Alegando inconstitucionalidade Bolsonaro veta integralmente regulamentação da profissão de despachante documentalista

“Fere a liberdade e o valor social do trabalho, a busca do pleno emprego e a livre iniciativa”, justificou o mandatário
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O trabalho dos despachantes é muito utilizado por empresas e pessoas físicas junto aos órgãos públicos

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Brasília – A proposta “fere a liberdade e o valor social do trabalho, a busca do pleno emprego e a livre iniciativa”, com essa justificativa, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), vetou integralmente (Veto nº 64/2021) o Projeto de Lei 2022/2019 que regulamenta o exercício da profissão de despachante documentalista. O veto ainda será analisado em sessão do Congresso Nacional e poderá ser mantido ou rejeitado por deputados e senadores.

O projeto, de autoria do deputado federal Mauro Nazif (PSB-RO), regulamenta a profissão de despachante documentalista. “É o profissional responsável por representar terceiros junto a órgãos públicos. Cabe a ele acompanhar a tramitação de processos e procedimentos, cumprir diligências, anexar documentos, prestar esclarecimentos, solicitar informações e relatórios, bem como executar todos os atos pertinentes e necessários à mediação ou à representação.”

Ao justificar o veto integral, publicado no Diário Oficial da União na sexta-feira (26), Bolsonaro argumenta que o texto é inconstitucional porque restringe o exercício da atividade.

A justificativa afirma que, se sancionado, o projeto “criaria reserva de mercado e restringiria a concorrência profissional, em prejuízo de possíveis trabalhadores que quisessem entrar naquela área de atuação”.

Citando decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamenta (ADPF) 183/2019, a justificativa sustenta que a regulamentação profissional “só deveria ocorrer se o exercício da profissão de despachante exigisse conhecimentos técnicos e científicos complexos, de modo que o seu desempenho inadequado implicasse risco evidente de danos à coletividade”.

O presidente do Congresso Nacional, senador Rodrigo Pacheco (PsSD-MG), declarou que antes do recesso legislativo em dezembro convocará sessão conjunta do Congresso Nacional para analisar esse outros vetos presidenciais pendentes. Isso deve ocorrer no início de dezembro, paralelamente a um “esforço concentrado” anunciado há duas semanas.

Reportagem: Val-André Mutran – Correspondente do Blog do Zé Dudu em Brasília.