas e promíscuos com o dinheiro público (guardada as devidas exceções), hoje temos uma pior, onde a maioria está preocupada com seu próprio umbigo, esquecendo-se do para que foi eleita.

Legislativo e Executivo travam uma batalha silenciosa desde o dia da eleição. Alguns estão insatisfeitos porque querem mais espaço político, outros mais espaços para “agasalhar” seus pupilos, e outros querem mesmo é se dar bem financeiramente. Interverem em tudo que é executado. Querem o braço quando só podem ter, no máximo, a mão.

Sem um planejamento viável e com um modus operandi inadequado politicamente, o governo Valmir Mariano seguiu seu rumo sem saber para onde apontava o norte. Secretários com pensamentos faraônicos com planejamentos que mal dariam certo na Suíça, foram mantidos por um tempo maior do que o previsto, simplesmente porque, penso eu, o gestor acreditava que trocar tão cedo seria a prova de que escolheu mal e isso poderia desencadear uma avalanche política e desmoronar de vez o governo. Vai crise e vem crise, o staff do executivo passou a trabalhar como bombeiro. Apagar incêndios provocados por um compromisso mal cumprido ou um “NÃO” dado de forma equivocada passou a ser a única função de colaboradores próximos ao prefeito.

Os processos licitatórios foram o entrave (se é que não continuam sendo) do primeiro ano do governo Valmir Mariano. A máquina simplesmente não andou e quando andou foi de forma atabalhoada, apenas para justificar o orçamento.

Várias trocas foram feitas para o segundo ano e a paz parecia reinar entre executivo e legislativo. O prefeito tentou contemplar a maioria dos vereadores e a relação parecia ir bem. Ledo engano. Uma minoria insatisfeita insurgia contra o prefeito e finalmente foi declarada a guerra, guerra essa que culminou com 8 vereadores declarando ser definitivamente oposição. A vice, de forma legal já que a Constituição Federal lhe garante isso, passou a reunir a oposição para aplicar o golpe final, afastar o prefeito.

Muitos poderão jogar a culpa única e exclusivamente na Ângela (vice), ou nos outros pretensos candidatos que buscam ocupar o lugar do Valmir, Darci, Marcelo Catalão, Coutinho… candidatos na oposição devem exercer seu papel de oposição e não se pode reclamar disso. Na realidade o maior culpado é o prefeito que não soube construir alianças seguras, responsáveis e fiéis durante todo o processo de montagem do governo e nesses 800 dias que se passaram.

Está tudo perdido? Acredito que não!

PMPSe o prefeito Valmir Mariano colocar na cabeça que está precisando de ajuda e que sem ajuda ele não conclui o mandato, a situação, creio, pode se reverter a seu favor.  É hora de lamber feridas, reaproximar o grupo, traçar diretrizes, fazer chamegos de forma cirúrgica para trazer a população, os formadores de opinião e os vereadores para o seu lado. Executar ações eficazes em tempo recorde pode salvar essa gestão. Caso o contrário, a vaca vai pro brejo!

Sou governista, já disse isso várias vezes aqui. Sou por acreditar que só o governo pode melhorar a vida do povo, a minha vida como cidadão que quer boa educação, saúde eficiente, segurança.

Acredito na boa intenção do prefeito Valmir Mariano, mas é preciso que ele faça uma  auto-penitência, assuma os erros de estratégia e busque a conciliação e até use a caixinha de maldades que todo político tem na mão para quando for necessário. É preciso que o prefeito busque a governabilidade e pare de dar declarações que a culpa é da oposição. Ela está no papel dela!

O afastamento real do prefeito só não se deu na semana passada por pura precipitação e falta de orientação jurídica aos vereadores. Que esse fato sirva de lição e seja um divisor de águas para o prefeito e seus assessores. Aliás, a assessoria do prefeito é um caso a parte, que daria se não um livro, mas pelo menos um conto. Muitos ali mais atrapalham do que ajudam. É preciso rever esse formato.

Quanto as obras e serviços, espero que o prefeito aproveite os  660 dias que lhe restam deste mandato e faça essa cidade crescer, a saúde melhorar, o comércio voltar a ficar pujante mesmo em meio a uma crise,  e invista em educação para que nossos filhos não precisem sair daqui pra cursar uma boa faculdade e em busca de um bom emprego.

O francês Victor Hugo disse: “O futuro têm muitos nomes. Para os incapazes o inalcançável, para os medrosos o desconhecido, para os valentes a oportunidade.”  Aproveite, prefeito, essa oportunidade e use o poder que tem como gestor de uma das cidades mais cobiçadas do Brasil e seja um valente.

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