Parauapebas

Um artista parauapebense em Paris

Confraria de Artes realizará uma grande feira nos próximos dias 22 e 23, no CDC, em prol de Sansão Antcorpus, selecionado para expor no Carroussel Du Louvre.

Pela primeira vez na história de Parauapebas, um artista plástico da terra irá expor em Paris bem pertinho ao maior e mais famoso museu do mundo. E o artista vai não porque escolheu ir, mas porque, de tão especial, ele foi selecionado em meio a centenas de talentos brasileiros para mostrar o seu trabalho no Salão Internacional de Arte Contemporânea no Carrousel Du Louvre, localizado entre o Museu de Louvre e o Jardim das Tulherias, abaixo da pirâmide invertida do Louvre.

Artista Sansão Antcorpus

A exposição será em outubro deste ano. E lá, em meio a obras de artistas de todo o planeta, estará a de Sansão Antcorpus, nascido com o nome de Francisco Pereira da Silva há 34 anos, em Parauapebas, quando a cidade ainda pertencia a Marabá. Desde o início de 2018, ele se encontra em Dublin, capital da Irlanda, para aperfeiçoar a sua técnica e divulgar o seu trabalho. Sansão é especialista em desenho hiper-realista, técnica também chamada de super-realismo, que sempre usa fotografia como modelo para a obra.

Para fortalecer ainda mais a produção artística em Parauapebas e, ao mesmo tempo, dar aquela força para Sansão, o Coletivo Confraria das Artes e Letras realizará o evento “Do Pebas a Paris – Feira Beneficente de Arte”, a fim de angariar fundos com vista a incentivar e valorizar a arte e a cultura do município.

Será na sexta-feira, 22, e no sábado, 23, no Centro de Desenvolvimento Cultural (CDC), com exposição de obras e artesanato, leilão de obras de artistas locais, apresentações culturais e musicais, rodas de conversa e muito mais. O evento tem o apoio da Prefeitura de Parauapebas, por meio da Secult, porém muito ainda precisa ser feito no município para o real fomento da cultura.

A confraria é formada por artistas, produtores e ativistas culturais de Parauapebas decididos a mostrar que o município não é rico apenas em minérios. “Engana-se quem pensa assim. Nossa cidade respira arte e abriga talentos que gritam diariamente por incentivo, reúne artistas renomados que muitas vezes não são valorizados e então tentam, desta forma, buscar apoio em outra cidade ou mesmo países, como fez o jovem artista Sansão Antcorpus”, diz o texto da confraria, lido pelo presidente da Câmara Municipal de Parauapebas, vereador Luiz Castilho (Pros), dia 11 deste mês, durante a apresentação da nova turma de alunos da Escola de Música Maestro Waldemar Henrique.

Talento e perseverança

Para o chefe do Legislativo municipal, Sansão é uma prova irrefutável de que a arte transforma positivamente a vida das pessoas. De família de baixa renda, Sansão começou sua formação artística no Centro Educacional da Criança e do Adolescente de Parauapebas (Cecap), hoje o Projeto Pipa. E quem começou orientando aquele garoto foi o professor e tutor Afonso Camargo.

Os dois são amigos até hoje e não perdem o contato. Como não poderia ser diferente, o mestre está “extremamente feliz, satisfeito, completo” por ver o aluno alçar voo tão alto. “Sansão se destacou porque ele perseverou, ele acreditou no seu potencial. Ele não ficou preso somente a uma técnica. Ele bebeu de todas as fontes. Claro que nossa participação no projeto Cecap da época foi de suma importância porque abriu oportunidades, despertou talentos, como é o caso dele, e de outros que também hoje trabalham com o desenho, com a arte ou que desempenham um papel similar a essa atividade”, diz Afonso Camargo.

De aluno, Sansão passou a ser também tutor de arte. Foram seis anos transferindo conhecimento para crianças e adolescentes. Afonso Camargo conta que o artista desenvolveu uma técnica muito ao estilo dele, de incrível sensibilidade. “O desenho hiper-realista é uma técnica muito apurada, difícil pelo fato de a pessoa ter que ter equilíbrio, conhecimento muito grande de proporções, anatomia humana, expressividade. E ele (Sansão) desenvolveu tudo isso”, orgulha-se o mestre.

O resultado de tanta dedicação e estudo veio com a seleção para expor no Louvre. “É como se o artista marcasse um gol de ouro, é como se fossem as olimpíadas, uma Copa do Mundo para o artista estar num espaço que está hoje fazendo essas exposições”, compara o professor, não sem antes ressaltar que antes de ser convidado para a exposição Sansão já vinha sendo reconhecido pelo seu trabalho.

Mais valor à cultura

Com o valor dado à arte de Sansão Antcorpus por agenciadores de fora do Estado, os artistas de Parauapebas esperam que tanto o governo municipal quanto o empresariado voltem os olhos para a produção artística e cultural do município, sempre relegada a últimos planos. “Precisamos investir mais na nossa produção cultural; precisamos incentivar nossas crianças; precisamos dar cabo da Lei de Incentivo à Cultura; precisamos que o empresariado aposte nas pessoas daqui”, sugere Afonso Camargo, que cita artistas que se mudaram de Parauapebas por falta de incentivo.

Enquanto não recebe o esperado impulso, a confraria decidiu criar uma escola de artes plásticas por acreditar nos valores da terra. “Já temos algo desenhado em relação a isso. Para cuidar para que no futuro tenhamos bons produtores culturais, em que essa escola seja vista como referencial”, projeta o mestre.

Convite à população

Afonso Camargo explica que a feira “Do Pebas a Paris” se propõe a angariar recursos também para Sansão Antcorpus porque, na capital francesa, ele vai ter gastos com estadia, alimentação e até mesmo com transporte de segurança da obra que irá expor. E tudo em Euro, que até esta terça-feira estava em R$ 4,30. “Tudo isso é o artista quem gasta. E Parauapebas obviamente vai ajudá-lo. Pra isso, nós contamos com o apoio da nossa comunidade, da nossa sociedade, da nossa Parauapebas”, convida o professor.

“Do Pebas a Paris”, diz Camargo, foi pensada também em defesa de Sansão, para que o artista se sinta abraçado e motivado pela população de Parauapebas. “Os artistas de Parauapebas se reuniram numa confraria em defesa do Sansão, em prol dele. Vamos ter a possibilidade de estar com as vendas de produto no CDC, com o nosso leilão de obras artísticas que estarão lá. Estamos fazendo de tudo para que isso seja feito dentro de uma responsabilidade, é claro, mas precisamos da presença de todos”.

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